O Império das Bandas de Forró

15 05 2008

TEM RAPARIGA AÍ? – O Império das Bandas de Forró


Tem rapariga aí? Se tem levante a mão!”. A maioria, as moças, levanta a mão.

Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, e todas bandas do gênero). As outras são “gaia”, “cabaré”, e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.

O secretário de cultura Ariano Suassuna foi bastante criticado, numa aula-espetáculo, no ano passado, por ter malhando uma música da banda Calipso, que ele achava (deve continuar achando, claro) de mau gosto. Vai daí que mostraram a ele algumas letras das bandas de “forró”, e Ariano exclamou: “Eita que é pior do que eu pensava”. Do que ele, e muito mais gente jamais imaginou.

Pruma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá: Calcinha no chão (Caviar com Rapadura), Zé Priquito (Duquinha), Fiel à putaria (Felipão Forró Moral), Chefe do puteiro (Aviões do forró), Mulher roleira (Saia Rodada), Mulher roleira a resposta (Forró Real), Chico Rola (Bonde do Forró), Banho de língua (Solteirões do Forró), Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal), Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada), Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca), Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró), Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.

Porém o culpado desta “desculhambação” não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de “forró”, parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado. Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético,. Pior, o glamur, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina “forró estilizado” continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem “rapariga na platéia”, alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção ?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é “É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!”, alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

José Flávio Vieira, Médico e Escritor

Fonte: Artigo Publicado no Blog do Crato





Mostra Cultural do Cariri no Rio de Janeiro

15 05 2008

     A exposição “O Cariri é Aqui”, da Associação dos Artesãos do Padre Cícero, de Juazeiro do Norte, foi aberta no dia 24 de abril e ficará aberta a visitação até o dia 23 de maio, no Espaço Furnas Cultural, localizado na Rual Real Grandeza, 219 – Botafogo – Rio de Janeiro.

     Estão sendo apresentadas dezenas de esculturas em madeira e cerâmica, divididas em três áreas: a floresta encantada (com os seres míticos que povoam o imaginário popular); o povo do Cariri (com as representações dos costumes dos habitantes desta região); e a força da fé (com obras que reportam à religiosidade dos fiéis de Juazeiro). Nomes consagrados da arte popular brasileira como Mestre Graciano Ferreira, Mestra Maria de Lourdes Cândido, Mestra Ciça e Mestre Chico da Zabumba estarão presentes na mostra.

     Todos os trabalhos da exposição “O Cariri é Aqui” são únicos e expressam com nitidez a total liberdade que seus criadores possuem pada dar formas às suas percepções, refletindo de maneira sincera a realidade que os cercam. Essa inédita mostra é resultado do apanhado de Marcos Antônio Teobaldo, curador da mostra que fotografou e filmou a rotina dos artistas da Associação de Artesãos do Padre Cícero, levando um pouco desse caldeirão cultural que é o Cariri.

Fonte: Folha de Juazeiro (adaptado)





Juazeiro sedia Encontro de Comércio Exterior

15 05 2008

    Juazeiro do Norte sedia nesta quinta-feira, no auditório o SEBRAE, o 125º Encomex – Encontros de Comércio Exterior, que é uma promoção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, através da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O objetivo é incetivar as micro, pequenas e médias empresas locais a exportarem seus produtos.

Joaseiro.com





Avança projeto de ampliação da licença-maternidade

15 05 2008

     O Projeto de Lei que dá incentivos fiscais para as empresas que prolongarem a licença-maternidade por mais 60 dias (além dos 120 obrigatórios atualmente) foi aprovado nesta quarta-feira na Comissão de Família e Seguridade Social da Câmara dos Deputados. Antes de ser aprovado em definitivo, o projeto ainda deve passar pela Comissão de Finanças e pela Comissão de Constituição e Justiça.

     A idealização do projeto, que foi apresentado pela senadora Patrícia Saboya (CE), é da Sociedade Brasileira de Pediatria. Sua aprovação é de extrema importância para a saúde das crianças brasileiras, já que o Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo pelo período de 6 meses. Os benefícios dessa alimentação são inquestionáveis: nutrição adequada das crianças, prevenção de doenças, criação de um vínculo psicoafetivo entre a mãe a criança, dentre muitos outros.

     Atualmente, com a volta ao trabalho em apenas 4 meses após o parto, as mães brasileiras não podem cumprir o período preconizado para o aleitamento materno exclusivo, o que força a introdução precoce e inadequada de novos alimentos.

Joaseiro.com