Todos no mesmo balaio de gato
A poluição sonora em Juazeiro é tão frequente que chega a se tornar natural. Vizinhos não respeitam vizinhos e escutam seus cds no mais alto volume. Frequentadores de bares, restaurantes, ou quem está fazendo uma comemoração em casa mesmo se acham no direito de abrir a traseira do carro, derrubar várias caixas de som no chão pra que o quarteirão todo ouça (e trema também) o que chamam de “música”, em geral de péssimo gosto. Mesmo se não fosse, que fosse a melhor música do mundo, ainda assim não teriam o direito de subir o volume do seu som, pois os que estão ao redor não são obrigados a escutar nada que não queiram. Em geral, essas pessoas que fazem a perigosa mistura álcool, direção e som alto não respeitam as escolas, faculdades, igrejas, templos, hospitais, postos de saúde, etc. Some-se a isso a falta de fiscalização e o caos está instalado.
Porém, os religiosos muitas vezes perdem a noção (e a razão) e baixam o nível a ponto se igualarem aos que cometem os atentados à boa convivência em sociedade. Referimo-nos às igrejas e templos que não restringem o som de suas solenidades aos seus limites físicos, àquelas pessoas que estão participando, e espalham seus sons por todo o bairro. É conhecida a prática de algumas igrejas protestantes, cujos pastores gritam muito (e desnecessariamente) nas suas pregações e ainda pedem pra que os fiéis repitam os gritos todos juntos. Em outras cidades do país, vizinhos incomodados afixaram faixas em frente a templos com os dizeres: “Falem Baixo! Deus não é surdo!”. E é verdade, a fé não é diretamente proporcional ao volume…
As igrejas católicas também não podem ficar imunes a essas críticas que fazemos. Pra citar um exemplo prático, a igreja do Bairro Franciscano (Santuário de São Francisco), em todas as comemorações religiosas especiais, além de expandir o som das celebrações para a parte externa, toca seu sistema de sinos em um volume altíssimo. Alguém pode argumentar que essa é uma tradição bonita, que remonta às pequenas cidades do interior, que chama a comunidade para se reunir, etc. Tudo bem, mas fazer isso às 5 horas da manhã, quando o sol ainda nem nasceu? Todo dia, inclusive sábados, domingos e feriados? Acordando crianças, idosos, doentes que moram ao redor da igreja? Que falta de bom-senso, senhores frades!
É preciso aprender a respeitar as diferenças: quem não é católico não quer ouvir as celebrações nem o toque dos sinos, e tem tal direito, mesmo que more em frente à igreja. E quem é católico, se quiser, tem o direito de descansar e ir à missa em outro horário durante o dia ou à noite, e terminar de dormir seu sono tranquilamente no fim da madrugada e início da manhã. É preciso que os padres, pastores e demais religiosos tenham mais bom-senso, senão não poderão nem reclamar dos forrozeiros que atrapalham as suas celebrações, pois estão adotando em essência a mesma prática condenável do ponto de vista da boa convivência em sociedade. Os atos religiosos merecem respeito, não podem ser atrapalhados. Mas também devem respeitar e não podem atrapalhar!
Joaseiro.com
Diga-se de passagem…..essa foto ai do Franciscano é bem novinha.
E viva o bom senso e a boa convivência