Saiu por aí…

25 02 2009

     “É impossível não me identificar. Olho pra ele e me vejo” – declaração do cantor e (supostamente) ator Daniel, a respeito de um cavalo com quem contracena nas filmagens do longa “Menino da Porteira”.

     É… Realmente, se formos analisar a parte intelectual, então! A identificação é notória…

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No Ceará também é assim

21 02 2009

Pernambuco tem festival internacional de jazz e blues até segunda, e de graça

“Em meio ao Agreste pernambucano haverá, neste feriado, uma alternativa e tanto para quem desejar fugir dos costumes de carnaval. Nada de blocos, axé ou desfiles de escolas de samba. Em Garanhuns (PE), vão dominar os sons requintados do jazz e blues. O Garanhuns Jazz Festival começa hoje e segue até segunda-feira com uma programação cheia de nomes internacionais para os interessados em boa música.”

Fonte: Jornal da Paraíba

Sem querer ser ufanista, mas Guaramiranga já faz um festival com Jazz e Blues há que de 5 anos. Nada contra o de Garanhuns. Aliás, que iniciativas como esta se repitam mais e mais para exilar os não-foliões em não-carnavais absolutamente agradáveis. Entretanto, valorizando o que é da terra, e repetindo a famosa estrofe do Trio Iraquitan: No ceará (também) é assim.

Web site do Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga: http://www.jazzeblues.com.br

Prefeitura de Guaramiranga – CE: http://www.guaramiranga.ce.gov.br

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Quantos milhões de empregos prometidos?

21 02 2009

Lula sabia de demissões na Embraer desde segunda-feira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia desde segunda-feira (16) que a Embraer anunciaria uma grande demissão no seu quadro de pessoal, revela Leonardo Souza e Kennedy Alencar em reportagem da Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Nesta quinta-feira (19), quando a empresa de aviação oficializou o corte de 4.200 funcionários, Lula se disse indignado com as demissões e comunicou que convocaria uma reunião com ministros para tentar reverter as demissões.

As demissões na Embraer foram antecipadas pelo presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo.

Segundo Coutinho, a Embraer depende muito do mercado externo e se encontra em situação complicada por conta da crise internacional. No encontro, ele ressaltou que haveria “expressivas demissões”. Na própria segunda-feira, Coutinho informou a Lula sobre as demissões na Embraer.

Procurado pela Folha, o BNDES, por meio da assessoria, disse que Coutinho não se manifestaria sobre o assunto. O Palácio do Planalto também não se manifestou sobre o caso.

Efeitos da crise

A Embraer demitiu na quinta cerca de 4.200 funcionários –o equivalente a aproximadamente 20% do efetivo de 21.362 empregados. A direção da empresa justificou que a decisão era resultado das dificuldades decorrentes da crise financeira internacional.

A Embraer também revisou suas estimativas para 2009. A empresa calcula entregar 242 aeronaves no período (ante 270 na previsão anterior), com uma receita prevista de US$ 5,5 bilhões (ante US$ 6,3 bilhões). Por conta da redução da estimativa de receita, a empresa refez sua previsão de investimentos para US$ 350 milhões neste ano (ante R$ 450 milhões).

A Força Sindical e o Conlutas, em conjunto com os sindicatos dos metalúrgicos de São José dos Campos, Botucatu e Gavião Peixoto, irão entrar na Justiça contra as demissões na Embraer, por considerá-las ilegais. Para os sindicalistas, a dispensa “aconteceu de forma unilateral, sem abertura de negociação com os legítimos representantes dos trabalhadores.”

Lula deve se encontrar nesta semana com diretores da Embraer para conversar sobre o motivo das demissões na empresa.

Fonte: www.Folha.com.br

Impossível deixar de lembrar da promessa do nosso presidente para as prévias presidenciais de 2006: 10 milhões de empregos. Como a água e as crises naturais, os donos agora exigem reembolso – ou vaporação.





Asfaltamento

21 02 2009

     Estão a asfaltar a Avenida Castelo Branco, o que há muito tempo era necessário. Não se sabe como deixaram uma via importante daquelas, que está na entrada da cidade e dá acesso a muitos de seus bairros, chegar à situação deplorável em que se encontrava, com um buraco fundo a cada 10 metros. Esperamos que não cometam dois erros frequentes nesse tipo de obra aqui em Juazeiro: 1) usar material de qualidade ruim, que se desfaz na primeira chuva mais forte e 2) asfaltar e demorar para refazer a sinalização. Esperamos também que outras ruas importantes da cidade sejam recuperadas.

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Performance Poética

19 02 2009

performance-poetica





Somente a realidade que me afeta

18 02 2009

Por Franzé Matos

Somente a realidade que me afeta

Anima meus sentidos

Projetando ondas de sentidos

Que se transformam em noções

A que nossa essência assiste

Que sendo separada desse mundo fenomênico

Precede à própria existência humana

Mas sem padecer de determinismos

Pois podemos através da razão

Descobrir padrões no caos fenomênico

E nos limites das coisas é que poderemos buscar estradas

Que nos possibilitem ressignificar toda jornada

Pois nos  limites das manifestações

Produzem-se as notícias do que pode ser entendido

Depois do limite. O que resta é especulação

E sobre essa abstração nada poderemos afirmar

Por estarmos subordinados a conhecer o mundo pelos sentidos

Somos coagidos a todo momento nosso conhecimento ressignificar

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Fortaleza terá Carta Acústica

18 02 2009
Fortaleza será a primeira cidade do país a ter uma Carta Acústica, segundo informou a vereadora Eliane Novais (PSB), ontem pela manhã, durante pronunciamento na Câmara Municipal de Fortaleza (CMF). De acordo com a parlamentar, a Prefeitura convidou o engenheiro português J. L. Bento Coelho para subsidiar a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam) na elaboração do diagnóstico de ruídos da capital cearense. ´Com a carta podemos nos preparar melhor para receber os futuros empreendimentos, além de tornarmos Fortaleza uma cidade mais pacífica para os cidadãos´, pontuou a legisladora.

Eliane informou também que o engenheiro Bento Coelho está na Capital cearense desde o início desta semana medindo o volume dos ruídos em vários pontos da cidade. O objetivo é capacitar 18 técnicos da Semam e demonstrar como utilizar essa amostragem de ruídos em um programa de computador. O software faz um mapeamento dos sons emitidos. Tal levantamento, posteriormente, será utilizado como subsídio técnico da Carta Acústica.

Subsídios

(…)
Ainda de acordo com Eliane Novais, quando estiver pronta, a Carta Acústica será o instrumento técnico que subsidiará as políticas públicas de controle da poluição sonora em Fortaleza. O estudo indicará exatamente onde existe a maior concentração de ruídos e quais atividades contribuem para isso. A partir dos dados levantados, será possível disciplinar a localização de novos empreendimentos; horários de funcionamento de estabelecimentos ruidosos; até mesmo as construção de vias de trânsito da cidade devem ser influenciadas. ´Vai melhorar a qualidade de vida das pessoas´, afirmou a parlamentar.(…)

Fonte: Diário do Nordeste
Comentário: Alô, alô, Câmara de Juazeiro do Norte! Bora invejar a idéia?




