Reitoria da UFC nas mãos de Juazeirense

28 10 2008

JUAZEIRENSE TOMA POSSE COMO REITOR DA UFC

O professor juazeirense, Jesualdo Farias, foi empossado ontem à noite no cargo de reitor da UFC (Universidade Federal do Ceará). Solenidade foi das mais participativas e ocorreu na Concha Acústica da Instituição de ensino superior no Bairro Benfica. Jesualdo nomeou Henri Campos como vice-reitor e apresentou a equipe que não tem muitas mudanças em relação a que estava trabalhando com o reitor em exercício Luís Carlos Saunders.

Cauby Tupinambá é o novo pró-reitor de Extensão e Paulo Antonio Albuquerque o novo procurador geral da universidade. Os Campus de Sobral e Juazeiro do Norte já contam também com novos diretores. Sérgio Benevides assumiu na “Princesa do Norte” e Ricardo Ness na “Terra do Padre Cícero”.

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Fonte: Revista do Beto Fernandes

A conversa acerca de uma futura Universidade Federal do Cariri foi objeto de muitos debates há que de alguns anos atrás. Por que não, com a oportunidade de um reitor oriundo da região, retrabalhar essas idéias e iniciar, por fim, um movimento de alunos e professores que consolidassem a nossa universidade? O cariri é tanto merecedor de uma universidade própria (além da URCA, uma expansão da UECE) quanto o tem mostrado o descaso do governo Estadual com a educação superior local (vide os 4 meses de greve na universidade).





Consultório do Dr. Mercado

28 10 2008

Essa noite eu tive um sonho de sonhador. Maluco que sou, eu sonhei.

 

Sonhei que estava numa sala. Uma sala irremediavelmente branca. Paredes brancas, móveis brancos, roupas brancas, se brincar, até a TV era branca. Tudo ipodianamente branco. No meio desse mundo de algodão, chamaram a minha atenção. Era uma atendente.

 

Perguntava esta criatura se era a primeira vez que eu tinha estado ali, e o que acontecia comigo. Verborragiei. Disse que sofria de pânico e alucinações. Os detalhes todos vieram à minha cabeça…

 

Logo me arremeteu o medo que eu tinha da apresentadora do telejornal vespertino e sua cara de catástrofe. Sua boca e sua expressão teimavam em repetir a sinfonia cacofônica “Dólar Dispara”. Em mim, taquicardia.

 

Num instante, sua fisionomia sem graça tomou a forma de um cineasta decadente. Ele tinha chifres, tridente e exalava um pesado cheiro de enxofre. Ao fundo, trombetas soavam alguma coisa como “nacionalização”. Nessa hora, a sudorese se descontrolou. A atendente perguntou se havia algo errado. Sacudi a cabeça energicamente. Quis saber se já podia sentar-me. Ela disse que sim. Iniciou-se então o sacramento consultorial de folhear revistas.

 

Para quê, meu Deus? A reportagem de capa trazia a Reunião do G-8. E Madonna. Custei a acreditar que Bono Vox não era mais a bola da vez em Davos. Suas súplicas pela África estavam “fora de moda”, dizia o editor. A new wave agora era a diva pop no conselho supremo intercedendo por ajuda aos oprimidos fundos de pensão. A legenda da foto: “Que será das velhinhas norte-americanas?” Sem trocadilhos.

 

Uma hora dessas e tudo meu estava tremendo. Ainda deu tempo ler sobre Sarkozy, o reformista implacável, o evangelista liberal do velho continente, falando em “refundar o capitalismo”! Fundo realmente deve ser a palavra da estação.

 

Uma boa senhora compadeceu-se de meu drama. Falou-me que às vezes também se sentia assim. Foi professora, e quando ouvia a palavra bilhões, entrava em colapso. Ralhava com os alunos, colocava-os para fora de sala, bradando que aquela era uma palavra que, na sua sala de aula, não podia ser dita. No seu tempo, este tipo de atitude receberia uma punição à altura. Bilhões e educação: nem rima tem! Ao final, notando meu transtorno, consentiu que eu lhe tomasse a vez.

 

Foi quando entrei na sala do médico. Limitou-se a me dizer que o que eu sofria era um drama mundial, coisa da globalização e da vida moderna. Sua filha passava pela mesma situação em casa. Receitou-me alguns capítulos de “O Monge e o Executivo” e duas sessões semanais de treinamento no CIEE. “Você deve tornar isso um hábito, sabe? Pelo menos até esse pessimismo passar.” Quando olhei de relance a tabuleta na parede, o diploma da Fundação Getúlio Vargas dizia: “Dr. Mercado”.

 

Maluco que sou, acordei…

 

John Heinz, 23, juazeirense nascido no Crato, é estudante de Direito

(UFPE, Recife).

heinzce@gmail.com