Ensaio sobre a Amnésia Coletiva

21 09 2008

PGR pede condenação de Fernando Collor

O ex-presidente enfrenta processo por peculato, corrupção passiva e falsidade ideológica

Brasília. O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, encaminhou parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a condenação do senador licenciado Fernando Collor de Mello (PTB-AL). O ex-presidente, 16 anos depois de passar pelo impeachment, enfrenta processo por peculato (desvio ou apropriação de recursos públicos), corrupção passiva e falsidade ideológica, por ações praticadas ainda durante o período em que ocupou o Palácio do Planalto, de 1990 a 1992.

Se todos os crimes forem confirmados, Fernando Collor pode pegar 25 anos de prisão. “A materialidade dos delitos está comprovada pelos depoimentos das testemunhas ouvidas durante a instrução, que confirmaram o pagamento de propina em troca de contratos com o Governo Federal e a abertura de contas fantasmas para movimentação dos recursos arrecadados”, diz o parecer do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, e da subprocuradora-geral, Cláudia Sampaio.

Outras sete pessoas são alvos do processo: Osvaldo Mero Sales, Almir Rodrigues Sales, Claudio Vieira, que era secretário particular do ex-presidente, o advogado Chucre Suaid, e os publicitários Éber Romão de Melo, Homero Pacheco Fernandes Júnior e José Heliton Farias de Vasconcelos.

O caso chegou ao STF em outubro do ano passado, após Collor ter sido eleito senador e, com isso, conquistado o direito ao foro privilegiado. O processo foi desmembrado: a parte referente aos outros investigados continuou a cargo da primeira instância. O julgamento ainda não tem data marcada.

De acordo com a denúncia, Collor e os demais réus recebiam propinas de empresários beneficiados por licitações públicas fraudulentas. O dinheiro era depositado em conta de “laranjas”, mas administradas pelos réus para pagar contas pessoais, faturas de cartões de crédito e pensões a filhos de relacionamentos extraconjugais.

Fernando Collor de Mello está afastado do Senado para se dedicar à campanha do filho Fernando James (PTB), candidato a prefeito de Rio Largo (cidade vizinha a Maceió), no Estado de Alagoas.

Comentário: porque um país sem memória dá nisso.

Fonte: Diário do Nordeste, 20/09.

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Música e Literatura de Qualidade na Rádio Padre Cícero

21 09 2008

Há que de 1 ano funciona na FM 104,9 MHz, Rádio Padre Cícero, o programa Tenda Literária com uma proposta única e exclusivamente compromissada com a educação, a boa música e a literatura da melhor qualidade. Apresentado por Ivan Nascimento, professor pós-graduado em Língua Portuguesa e radialista, o programa vai ao ar de Segunda a Sexta-Feira das 21 às 22h00 pela FM 104,9 de Juazeiro do Norte e região, ou ainda pela conexão virtual através do link: http://www.radiopadrecicero.org.br e o PODCAST do programa: http://tendaliteraria.mypodcast.com/

No blog do programa, além de um resumo da programação em cada dia, crônicas, assuntos literários e musicais, boas dicas do uso correto de nossa amada língua portuguesa. Anote aí o endereço ou simplesmente clique no link do blog, a saber: http://www.tendaliteraria.blogspot.com/

Aproveitem esta oportunidade única em nossa região!

Para não esquecer: De Segunda a Sexta-feira das 21 às 22h00.

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Manoel Monteiro e a função do Novo Cordel

21 09 2008

Em 20 de setembro último, foi dada voz a um dos mais produtivos poetas populares da atualidade: Manoel Monteiro, em entrevista ao Diário do Nordeste. Manoel é conhecido em todo o Brasil pela suas opiniões aferradas sobre a função do Novo Cordel: educar, informar e criticar. Diferentemente dos tradicionais, rejeita a poesia matuta por achá-la forçada e pretensiosa em suas inflexões nominais e verbais (“barrer”, “pru modi”, etc) com o mote de registrar o falar matuto, e também conserva em sua retórica e produção literária um tom crítico com que aborda sob novos olhares velhos estigmas dos cordelistas, a exemplo da exaltação às figuras de Lampião e Padre Cícero. Sobre eles, destaco trechos da entrevista concedida ao Diário do Nordeste:

Sobre Lampião e os Cangaceiros:

“Os mitos não são a minha praia. O meu cordel analisa a historia do ponto de vista real, comparando valores. Eu não acho que os cangaceiros são diferentes dos bandoleiros de hoje. Isso em todos os sentidos. Foram bandidos da mesma forma.”

Sobre o Padre Cícero:

“Padre Cícero merece da parte do meu cordel muito mais críticas do que elogios. Aliás, os historiadores também estão fazendo uma revisão da vida de Padre Cícero. O meu cordel não tem o hábito de criticar. Tem o hábito, sim, de ser construtivo. É pretensioso. Ao ponto de refazer a história do Brasil. Porque, geralmente, a história é contada pelo olhar do vencido e critica o vencedor. Padre Cícero aproveitou-se do suposto milagre da hóstia ensangüentada com o sangue de Cristo. Acho que o cordel não deve contar mais essa história. Isso seria perpetrar, endeusar, um mito. Impossível defender essa idéia nos dias de hoje. Procuro, com meu cordel, cumprir essa missão, ou seja, contar uma nova história. O cordelista de hoje tem a obrigação de ser crítico e não contribuir para a perpetuação de falsos mitos.”

“Foi um homem que deveria ter escolhido outra profissão. Os milagres de Padre Cícero só funcionavam quando seu partido político ganhava as eleições. O padre Cícero chegou…. Bem, acho que essa não deveria ser a nossa conversa, mas o que posso fazer, já que você é quem está dirigindo essa entrevista? Acho que Padre Cícero quando fez, por duas vezes, que Juazeiro deixasse de recolher impostos aos cofres nacionais, ficou do lado oposto da história. Não foi correto. Eu penso duas vezes antes de escrever um cordel. Quando vejo uma nação subjugando outra ou a guerra entre religiões mostro em meu cordel que esses ´fantasmas´ prejudicam demais a humanidade.”

Para conferir toda a Entrevista do Poeta Manoel Monteiro, intitulada Nem Lampião, Nem Pe. Cícero, clique no link a seguir: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=573673

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