Prefeitura do Crato garante terreno para Agronomia/UFC

18 02 2009

O Reitor Jesualdo Pereira Farias ouviu do Prefeito do Crato, Samuel Araripe, a garantia de que, ainda este mês, dará início aos trabalhos de arruamento e de infraestrutura necessária para que o terreno onde será construída a sede do Curso de Agronomia receba água e energia elétrica.

O terreno de 16 hectares, localizado no bairro de Muriti, foi doado pela Prefeitura à Universidade Federal do Ceará, em 2006, mas até agora não tinha recebido nenhuma intervenção.

As providências necessárias à ocupação do terreno foram discutidas durante encontro entre o Prof. Jesualdo Farias, o Vice-Reitor Henry Campos, o Diretor do Campus da UFC no Cariri, Prof. Ricardo Ness, e o Prefeito Samuel Araripe.

Os recursos financeiros para a construção da sede do Curso de Agronomia já estão empenhados, informou o Prof. Jesualdo, que pediu, também, fosse feito  um trabalho de terraplenagem na frente do terreno para melhorar o acesso. Os dirigentes da UFC saíram otimistas do encontro, na certeza de que a Prefeitura cumprirá a sua parte.

Fonte: Prof. Ricardo Ness, Diretor do Campus da UFC

Retirado do Site da UFC





Mudanças necessárias na atenção básica à saúde de Juazeiro

17 02 2009

     Semana passada, Beto Fernandes, do Blog do Juazeiro, entrevistou no seu Jornal Progresso o secretário de Saúde de Juazeiro do Norte, Giovani Sampaio, e, segundo ele, foi informada a normatização do funcionamento dos Postos de Saúde da Família (PSFs): agora eles funcionam de 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30, e cada médico tem de fazer no mínimo 40 atendimentos por dia. Em forma de comentário para o blog, teci algumas críticas a respeito desta última decisão e falei de algumas melhorias que precisam ainda serem implementadas. Reproduzo, com algumas modificações, o comentário que fiz:

Acho correta a disciplina no horário de funcionamento dos postos. No entanto, discordo que deva haver aquele número mínimo de atendimentos por dia (antes, havia o mínimo de 32, eram 16 por cada turno, o que dava uma boa média de 15 minutos para cada consulta). Aquela velha história: quando se prioriza a quantidade, facilmente se deixa de lado a qualidade. Há grupos de pacientes a serem atendidos que demandam mais tempo, um cuidado maior (crianças, gestantes, idosos, etc). Obrigar a fazer um determinado número de atendimentos por dia pode limitar a qualidade do atendimento. Em vez de colocar como meta um número de atendimentos diários, outras formas de metas poderiam ser implantadas: um número mínimo de consultas de pré-natal para cada gestante, um número mínimo de consultas para crianças com idade de zero a 2 anos de idade, um número mínimo de consultas anuais para pacientes com doenças crônicas (hipertensos, diabéticos, etc). Isso garantiria a qualidade do atendimento aos que mais precisam.

Além disso, deve-se salientar que uma das razões de os postos hoje em dia funcionarem precariamente é a falta de estímulo para os profissionais de saúde, principalmente do ponto de vista salarial. Como o salário é baixo (compare-os com outras cidades menores ao redor de Juazeiro), os profissionais acabam indo ao PSF, trabalhando apenas uma parte do tempo e depois vão para outro emprego (hospital, consultório, etc). Isto não é uma prática correta. Precisamos, no entanto, que nossos profissionais sejam mais bem remunerados, até para exigir mais deles. Assim, eles poderão se dedicar melhor ao seu emprego no posto, sem precisar trabalhar em outro locais para ganhar mais dinheiro.

Outra medida importante seria melhorar a estrutura física dos postos: eles precisam ser lugares agradáveis e funcionais para os profissionais e para os pacientes. Precisam de bons banheiros, copa, boas cadeiras, mesas, armários, ventiladores, aparelhos de ar-condicionados, medicação, balança etc. Alguns dos nossos postos são bons, em outros falta muita coisa. Alguns postos são apenas casas que foram semi-adaptadas para servir de posto de saúde.

Bem, são algumas medidas que pouco a pouco podem ser implantadas e vão ajudando nosso sistema de saúde a melhorar.

Sávio Samuel – Estudante de Medicina da UFC-Cariri
Para o Joaseiro.com





Ligeira comparação entre o público e o privado

16 02 2009

     Duas grandes obras que chamam a atenção no Cariri atualmente: o Hospital Regional do Cariri e o Supermercado Carrefour.

     O Hospital foi promessa de campanha do governador Cid Gomes (mandato que já passou da metade); passaram um tempão pra escolher o terreno, outro tempão pra licitação. Outdoors, dinheiro gasto com banda de forró (quantos equipamentos hospitalares não daria pra comprar com o cachê), discursos, etc e nada ainda do primeiro alicerce.

    Enquanto isso, a obra do Carrefour começou há poucos dias e cresce assustadoramente. Assustadoramente porque ninguém nunca viu uma obra tão rápida aqui no Cariri. Uma estrutura enorme, homens trabalhando dia e noite pra erguer o prédio que já vai começando a tomar suas feições.

     Não dá pra não perguntar: por que as coisas no serviço público são tão morosas? Que tipo de vício se estabeleceu na sociedade brasileira que faz todo mundo achar isso normal (a demora numa obra pública)?

    [ Há quem diga que o que dá mais trabalho pra conseguir dura mais e é mais valorizado. Será?]

Joaseiro.com





Crônica de um hospital mais que anunciado

15 02 2009

     Cid Gomes veio na última semana ao Cariri pra assinar a ordem de construção do nosso Hospital Regional, depois de mais um ano de terem escolhido o terreno pra tal fim. Aqueles outdoors prometendo UTI, salas de cirurgia, médicos, enfim, saúde pro povo do Cariri, permaneciam incólumes e solitários na paisagem vazia que avizinha o Ginásio Poliesportivo. Por último, com as chuvas, ganharam a companhia do mato, que cresceu bastante por lá. Porém, até então não havia nenhum sinal de trabalho, nenhum tijolo, nada que mostrasse início das obras. Naqueles dias em que ventou bastante por aqui e muitas placas caíram, os outdoors do HRC também foram danificados.

     Semana passada, no entanto, a paisagem mudou: homens capinando o terreno, consertando os outdoors, montando o palco pra Aviões do Forró, a atração principal da noite, e Cid Gomes e seu séquito, os coadjuvantes (ou alguém ali na multidão foi pra ver Cid, deputados e prefeitos com aqueles discursos óbvios?). No outro dia, homens desmontam o palco. Os outdoors permanecem, incólumes e solitários. O mato não quis crescer.

