O Cariri ainda investe como celeiro do Ceará e reduto cultural de homens que sabem o que querem e como consegui-lo. É histórico. Em 1703, povoadores vindos da Casa da Torre, na Bahia, sensibilizaram-se com o abraço majestoso da serra do Araripe e aplicaram dinheiro em ´rotear´ suas terras e depois solicitaram do rei as sesmarias, como fizeram Antônio Mendes Lobato o Manoel Rodrigues Ariosa. Ali nasceu o Crato já revestido de encantos naturais e área propícia à agropecuária, ponto de apoio às primeiras famílias que implantariam uma sociedade de cultura portuguesa naquele recanto de Nordeste. Ali nascia o padre Cícero em 1844 e figuras mudancistas, inteligentes e revolucionárias. Continua assim. Dir-se-ia que o Seminário do Crato, inaugurado em 1873, seria o primeiro núcleo de ensino preparatório onde a juventude interiorana estudava o Latim, Grego, Italiano, Literatura Portuguesa e Teologia, de nível acadêmico para o sacerdócio, ou formando parte da intelectualidade cearense como semente para a futura Universidade Regional do Cariri. Crato abriu caminho ao desenvolvimento regional sem perder espaço na garantia de suas tradições econômicas e sociais, criando colégios e exibindo sua primeira exposição agropecuária, em 1944, na gestão do prefeito Wilson Gonçalves. Neste período, de julho de 2008, a Expo-Crato detém um parque expositivo agropecuário abrangendo participação de todo o Brasil, de grandes negócios, atraindo turistas que se encantam pelas atrações naturais, clubes recreativos, diversões, muita envolvência sócio-cultural e a hospitalidade dos cratenses. Restaurantes qualificados, shows musicais, realçando-se a elegância feminina e, nas palestras culturais, a lembrança do consagrado poeta popular cratense Zé de Matos, nos idos do século passado, quando improvisava: ´Na serra do Araripe, tem mangaba e tem pequi. Tem muita moça bonita e cabra bom no fuzi. Mas, em redor de quatro léguas, tem cabra fio duma égua que ainda nega um pequi´. Vale como refrigério ao corpo e à alma uma visita à Exposição do Crato, neste meado de julho, sobretudo pelo seu aparato antológico.
GERALDO MENEZES BARBOSA
Jornalista e escritor
Jornalista e escritor
Fonte: Diário do Nordeste
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