Penas chinesas
By José Saramago, 12/02/2009.
Meter uma lagosta viva em água a ferver e cozinhá-la ali é uma velha prática culinária no mundo ocidental. Parece que se a lagosta já for morta para o banho, o sabor final será diferente, para pior. Há também quem diga que a rubicunda cor vermelha com que o crustáceo sai da panela se deve justamente à altíssima temperatura da água. Não sei, falo por ouvir dizer, sou incapaz de estrelar convenientemente um ovo. Um dia vi num documentário como alimentam os frangos, como os matam e destroçam, e pouco me faltou para vomitar. E outro dia, que não se me apagou da memória, li numa revista um artigo sobre a utilidade dos coelhos nas fábricas de cosméticos, ficando a saber que as provas sobre qualquer possível irritação causada pelos ingredientes dos champús se fazem por aplicação directa nos olhos desses animais, segundo o estilo do negregado Dr. Morte, que injectava petróleo no coração das suas vítimas. Agora, uma curta notícia aparecida nos jornais informa-me de que, na China, as penas de aves destinadas a recheio de almofadas de dormir são arrancadas assim mesmo, ao vivo, depois limpas, desinfectadas e exportadas para delícia das sociedades civilizadas que sabem o que é bom e está na moda. Não comento, não vale a pena, estas penas bastam.
Fonte: http://caderno.josesaramago.org/
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Mais informações aos interessados no tema, clique abaixo, nos links para cada um dos textos:
Biocentrismo: uma sucinta definição (texto bem curto, para uma definição rápida e resumida)
Antropocentrismo, Biocentrismo e Direitos Animais (texto maior, um artigo jornalístico sobre o tema)
Sobre uma ética da vida: o Biocentrismo moral e a noção de Bio-respeito em ética ambiental (tese de Doutorado em Filosofia)
Joaseiro.com
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