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Absurdo! Tributaram o direito de ir e vir na Rodoviária de Juazeiro do Norte

14 02 2009

     Pois bem, um dos legados que a administração Raimundo Macêdo nos deixou foi a terceirização da Rodoviária de Juazeiro. E uma das medidas adotadas pela empresa que agora administra aquele terminal foi a introdução de uma taxa de 50 centavos para cada acompanhante que desce com o passageiro até a plataforma. Ora, se você descer apenas para ajudar seu parente a deixar as malas e dar um “tchau” terá de pagar 50 centavos. Qual a justificativa? A empresa tem essa prerrogativa? Para onde vai o dinheiro arrecadado com a nova taxa? Ela é legal?

     Alguém pode dizer: “mas é tão pouco!” Porém, o fluxo de pessoas ali é grande e certamente a quantidade de dinheiro arrecadado também será. Além disso, o que importa não é o valor (que depois pode aumentar) e sim o fato de estarem cobrando. A população não pode aceitar passivamente mais uma taxa sem justificativa.

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Ri-di-chulus XXXIII

14 02 2009

     Depois de terem colocado pra fora da Corregedoria da Câmara aquele deputado do castelo que não foi declarado no imposto de renda, adivinhem quem foi o substituto escolhido? ACM Neto…

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O retrato de uma civilização

14 02 2009

Penas chinesas

By José Saramago, 12/02/2009.

Meter uma lagosta viva em água a ferver e cozinhá-la ali é uma velha prática culinária no mundo ocidental. Parece que se a lagosta já for morta para o banho, o sabor final será diferente, para pior. Há também quem diga que a rubicunda cor vermelha com que o crustáceo sai da panela se deve justamente à altíssima temperatura da água. Não sei, falo por ouvir dizer, sou incapaz de estrelar convenientemente um ovo. Um dia vi num documentário como alimentam os frangos, como os matam e destroçam, e pouco me faltou para vomitar. E outro dia, que não se me apagou da memória, li numa revista um artigo sobre a utilidade dos coelhos nas fábricas de cosméticos, ficando a saber que as provas sobre qualquer possível irritação causada pelos ingredientes dos champús se fazem por aplicação directa nos olhos desses animais, segundo o estilo do negregado Dr. Morte, que injectava petróleo no coração das suas vítimas. Agora, uma curta notícia aparecida nos jornais informa-me de que, na China, as penas de aves destinadas a recheio de almofadas de dormir são arrancadas assim mesmo, ao vivo, depois limpas, desinfectadas e exportadas para delícia das sociedades civilizadas que sabem o que é bom e está na moda. Não comento, não vale a pena, estas penas bastam.

Fonte: http://caderno.josesaramago.org/

***

Mais informações aos interessados no tema, clique abaixo, nos links para cada um dos textos:

Biocentrismo: uma sucinta definição (texto bem curto, para uma definição rápida e resumida)

Antropocentrismo, Biocentrismo e Direitos Animais (texto maior, um artigo jornalístico sobre o tema)

Sobre uma ética da vida: o Biocentrismo moral e a noção de Bio-respeito em ética ambiental (tese de Doutorado em Filosofia)

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Terceirizar moradores de rua? Não é possível

13 02 2009

Terceirizar moradores de rua? Não é possível

Por Pedro do Coutto (Tribuna da Imprensa)


Reportagem de Cristiane de Cássia, publicada com grande destaque no “Globo” de 11 de fevereiro, revela que o prefeito Eduardo Paes está pretendendo incluir um dispositivo nos contratos de terceirização de trabalho temporário que obrigue as empresas a contratar dez por cento de albergados e moradores de rua. Não é possível. Não é assim que se retira (e atende) a população de rua.

É plenamente compreensível, portanto, a reação das empresas que operam nesse setor trabalhista. O problema dos que vivem ao relento é extremamente complexo. Isso porque as causas da desagregação são múltiplas. Uma delas a doença.

Que pode ser tanto mental quanto física, contagiosa ou não, havendo casos de duplicidade. Pessoas que habitam as ruas necessitam cuidados mais que especiais. Uma parcela vive de esmolas, pois sempre aparece quem as deem. Caso contrário, os mendigos teriam morrido de fome. Retirá-los das ruas significa cortar a receita de seu sustento. A Prefeitura teria, assim, que providenciar a alimentação.

Não só o alimento, como a albergagem, ao lado de cuidados sanitários e médicos. A perda da referência social constitui um processo fortemente crítico que inclusive tem desafiado os governos das grandes metrópoles de todo o mundo. Ainda não se encontrou uma solução. Tanto assim que existem mendigos e moradores de rua em Nova York, Paris, Londres, entre outras capitais.

Isso de um lado. De outro, lançar uma ponte entre a desagregação e o mercado de trabalho, num lance isolado, é concretamente impossível. Há casos até em que pessoas, num dia, aceitam trabalhar, mas no outro, desistem.

Acompanhei de perto exemplos assim quando fui diretor da então Legião Brasileira de Assistência que não existe mais. A LBA, como projetou o ex-presidente da entidade, Luis Fernando da Silva Pinto, se propunha a ser, em relação à pobreza, um modelo algo semelhante ao que o BNDE desempenhava, desde 52, quando foi criado no governo Vargas, para a economia. Só que o BNDE (não o BNDES) atuava no mercado econômico.

A LBA operava no antimercado da sociedade. Era, como definiu na época o senador Afonso Arinos, uma obrigação que o estado se investia para consigo mesmo no sentido de ir ao encontro dos que perderam o rumo e até o sentido da existência. Como se constata, algo profundamente complexo. Não exige apenas uma técnica, porém um conjunto delas.

Obriga a realização de ações simultâneas convergindo para o plano da reabilitação humana. Reabilitar pressupõe, por princípio, algo destinado a substituir a perda da própria habilitação. Como, assim, pessoas que perderam a habilitação e subvivem nas ruas do Rio poderão, de uma semana para outra, reencontrar aptidões, interesses, empenho e rumos na vida.

Há, como disse há pouco, casos em que aqueles a quem um emprego é oferecido aceitam a tarefa, mas terminam não mantendo afinidade com a própria atitude que assumiram. E que dizer do alcoolismo? Muito frequente e presente na marginalização social. No descompasso humano, na formação de redemoinhos que conduzem seres à perda da autoestima e do compromisso com a própria sobrevivência.

As empresas de terceirização têm razão em reagir à ideia. Pois além do mais a iniciativa da Prefeitura do Rio seria uma flagrante intervenção no contrato social. As empresas, no caso, em vez de selecionarem pessoas por sua qualificação, passariam a escolhê-las exatamente pela desqualificação, o extremo oposto. Os reflexos seriam negativos para toda a cidade.

Não é por esse caminho que se enfrenta o desafio social e humano.

Fonte: Tribuna da Imprensa.





Dom Hélder Câmara, 100 anos de nascimento

10 02 2009

Dom Hélder Câmara, 100 anos de nascimento, uma década de Saudade e Ostracismo

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Neste dia 7 de fevereiro comemoramos (ou pelos menos deveríamos ter comemorado) o Centenário de nascimento do imortal homem do Bem – D. Hélder Câmara. Decerto, a maior figura que o nosso Ceará já projetara para o Brasil e o mundo. Um homem singular. Um nordestino que compreendeu sofrendo a dura linguagem da dor com que os sertanejos(quase sem exceção) aprenderam a duras penas, a sobreviver confiantes na misericórdia de Deus. Por isso fez da sua própria vida um sacerdócio em favor dos pobres, miseráveis e oprimidos do Nordeste, do Brasil e do Mundo. Simplesmente porque para ele, nenhuma fronteira existe para os que sofrem as injustiças em qualquer parte do planeta. Por sua luta, também se tornara um perseguido pelos asseclas da ignorância e do poder.

