Texto do Leitor

4 11 2008

Carta de um Juazeirense um tanto quanto insatisfeito

 

Mesmo de longe, acompanhando diariamente as notícias via internet da terra do “Padim Ciço”, fico preocupado com a situação alarmante que vem se instalando nesse centro comercial, religioso, turístico e cultural. Sou estudante de Medicina da Universidade federal de Alagoas e há seis anos saí, temporariamente, da minha terrinha.

            Juazeiro do Norte a cada dia vem se mostrando uma cidade pequena estruturalmente. É incrível a falta de políticas eficazes para receber aqueles que sustentam a cidade – os Romeiros  – e para manter os habitantes e visitantes de todos os lugares do Brasil . A cidade é a mesma com 250 mil e com 800 mil habitantes. O centro da cidade se torna um emaranhado inconfundível de pessoas, carroças, camelôs e romeiros. Sem contar o calor esgotante, atrelado à falta d’água é claro.

            A segurança pública é uma piada. Somos a maior cidade do interior do Estado e, à disposição se encontram apenas duas viaturas que, como diz o poeta Pedro Bandeira, “na subida falta força e na descida falta freio”. O governo cearense nunca nos olhou com bons olhos, isso é fato. Mas não é argumento, pois temos deputados eleitos pela região, já tivemos um senador na última gestão, e acima de tudo, um curral eleitoral decisivo.

            A saúde é uma falácia. Não temos um hospital de urgência e emergência de qualidade. Dependemos da boa vontade dos municípios de Barbalha e Crato. Juazeiro possui somente 92 leitos para internação em estabelecimentos públicos, segundo o IBGE. Não dispõe de uma Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), presente em cidades de médio e grande porte. A saúde em Juazeiro está doente, agonizando e ninguém a salva. Mas como, se não tem onde interná-la?

            Falando um pouco da infra-estrutura, pergunto: que estrutura temos? A cidade se encontra abandonada. O trânsito crescente e caótico sem nenhuma ação do órgão municipal, que sem dúvida, já caiu no gosto popular, pois não se faz ações de fiscalização na cidade; e isso os motoristas e motoqueiros de Juazeiro adoram. Andar sem capacete e sem cinto é uma necessidade para essas pessoas, esquecendo que a vida é o principal. Foram distribuídos na cidade vários sinais de trânsito, como se isso fosse a solução. A cada tropeço, um sinal. O Centro de Apoio ao Romeiro está jogado, servindo apenas de morada para alguns cães e gatos e de poluição visual para quem vai em direção à Caririaçu.

            Não vou me alongar tanto nesse intróito texto. Ele representa a sensação de um juazeirense que por ora está estudando em outro Estado. Deixo aqui o meu protesto e pedido a todos, incluindo os políticos, que olhem com carinho a nossa cidade tão bela e sofrida. Aproveitando a inspiração do Dia de Finados e aconselho aos meus conterrâneos que “não morram” agora, pois só temos um rabecão que serve toda a região do Cariri, logo até os mortos sofrem. Grande abraço.

                                                              

  Júlio Onofre, Maceió-AL

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Papel da imprensa

4 11 2008

     Deixamos passar toda a fase de sensacionalismo que envolveu o chamado “Caso Eloá”, o seqüestro seguido de morte acontecido mês passado em Santo André – SP. Muito já se falou a respeito e não queremos nos repetir. No entanto, queremos questionar um aspecto específico, o papel da imprensa nesse caso. Veja o vídeo abaixo, em que apresentadores de um fútil e imprestável programa da Record pedem ao seqüestrador para dar um ‘xauzinho’ para as câmeras:

          Os apresentadores se gabam de terem conseguido uma entrevista e dizem que querem o sinal apenas para acalmar as famílias. Na verdade, claramente o que eles queriam era participar, interferir, ser protagonistas. Se acabasse tudo bem, eles diriam: “Olhe, bem que nós dissemos! Nós antecipamos em primeira mão, falamos com exclusividade (ô palavra nojenta!) com ele, nós já sabíamos, nós somos os melhores!”. Tudo o que queriam era audiência, prestígio!

     Agora vejam esse outro vídeo, com a quantidade de programas que entrevistou o seqüestrador (na verdade, ele falou com muito mais repórteres do que esse vídeo mostra):

     Cabe dizer que o seqüestrador tinha problemas mentais: estava nervoso, era passional, dizia que ia se matar, que a vida não fazia mais sentido, que não ia mais negociar nada, foi agressivo com suas reféns… Tudo isso demonstrava que a negociação era extremamente difícil e deveria ser conduzida por profissionais com muita experiência. A imprensa, em vez de não atrapalhar, o que fez? Interferiu, falou com ele diversas vezes (ele deve ter se sentido um verdadeiro popstar, todo poderoso), a ponto de fazê-lo desistir de se entregar.

     Claro que o caso envolve muitos, muitos outros aspectos. Mas, se analisarmos sob esse ponto de vista, não podemos isentar a imprensa de sua parcela de culpa na morte de Eloá Cristina. Enquanto isso, o apresentador babaca ainda tem coragem de abrir a boca pra dizer “Fomos 100% éticos”! Até quando a imprensa no Brasil vai se ocultar sob a cortina da “liberdade de expressão” para poder fazer o que bem entender?

      Para ver um artigo que fala do papel da mídia em outro caso de grande repercussão, clique aqui

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