Espelhos

9 01 2009

Por Franzé Matos

No espelho que nos vemos
Nunca nos reconhecemos
Pois nestas figuras decrépitas que percebemos
Nem de longe são as imagens complexas e difusas
Do que realmente somos

Vemos nossa imagem através de pressupostos
De interpretações que nos sublimam as noções
E naquelas formas projetadas que nos aparecem
São frutos das imaginações
Do acúmulo de percepções e interpretações
Que formam as projeções da figura que se expõe

O ser é pensamento, o ser não é imagem
Imagens, cor, som são tentações
Que nos levam a alçapões de obscuridades
Se assim o desejarmos

Se pensamos que somos corpos animados
Visivelmente incrustados de falsos baluartes
Prosseguiremos e mataremos em todos os milionésimos momentos o verdadeiro esplendor do nosso ser
Que é pensamento

O corpo não sente nada
Nunca tocamos em nada
Pois em campos magnéticos
De causas e efeitos em repulsões e atrações
É que o mundo empírico se mostra
Muitas vezes entendido de maneira torta
E desprezamos o pensar sem nem tentar conceituar
O mais fundamental “o que sou eu?”

Não somos imagens em espelhos
Somos amalgamas de pensamento
E todo esse excremento que nos mandam pensar
É nosso dever duvidar
E buscar na mais simples dúvida uma certeza
E vislumbrar com clareza a base de onde
A partir daí a tudo, novamente, devemos questionar.

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