D. Hélder teve o poder que o animava, mas nunca se fez um homem do poder. Foi padre, foi Bispo de Olinda-PE. Como um homem de Deus e de coragem não vacilou nem por um instante, naquilo que decidiu empreender em favor dos desfavorecidos da sorte e da guerra social. Ao seu modo, procurou dá a única arma que dispunha aos que precisam manter-se vivo diante da dura faina da sobrevivência – a fome de justiça e a consciência de que a conquista seriam imperativos dos que lutam e fazem com que as coisas e o bem aconteçam para todos. O crucifixo ao peito era seu escudo. Ao contrário de muitos, nunca compartilhou com a idéia e, tampouco com o discurso de que a pobreza e o sofrimento existiam porque Deus os queria. A riqueza material assim como a miséria absoluta eram produtos unicamente da esperteza dos homens. E por sua vez não constituíam realidades imutáveis. Seus assistidos compreenderam isso.

Por sua estreita dedicação aos pobres, fora certa feita, igualmente acusado de comunista. E a partir daquele momento, também sofreu na pele a perseguição e a covardia dos poderosos. Dos que, invés de Deus no coração mantinham o desejo de poder. Porém, nada disso o afastou dos oprimidos. Muito pelo contrário – juntou-se a eles. Ou mais, fez-se o tempo todo um deles…

Enquanto sacerdote de Roma conseguiu fazer da religião que o animava e professava, um verdadeiro instrumento de Deus, por meio do qual seria possível transformar a vida para melhor através da solidariedade, da justiça, da educação e da verdade. Desta maneira fizera cumprir como nunca, a assertiva cristã da divisão efetiva do pão e do amor com os que deles necessitavam, sobretudo os desgraçados dos sertões e os perseguidos do asfalto, por quem sobreviver apenas mais um dia no mundo-cão já era um grande milagre.

Dom Hélder foi um autêntico jardineiro do bem e da justiça social… Por isso é inconcebível que hoje, justamente na data do seu centenário, quase ninguém e quase nada seja visto à guisa de lembrança, no nosso meio, sobretudo nas igrejas, nos estratos do poder, nas escolas e, tampouco na imprensa. É como se o nosso conterrâneo ainda estivesse por algum motivo sendo perseguido, por esta que é seguramente, a pior forma de degredo e de exílio, que é o ostracismo e o esquecimento quase total. Sabia que tínhamos memória curta, mas não tanto para esquecer D. Hélder. Será que alguém se esquecer tão rápido assim dos BBB’s da vida, do tri-campeonato, do Pelé, das novelas das oito, da musicazinha apelativa de sucesso, das bundas rebolantes, da Carla Perez, do livro fraquinho do Paulo Coelho?! e por aí vai…

Mas, nosso irmão do bem é de fato inesquecível. Porque o seu exemplo de coragem, entrega, amor, desprendimento e dedicação aos oprimidos não morre nunca. O futuro a partir de hoje, já começa a provar que D. Hélder foi e será para o todo e sempre, um homem póstumo. Nós é que ainda estamos atrasados rememorá-lo. Por isso viverá para sempre naqueles que nunca perderam a esperança, a ousadia e a capacidade de lutar pelo que consideram justo e necessário à concretização dos seus sonhos.

Arrisco-me a dizer que as nossas utopias mais gritantes daqui para frente terão a marca e o próprio nome do velho homem do bem: D. Hélder Câmara. Graças a Deus!

Uma maldade saber-se que na véspera do seu centenário um prédio público(TRT de Fortaleza) do nosso Ceará tenha quase retirado (seu nome) como antiga homenagem a D.Hélder – um símbolo da luta contra a ditadura e uma vez até concorrente ao prêmio Nobel da Paz.

Mas, a memória de D. Hélder permanecerá como uma rocha plantada no meio da caatinga do Ceará e do próprio Nordeste desafiando as inclemências do sol, assim como a sequidão das pessoas e a solidão do poder. Porque todo o resto, D.Hélder estará lá de cima intercedendo por nós ao lado de Deus. Posto que suas palavras ainda ecoam aos ouvidos dos que têm ouvidos para ouvir e dias para sonhar todas as utopias de viver.

Um pouco de D. Hélder viverá para sempre em cada um de nós, que não desistimos de acreditar numa vida possível: mais fraterna, prazerosa, igualitária, harmoniosa, solidária e de justiça social para todos.

Mesmo sabendo que poucos são ainda ao que conseguem rebuscar no fundo da memória esta lembrança. Por que aqui no Brasil é assim.

Existe uma verdadeira cultura que instiga e apregoa aquilo que denominamos de “memória do esquecimento”. Somos por natureza psicológica, eternos e inveterados ‘esquecedores’. Por isso, não é de todo errado a velha afirmação que diz que os “brasileiros têm memória curta”. Quem sabe pela nossa própria história de percalços e sofrimentos, a natureza impôs a genética do dom de esquecer rápido o nosso passado. Uma maneira de não continuarmos sofrendo permanentemente, a memória do passado por intermédio do presente e do futuro. Mas, digamos, isso é uma desculpa deveras espalhafatosa. Apenas mais uma no meio de tantas outras, dentre as quais a própria falta de uma educação mais consistente e popular aos moldes dos mestres Paulo Freire, Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro.

Viva D. Hélder! E que D. Hélder viva para sempre em nós…
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Autor: José Cícero
Professor, poeta e escritor
Aurora – CE.
Direto para o Joaseiro.com




Nova Ortografia

10 02 2009

K, W e Y. Enfim, naturalizados.

por Rafael Soares

Polêmicas à parte em torno do acordo ortográfico, o certo é que pra não ficar em desacordo pesquisamos, e repassamos alguns links de utilidade pública, para quem quiser já ir se acostumando com as novas regras do Português:

Título: O que muda com o acordo ortográfico- Formulado pelo G1, e referências do Prof. Sérgio Nogueira. Download em PDF: http://download.globo.com/vestibular/Guia_rapido_do_G1_sobre_o_acordoOrtografico.pdf

Título: Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa- Este é o próprio Acordo, em 27 páginas, disponível em PDF. Download: www.filologia.org.br/acordo_ortografico.pdf

Título: Guia prático da nova ortografia: saiba o que mudou na ortografia brasileira- Elaborado em 32 páginas por Douglas Tufano. Este é bem objetivo, pois se resume às novas mudanças, sem entrar em discussões teóricas. Também em PDF: http://www.livrariamelhoramentos.com.br/Guia_Reforma_Ortografica_Melhoramentos.pdf

A revista Nova Escola também lançou em edição especial (parceria com as Editoras Ática e Scipione), o Manual da nova Ortografia. Pode ser encontrado nas bancas por R$ 1,95.

