Cenas dignas da Idade Média são vistas no Frigorífico Industrial de Juazeiro do Norte, em dias de abate de animais
Juazeiro do Norte. O Frigorífico Industrial do Cariri, neste município, mesmo com uma situação precária, continua em funcionamento. Irregularidades podem ser detectadas facilmente no local. Animais estão sendo sacrificados a golpes de marretadas, por conta do equipamento, a pistola pneumática, estar com defeito. Além disso, o prédio necessita de uma ampla reforma, as instalações elétrica e hidráulica também. A câmara fria está parada, além de outros problemas. A Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Serviços Públicos de Juazeiro irá solicitar um laudo técnico da Vigilância Sanitária nos próximos dias. O próprio secretário da pasta, Eraldo Oliveira, admite que, por ele, o frigorífico fecharia.
Mas o problema seria maior, por ser o único da região, mesmo sem condições adequadas de funcionamento. A recomendação do Ministério Público do Estado é pelo fechamento de matadouros sem condições de funcionar. Hoje, são cerca de 1.700 bovinos abatidos por mês, cerca de 500 da cidade do Crato. São as duas maiores cidades da região que dependem dos serviços do frigorífico. Caso pare, segundo o secretário, será um colapso no abastecimento de carne. E o gerente Francisco Alberto da Costa vai mais longe, ao admitir que ninguém iria controlar o abate de animais na “moita”, ou seja, de forma clandestina, como acontece com suínos. Apenas 5% dos porcos comercializados no município passam pelo frigorífico. Outro problema seria um índice alto de desemprego. Boiadeiros e marchantes ficariam sem condições de sobreviver por falta de trabalho.
O problema do frigorífico de Juazeiro do Norte se arrasta há muitos anos. O prédio foi construído há 30 anos e jamais passou por uma reforma. São situações remediadas a cada administração. Mas a perspectiva dos administradores é tornar o frigorífico modelo no Estado. E para isso, o diretor Cícero Duda Maciel, há poucos dias no cargo, disse que falta pouco, pois os equipamentos já existentes precisam de manutenção. A necessidade de investimento imediato para colocar o local em boas condições de funcionamento, atendendo todas as normas técnicas e sanitárias, é de R$ 150 mil. (…)
O processo de terceirização, iniciado na administração anterior, foi suspenso. São 47 funcionários concursados que trabalham no local. Seriam necessários mais oito para completar o quadro. A receita, antes movimentada pelos próprios administradores, agora passa por sistema bancário da administração. O secretário Eraldo Oliveira afirma que toda a arrecadação passa a partir de agora por Documento de Arrecadação Municipal (DAM). “Agora realmente estamos vendo como é o processo de arrecadação. Antes o sistema não tinha um controle correto”, diz.
São instalações antigas, passarelas de ferro corroídas pela ferrugem. O local é um ambiente fétido e sem higiene.
A matança dos animais remete à Idade Média. Os golpes de marreta são para acabar de matar os animais de maior porte, já que o equipamento está com defeito. A coordenação afirma que, em breve, o equipamento passará por conserto. A pistola chega a custar pouco mais de R$ 5 mil.
ELIZÂNGELA SANTOS
Fonte: Diário do Nordeste
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