Deixamos passar toda a fase de sensacionalismo que envolveu o chamado “Caso Eloá”, o seqüestro seguido de morte acontecido mês passado em Santo André – SP. Muito já se falou a respeito e não queremos nos repetir. No entanto, queremos questionar um aspecto específico, o papel da imprensa nesse caso. Veja o vídeo abaixo, em que apresentadores de um fútil e imprestável programa da Record pedem ao seqüestrador para dar um ‘xauzinho’ para as câmeras:
Os apresentadores se gabam de terem conseguido uma entrevista e dizem que querem o sinal apenas para acalmar as famílias. Na verdade, claramente o que eles queriam era participar, interferir, ser protagonistas. Se acabasse tudo bem, eles diriam: “Olhe, bem que nós dissemos! Nós antecipamos em primeira mão, falamos com exclusividade (ô palavra nojenta!) com ele, nós já sabíamos, nós somos os melhores!”. Tudo o que queriam era audiência, prestígio!
Agora vejam esse outro vídeo, com a quantidade de programas que entrevistou o seqüestrador (na verdade, ele falou com muito mais repórteres do que esse vídeo mostra):
Cabe dizer que o seqüestrador tinha problemas mentais: estava nervoso, era passional, dizia que ia se matar, que a vida não fazia mais sentido, que não ia mais negociar nada, foi agressivo com suas reféns… Tudo isso demonstrava que a negociação era extremamente difícil e deveria ser conduzida por profissionais com muita experiência. A imprensa, em vez de não atrapalhar, o que fez? Interferiu, falou com ele diversas vezes (ele deve ter se sentido um verdadeiro popstar, todo poderoso), a ponto de fazê-lo desistir de se entregar.
Claro que o caso envolve muitos, muitos outros aspectos. Mas, se analisarmos sob esse ponto de vista, não podemos isentar a imprensa de sua parcela de culpa na morte de Eloá Cristina. Enquanto isso, o apresentador babaca ainda tem coragem de abrir a boca pra dizer “Fomos 100% éticos”! Até quando a imprensa no Brasil vai se ocultar sob a cortina da “liberdade de expressão” para poder fazer o que bem entender?
Para ver um artigo que fala do papel da mídia em outro caso de grande repercussão, clique aqui
Joaseiro.com
Li detalhadamente a postagem, vi e ouvi o vídeo em que os o jornalista e apresentador (?) Britto Júnior e a modelo e apresentadora (?) Ana Hickman vão além da missão de informar, transformando-se em verdadeiros “Mães Dináh’s” , tentando adivinhar o desfecho do episódio (que furada por sinal).
“Ele vai se entregar a qualquer momento. Vamos ter a imagem dele saindo desse apartamento, da Eloá sendo liberdade e da Naiara também deixando esse apartamento”. Essas foram algumas das pérolas. “Ele está dizendo aqui para gente que não vai fazer mais nenhum ato impensado”. Como é que pode? Agora podre, podre mesmo, foi o pedido de um “sinal na janela” da apresentadora (?). O apresentador ainda dizia para auxiliar: “isso”, é uma “boa idéia”.
Concordo com vocês, embora seja comunicador e não “locutor de rádio”, que a mídia, muitas vezes, ou quase sempre, deixa o fato como matéria principal, para tornar o canal ou o apresentador que transmite o fato em destaque. Numa emissora de rádio local, determinado repórter foi noticiar a vinda do Governador para mais um teste do Trem do Cariri. O fato de terem ido de trem até o Crato e não terem enviado o meio de transporte para deixá-los de volta em Juazeiro, tendo que fazer parte do percurso a pé (o que é realmente um absurdo) até encontrarem um transporte coletivo, foi mais importante que o projeto. O próximo prefeito reivindica a ampliação do percurso em Juazeiro, indo até a Vila Pedrinhas e não apenas até a Vila Fátima como está no projeto. Na comitiva de Cid um técnico do Ministério das Cidades que veio avaliar o projeto e se pode ser copiado para outras regiões metropolitanas interioranas do país.
Mais detalhes na minha REVISTA.
Grande abraço em toda equipe. Vou abordar esse tema também por lá.