Já o que pode ser encontrado nas ruas… Será que muda?

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Vereadores do Interior trabalham muito pouco

8 02 2009

Do jornal Diário do Nordeste:

Até mesmo nas cidades maiores do Estado, os vereadores só realizam duas sessões em cada semana

Algumas Câmaras Municipais das 184 cidades do Estado do Ceará iniciaram, na semana passada, seus trabalhos legislativos. A reportagem do Diário do Nordeste constatou que, nas Câmaras de cidades como Caucaia, os subsídios dos vereadores (R$ 7.500,00), que se reúnem apenas duas vezes por semana é comparável ao que ganha um secretário do Governo do Ceará, enquanto que em cidades de população reduzida, como Guaramiranga, os parlamentares, que trabalham somente a cada 15 dias, percebem subsidios maiores (R$ 2.500,00) do que de muitos profissionais com nível superior completo em Fortaleza. Tais valores, no caso do primeiro município citado, refere-se somente ao subsidios, sem contar gratificações. Em Juazeiro do Norte, além do subsídio de mais de R$ 6 mil, os parlamentares ainda têm recesso de 90 dias.

Em Caucaia, 2º maior município cearense, com 316.906 habitantes, as sessões ordinárias da Câmara Municipal, composta por 14 vereadores, são às terças e quintas-feiras, a partir das 9 horas. Segundo o presidente da União dos Vereadores do Ceará (UVC), Deuzinho Filho, que também é vereador daquela Casa, o subsídio de um integrante do legislativo do município é de R$ 7.300,00. No entanto, ele diz que a Verba de Gabinete ainda não foi regulamentada, pois ainda estão sendo organizados os ambientes dos parlamentares.

Recesso

Já a Verba de Desempenho Parlamentar (VDP) foi abolida temporariamente. O valor da VDP de cada parlamentar era de R$ 2.700,00 mensais. Na cidade de Juazeiro do Norte, com 242.139 habitantes, a Câmara Municipal, composta por 14 vereadores, faz sessões ordinárias, todas as semanas, terças e quintas-feiras, a partir das 17 horas. De acordo com o presidente do legislativo juazeirense, José Duarte Pereira Júnior, o subsídio de cada parlamentar é de R$ 6.192,03. Naquela Casa não há Verba de Desempenho Parlamentar, enquanto a Verba de Gabinete ainda está sendo definida, pois os legisladores ainda estão ocupando os seus espaços. Diferente de Caucaia e de outras Câmaras, o 1º período legislativo só terá início no dia 17 de fevereiro e vai até 30 de junho, enquanto o 2º período é de 1º de agosto a 15 de dezembro. ´O regimento interno ainda não foi adaptado à Constituição Federal. O nosso objetivo é reduzir o recesso parlamentar de 90 dias para 45´, esclareceu.

Por sua vez, Maracanaú, com 197.301 habitantes, detém 13 vereadores em sua Câmara Municipal. As sessões ordinárias daquela Casa são realizadas, semanalmente, às terças e quintas-feiras, de 9 às 12 horas. Segundo o presidente daquele legislativo, Francisco Antônio Ferreira da Silva, o subsídio de cada parlamentar é de R$ 6.192,00, ´mas este é o da legislatura anterior, ainda não foi atualizado´, advertiu. Segundo ele, nenhum legislador da cidade recebe Verba de Gabinete, mas sim a Verba de Desempenho Parlamentar (VDP). ´A VDP da nossa Casa é composta por um carro (para cada vereador), mais auxílio combustível (R$ 1.056,00) e tickets refeição, cujo valor total também é de R$ 1.056,00´, esclareceu.

Sobre as sessões, Ferreira disse que a Câmara de Maracanaú, a exemplo de Caucaia, também deve ampliar em mais um dia as sessões. ´Já está tramitando um projeto de Resolução na Casa para ampliarmos mais um dia, que será as sextas-feiras´, explicou. O ano legislativo daquela Casa compreende os períodos de 20 de janeiro a 15 de julho e 1º de agosto a 31 de dezembro.

No Crato, a Câmara Municipal, composta por 11 vereadores, reúne-se todas as segundas e terças-feiras, a partir das 10 horas. O presidente Francisco Helder de Oliveira França, explicou que cada parlamentar tem subsídio de R$ 4.400,00. Não há Verba de Gabinete e nem de Desempenho.

Fonte: Diário do Nordeste





Abandono marca áreas de litígio entre Ceará e Piauí

8 02 2009

Do jornal Diário do Nordeste:

As áreas de litígio entre o Ceará e Piauí resumem uma contradição: enquanto os governos dos dois Estados negociam, há mais de um século, a propriedade geográfica de cerca de 150 comunidades em municípios como Viçosa do Ceará, Crateús e Poranga — do lado cearense — e Cocal, Pedro II e Buriti dos Montes — na parte do Piauí — milhares de famílias residentes nas localidades dessas divisas parecem viver em terras de ninguém. Amargam uma infinidade de problemas socioeconômicos marcados pela falta de serviços essenciais como água, esgoto, saúde, educação, transporte e estradas trafegáveis. Muitas das localidades, na estação das chuvas, ficam literalmente ilhadas, isoladas sem qualquer forma de comunicação.

Para ler mais, clique nos links:

Falta de lei força litígio entre Estados

“Fortaleza. Esquecimento, desprezo, abandono. Existe uma região, entre os Estados do Ceará e do Piauí, onde a população não tem identidade e convive com todos esses sentimentos. Há piauienses que querem ser cearenses. E a vontade inversa também. Alguns nem sabem dizer onde estão. Perdidos nas imprecisas divisas entre territórios vizinhos, moradores de, pelo menos, 150 distritos e comunidades localizados próximo às serras Grande e da Ibiapaba sofrem as conseqüências de viverem na área de litígio do Ceará com o Piauí, também conhecida pelos sugestivos nomes de “Cerapió” e “Piocerá”.”

Famílias querem mais prestação de serviços

“Viçosa do Ceará/ Cocal. Engana-se quem pensa que a preferência de moradores da área de litígio, entre Ceará e Piauí, por um ou outro Estado é orientada por questões de “status”. Na imensa maioria das vezes, a população busca auxílio em um município diferente daquele em que vive por causa da oferta de melhores serviços públicos ou mesmo de benefícios para a própria família. É o que acontece com parte da população do município de Cocal, no Piauí, que vive na divisa com Viçosa do Ceará, a 348km de Fortaleza.”

Fonte: Diário do Nordeste





Parte II – A Nova Cara da Música Mineira

6 02 2009

Parte II – “Abra Palavra”

Por Helayne Cândido

A música para mim sempre foi e será uma experiência de estar conectada a outra realidade, sair desse mundo e entrar em outro. Para que eu consiga escrever sobre música tenho que estar conectada a ela, quase que 24 horas do dia, sentindo vontade de escutá-la e fazer dela praticamente um mantra. Peço desculpas se sumi por esses tempos e conseqüentemente não dei continuidade à série “a nova cara da música mineira”. Não que eu tenha parado de escutar música mineira, muito pelo contrário, acabei descobrindo novos “sons mineiros” e espero que em outras oportunidades possa compartilhar com vocês, mas a vida de estudante, fim de semestre, dona de casa e moradora temporária em outro Estado me consumiu. Mas cá estou de volta e vamos parar com explicações, porque meu negócio por aqui é inventar que sei algo sobre música.

Dando continuidade, parece que foi ontem (já faz quase dois anos…) que eu simplesmente liguei a TV e saí procurando algo que me chamasse atenção. Chega um ponto que eu já passei praticamente todos os canais e chego à TV CÂMARA. Bem, olhe, eu gosto de assistir TV CÂMARA e TV SENADO, ok? Acho que se a maioria das pessoas parasse pra ver esses canais uma vez que fosse, acabariam “descobrindo” coisas bem legais! Não tem só discurso de político não (respeito aos de Suplicy, certo? Porque eu paro pra assistir os dele! Mas isso é outra conversa…), tem muitos programas interessantes e entre eles um que me chamou atenção de nome “Talentos”.

De onde vinha aquela poesia toda? Quem são esses dois? Isso soa tão Minas! E eu estava certa! Era uma dupla, uma moça bem bonitinha chamada Mariana Nunes, de uma voz extremamente doce e afinadíssima, e um rapaz de cabelos compridos, tocando violão, e cantando de forma segura. Eram simplesmente Vitor Santana e Mariana Nunes. Vamos lá, ficha técnica: Vitor Santana, além de violonista, é um excelente cantor, dono de um timbre forte, músico, compositor e autor do CD e DVD “Abra Palavra” e “Abra Palavra Ao Vivo” em parceria com Mariana Nunes. É também participante, idealizador e coordenador de vários projetos na área de cultura, como a ONG Contato – Centro de Referência da Juventude (www.contatocrj.org.br), na Filial do Contato na cidade de Ouro Preto, como também foi Diretor-administrativo e idealizador da SIM 2005-2007, e participante da Câmara Setorial de Música do Ministério da Cultura em 2005 na Funarte, Rio de Janeiro. Mariana Nunes é dona da voz suave e seu timbre de voz alcança regiões sonoras variadas, com técnica, sentimento e exatidão, estuda música na Fundação de Educação Artística, além de integrar o coral Voz e Companhia, um dos mais importantes corais populares de Minas.

Os dois são amigos desde muito novos e com a amizade surgiu a afinidade musical que, tempos depois, acabou por gerar a parceria (e que bela parceria!) no projeto “Abra Palavra” que foi amadurecido com participações muito especiais, entre elas destaco o Flávio Henrique (se lembra dele? É! O mesmo que produziu e dividiu composições com o Pedro Morais! Flávio Henrique está em todas!), e a cantora, Juliana Perdigão, que canta com o Vitor a música “Desalinho”, uma das mais belas do referido trabalho. Escutar esse projeto é conhecer não só a sonoridade mineira, mas principalmente do nosso país. São toadas, afro-sambas, baiões, em composições extremamente inspiradas, como nas canções Pra Não Chorar, Dois momentos, Abra Palavra, e Curral Del Rey, ou seja, é um Cd indispensável para quem gosta de conhecer um pouco mais do nosso país através da música e de artistas como o Vitor e a Mariana, que conseguem, de forma magnífica, unir contemporaneidade e tradição.

Confira os vídeos do DVD “Abra Palavra Ao Vivo”:

1

2

3

Quem quiser baixar o programa da TV CÂMARA com a dupla é só acessar esse link:

http://www.camara.gov.br/internet/TVcamara/default.asp?selecao=MAT&Materia=39381

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Joaseiro.com

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Espetáculo de Balé Contemporâneo

5 02 2009

 eu-prometo





Juazeiro citado no ‘Estadão’

4 02 2009

     Publicamos, com alguns dias de atraso, sugestão que o leitor Valdir Martins de Morais enviou para nosso email joaseiro@yahoo.com.br. Outros leitores (como José Cícero e Ivone Boechat) se utilizam do nosso endereço eletrônico para enviar textos e sugestões de matérias, o que muito nos incentiva. Agradecemos a todos e reiteramos que o espaço está aberto a todos que desejarem colaborar com o blog.

Astrônomos querem 1 milhão de brasileiros olhando para o céu

Meta foi adotada para a celebração brasileira do Ano Internacional da Astronomia, que é comemorado em 2009

Carlos Orsi, do estadao.com.brClique para Ampliar Esboços da Lua feitos por Galileu após observações com telescópio, em 1609

Esboços da Lua feitos por Galileu após observações com telescópio, em 1609

SÃO PAULO - Oferecer a pelo menos 1 milhão de brasileiros a oportunidade de ver o céu por meio de um telescópio pela primeira vez é uma das principais metas do Ano Internacional da Astronomia (IYA, na sigla em inglês) no País. Uma celebração oficial da ONU, Unesco e da União Astronômica Internacional (IAU), o IYA comemora os 400 anos das primeiras descobertas feitas com um telescópio pelo cientista italiano Galileu Galilei.

No Brasil, a programação prevista também conta com apoio de órgãos do governo, como o Ministério da Ciência e Tecnologia. Se atingida, a meta brasileira corresponderá a 10% do total mundial estabelecido para o ano, de 10 milhões de primeiras observações. (…) há mais de 200 eventos programados só em janeiro, em mais de 50 municípios, entre palestras, shows, exibições e observações com telescópio – virão atender a uma demanda reprimida. “É diferente olhar numa tela de computador e na lente de um telescópio. O pessoal fica fascinado com o relevo da Lua, com os anéis de Saturno. Esse fascínio existe em qualquer lugar do mundo”.

Mesmo com a abertura nacional ocorrendo no dia 20, atividades já estão em andamento em várias cidades do Brasil. Eventos de pré-abertura ou aberturas locais vêm ocorrendo desde o início do mês, em várias cidades brasileiras. “Vamos ter coisas acontecendo desde na Praça dos Três Poderes e até do lado da estátua o Padre Cícero, em Juazeiro do Norte”.

“O céu é para todos”, diz Napoleão. “Mas as pessoas nos centros urbanos se desconectaram do céu, por causa da poluição, principalmente da poluição luminosa, e do ritmo da vida moderna. As crianças, hoje, até estranham quando se fala em constelações. Suas únicas referências no céu são o Sol e a Lua”. 

Além das atividades astronômicas para o público, em 2009 o Brasil sediará ainda a assembleia internacional da IAU, que acontece em agosto, no Rio de Janeiro. Na assembléia anterior, realizada em 2006 na República Checa, os astrônomos tomaram a polêmica decisão de retirar Plutão da lista de planetas  do Sistema solar.

Leia texto completo em: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,astronomos-querem-1-milhao-de-brasileiros-olhando-para-o-ceu,308749,0.htm





Em defesa da filosofia e da sociologia

2 02 2009

A pedido de alunos da Universidade Regional do Cariri – URCA, publicamos inteligente carta do professor Tolovi defendendo o ensino da Filosofia naquela e em outras instituições. Nosso espaço está aberto às demandas da URCA e de todas as instituições de ensino do Cariri

Em caráter de denúncia

O filósofo só consegue atingir o outro, com sua palavra, expondo-se como sujeito falante, como sujeito público. Precisa correr o risco de expor-se, de intervir no mundo como sujeito pensante e, quando necessário, de tomar partido, sobretudo quando a justiça, a liberdade e a verdade estiverem ameaçadas ou desrespeitadas”. (Hilton Japiassu)

Não gosto do profissional da educação que assume serenamente uma postura de incoerência e de contradição entre a sua teoria e a sua prática. Também não gosta da indiferença e da imparcialidade dos profissionais que só se preocupam com o seu salário ou com sua vaidade pessoal, e que mesmo diante de graves situações preferem evitar o conflito para não perderem os privilégios do poder em seu universo de trabalho. Por fim, gosto menos ainda dos que já possuem definidos os seus posicionamentos, como dogmas, com conceitos pré-estabelecidos (pré-conceitos) em função da luta pela manutenção ou pela perspectiva de tomada do poder. Portanto, se estou indignado diante de um “crime pedagógico” que está ocorrendo na universidade onde estou inserido, e se não tenho “rabo preso” com o poder atualmente estabelecido e não sou dependente de nenhuma facção com posicionamentos pré-determinados na disputa pelo poder institucional, o meu papel deve ser o de reagir, produzindo uma nova reflexão, gerando debates, buscando evidenciar as causas e as conseqüências das escolhas ideológicas que estão sendo feitas nos bastidores desta importante instituição educativa.

Atualmente é muito triste lembrar que a Universidade Regional do Cariri nasceu da Faculdade de Filosofia. Pior ainda é perceber que, nas mãos dos que fizeram parte desta história, a filosofia está sendo desprezada e banida dos nossos cursos, de uma forma completamente irresponsável e provinciana.

É triste também saber que a maioria dos cursos de nossa universidade não possuem em sua grade curricular a disciplina de introdução à filosofia. E que diversos cursos que possuíam esta disciplina estão retirando de seu projeto pedagógico. O Curso de Matemática e de Pedagogia tomaram a iniciativa. Pior ainda: o Curso de História da nossa universidade, tão destacado e elogiado nas avaliações nacionais, na última reformulação curricular, retirou a disciplina de Filosofia II. E como se não bastasse, na primeira reunião de 2009 do Departamento de História colocou-se em votação a retirada da disciplina de Introdução à Filosofia. E o que mais nos assustou foi o fato de que, colocando-se em votação, a maioria dos professores presente na reunião acatou a proposta colocada em pauta.

No tempo da ditadura os militares perceberam que para manter a “ordem” estabelecida e imposta não bastava apenas a violência física que produzia o medo. Eles logo perceberam que seria preciso atingir o coração da resistência que advinha do universo acadêmico. Pois no ensino médio e nas universidades havia um espaço de reflexão e debate que produzia consciência critica e que se traduzia em resistência à todas as formas de dominação insensata. Sendo assim, muito inteligentemente resolveram mexer na grade curricular e reordenar as disciplinas. E o resultado disso foi a retirada das disciplinas de Filosofia e Sociologia do ensino oficial assumido pelo Estado.

Mas, por que hoje, em pleno século XXI, em que o universo acadêmico, no Brasil e no mundo, reconhece a importância da Filosofia e da Sociologia para uma educação de qualidade, o curso de história desta universidade está retirando estas disciplinas de seu projeto pedagógico? E o pior: não foi uma atitude isolada. O que está ocorrendo hoje na URCA, não teria como pano de fundo a mesma preocupação dos militares na época da ditadura: manutenção das instâncias do poder estabelecido?

Atualmente, em nossa universidade, o poder militar foi substituído pelo poder político, que, como na idade média, depende dos pequenos feudos para sobreviver.

Estou cada vez mais convencido de que a Universidade Regional do Cariri assume um papel social e político muito importante: o de manutenção do sistema vigente, contribuindo para uma educação bancária, sem despertar a consciência crítica, sem desencadear conflitos com o sistema sócio-político-econômico instaurado na região.

Realmente, neste contexto a filosofia pode incomodar. Começando pela nossa própria instituição. Talvez não seja bom para muitos dos profissionais desta nossa universidade sentirem-se inseguro pela possibilidade do posicionamento crítico e autônomo do aluno. Talvez eles não queiram conflitos de idéias em sala de aula.

Diante deste contexto, qual é o risco que nós corremos?

Atualmente, muitos dos que estão no poder (em todos os setores da nossa universidade), estão atrelados à uma missão bem específica: manter os privilégios que este poder pode oferecer (mesmo que estes privilégios estejam apenas no nível da vaidade). Sendo assim, como a filosofia propõe uma relação dialógica e dialética na perspectiva de se produzir reflexões que despertem a consciência crítica, tendo em vista o protagonismo dos sujeitos históricos, ela pode representar um grande incômodo.

Me parece que a maioria dos nossos gestores e profissionais da educação em nossa universidade está satisfeita com uma educação neocientificista, tecnicista e fragmentada, incapaz de pensar o ser humano numa perspectiva mais ampla e complexa, em sua autonomia, alteridade e historicidade.

Diante dessa realidade podemos nos perguntar: até onde vai a autonomia dos “pequenos feudos” quando decidem, de forma irresponsável e corporativista, alterar um projeto pedagógico, retirando e incluindo disciplinas de acordo com a vontade ou necessidade dos “amigos”? E qual seria o papel da Pró-reitoria de Graduação diante de tal situação?

Atualmente a Universidade Regional do Cariri vive um momento muito sério: de um lado uma reitoria que não se importa com as contradições, desde que possa agradar determinados grupos que fazem parte do projeto de manutenção do poder. De outro lado, Reitorias, Centros e Departamentos totalmente fragmentados, como diversos membros de um “corpo sem cabeça”. Neste contexto, fica muito fácil um grupo de professores resolverem fazer alterações estruturais no projeto pedagógico de seu Departamento tendo em vista necessidades banais, mas com prejuízos pedagógicos e sociais profundos.

Vejo que em nossa universidade nós perdemos muito tempo produzindo textos e debates estéreis e rancorosos, a partir de teses dogmáticas, sem nenhum propósito de produzir reflexão e interação dialógica. Entendo que esteja mais que na hora de outras formas de debate, fora do campo minado da rivalidade pré-estabelecida. E, neste espaço, eu pretendo continuar colaborando e provocando outros educadores a participarem.

Prof. Carlos Alberto Tolovi

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Ri-di-chulus XXXII

1 02 2009

     Renan Calheiros será o líder do PMDB no Senado em 2009.

Ele, que há pouco mais de um ano só não foi cassado por falta de vergonha na cara dos seus colegas senadores, agora retorna dos bastidores para o palco do poder, como líder do partido e principal articulador da campanha de José Sarney à presidência daquela casa legislativa. Alguém duvida que Renan, apesar de tudo, ainda será reeleito pelos alagoanos para mais um mandato de senador em 2010?

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Adeus, Zé Sozinho!

1 02 2009
ze-sozinho1Com enorme pesar,  registro o falecimento de José Raimundo Cavalcante, aos 67 anos, mais conhecido pela alcunha de “Zé Sozinho” ocorrido nesta segunda-feira, 26, em Juazeiro do Norte. Assim de cara poucos saberiam de quem se trata tal nota de falecimento. Coisas do Brasil, do Ceará e do Cariri onde só se destacam os potentados do vil metal.
     Zé Sozinho não poderia receber outro nome que não fosse este de uma sociedade excludente, míope, cruel e indiferente à arte dos pequenos, sobretudo àqueles que fizeram a opção pela maioria (os pobres e miseráveis). Os que transformaram a própria vida num sacerdócio em favor do bem e de uma causa nobre, mesmo no anonimato da mídia e longe dos banquetes das elites, assim como dos holofotes de uma imprensa que só tem olhos para a mesmice e para os castelos dos poderosos.
     Zé Sozinho era tão humilde, consciente e espirituoso que logo absorveu com naturalidade e senso de humor este epíteto. Aliás, algo que lhe caíra como uma luva, em parte, pelo fato de aumentar a sua “fama” entre os raros aparelhos midiáticos do Sul. O que não foi lá muita coisa, nem para o trabalho que fazia e,  tampouco para si mesmo. Foi por assim dizer, um transgressor em potencial. Um homem de exceção, como bem dissera certa feita o filósofo Nietzsche.
     Oriundo da agricultura, granjeou, contra tudo e contra todos, relativo sucesso ao popularizar a sétima arte entre os excluídos dos sertões. Muitos dos quais a própria sobrevivência já é um milagre. Tantas foram as cidadezinhas, muitas delas, até hoje, nunca tinha conhecido de perto uma projeção cinematográfica, que Zé Sozinho, só ele e Deus conseguiu realizar a troco de nada. Tudo em nome da paixão que mantinha pelo cinema.
     Zé respirava cultura e sofria de diabetes. Doença que durante anos tentou curar talvez por meio do amor e a determinação que dedicou às projeções pelas bibocas do nosso interior. Não teve jeito. Seu pobre coração de homem bom resolveu parar nesta segunda-feira. Zé Sozinho não curou o diabetes, mas deu um grande exemplo de cidadania e solidariedade cultural para o Ceará e o Brasil: fez a sua parte da melhor forma possível como protagonista e ‘diretor do filme maior que foi a sua vida’. O cinema para ele, era uma arma para a feitura do bem. Um instrumento pelo qual se poderia mudar a face do país, assim como a cabeça e o coração dos homens.
     Considerava-se filho do Caririaçu-CE, onde chegou ainda em tenra idade como retirante pernambucano de Pajeú das Flores. Mas Caririaçu era o rincão que ele carregava de bicicleta junto com o seu projetor de 16 mm e latas de películas para onde quer que fosse. Seu apelido se deu em função desse seu ofício. Porém há quem diga que foi por conta da sua mãe que sozinha conseguira criar seus cinco filhos. Sozinho, no decurso de 36 anos viveu da sua paixão pelo cinema. Qualquer lugar para ele, era ideal para uma projeção cinemática. No meio da praça, debaixo da ponte, na rua deserta, no tabuleiro da caatinga, no galpão abandonado, no adro da igreja, tudo era possível… Podia até ser sozinho, mas não era um homem solitário nem triste, posto que seus filmes constituíram um mundo à parte com o qual ele dialogava era feliz por isso.
     Ágil, disposto e inteligente subia ele mesmo na árvore, montava o alto-falante. Debaixo dela instalava o seu velho projetor e logo, a alegria estava construída. Seus filmes eram a um só tempo: entretenimento e lenitivo para quase todas as agruras e as dores daquele mundão esquecido de meu Deus. Filmes antigos, às vezes emendados, mas bons, consagrados e fascinantes para uma gente que nunca na vida conhecera um cinema de verdade. Tudo ali era novo. Até Coração de Luto, O ébrio, imagens esportivas de Pelé, Garrinha do Flamengo antigo no canal 100, O dólar furado, Casa Blanca, Romeu e Julieta, Mazzaropi, Chaplin, Oscarito e outras pérolas raras da Vera Cruz, Atlântida e Cinédia que a partir de Zé Sozinho pareciam novinhas em folha… Não fossem o riscado da fita e o preto e branco das cores. Muitos até choravam durante suas projeções romanescas como nos velhos tempos.
     Seu enterro aconteceu nesta terça-feira, 27 na sua Caririaçu, na serra de São Pedro. Onde certamente ficará mais perto de Deus, eternamente, assim como os filmes que apresentava pelos grotões adentro. Hollyood não sabe, mesmo assim me arisco a dizer que o cinema verdadeiro perdeu muito. Está de luto com o desencarne de Zé Sozinho. Mesmo aqui, neste canto escondido do Brasil onde quem sabe, por Zé Sozinho, todos haveremos de viver e levar a utopia da vida até as suas últimas conseqüências…
      Outro dia, por absoluta força do acaso, tive o prazer de conhecê-lo, não de carne e osso(como deveria), mas pela telinha mesmo estando tão próximos. Foi numa noite por meio do programa do Jô Soares da TV Globo, quando Zé Sozinho foi entrevistado. Estava radiante de felicidade. Falava da sua história e dos filmes como se estivesse no estrelado, dentro deles. Achei bárbaro aquele homem simples, diferente e determinado. Depois do programa fiquei matutando: como eu um pesquisador sempre atento às coisas do mundo nunca tinha ouvido falar daquela figura da cidadezinha vizinha de nós?! E disse para mim mesmo. – Algo está errado. Nossos talentos não merecem tanto desprezo. A quem podia interessar tanto ostracismo?! No fundo todos nós sabemos a resposta…
     Zé Sozinho falava do Cariri e do seu Caririaçu com doçura. Era um abnegado, incompreendido pelos que se acham iluminados, mas que só enxergam os caminhos do poder. Os verdadeiros coitados e ignorantes. Porque a arte e a cultura não dependem e nem precisam tanto deles. Zé Sozinho foi um “inteirado” fazedor de sonhos, justamente para tantos que perderam a capacidade de sonhar. Por isso agora Deus haverá de vê-lo lá em cima com bons olhos. Fellini, Mazzaropi e tantos outros amantes inveterados da sétima arte não o permitirão sequer que continue sendo chamado como entre nós. Porque no céu nosso Zé, nunca mais estará sozinho. Quem sabe os imortais passem a chamá-lo simplesmente de Zé do Povo.
     Adeus grande Zé! Agora você nunca mais ficará Sozinho. A solidão, ao contrário do que pensamos é coisa da vida. Porque sozinhos ficamos nós, os sertanejos do Cariri e do Nordeste inteiro, sem as suas mirabolantes e sensacionais projeções de bondade, educação, saudade, cultura e alegria. Zé Sozinho deve está agora se divertindo pra valer ao lado do mestre com as suas sempre novas projeções cinematográficas.
 
José Cícero da Silva
Secretário de Cultura de Aurora – CE
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