Semana passada, Beto Fernandes, do Blog do Juazeiro, entrevistou no seu Jornal Progresso o secretário de Saúde de Juazeiro do Norte, Giovani Sampaio, e, segundo ele, foi informada a normatização do funcionamento dos Postos de Saúde da Família (PSFs): agora eles funcionam de 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30, e cada médico tem de fazer no mínimo 40 atendimentos por dia. Em forma de comentário para o blog, teci algumas críticas a respeito desta última decisão e falei de algumas melhorias que precisam ainda serem implementadas. Reproduzo, com algumas modificações, o comentário que fiz:
Acho correta a disciplina no horário de funcionamento dos postos. No entanto, discordo que deva haver aquele número mínimo de atendimentos por dia (antes, havia o mínimo de 32, eram 16 por cada turno, o que dava uma boa média de 15 minutos para cada consulta). Aquela velha história: quando se prioriza a quantidade, facilmente se deixa de lado a qualidade. Há grupos de pacientes a serem atendidos que demandam mais tempo, um cuidado maior (crianças, gestantes, idosos, etc). Obrigar a fazer um determinado número de atendimentos por dia pode limitar a qualidade do atendimento. Em vez de colocar como meta um número de atendimentos diários, outras formas de metas poderiam ser implantadas: um número mínimo de consultas de pré-natal para cada gestante, um número mínimo de consultas para crianças com idade de zero a 2 anos de idade, um número mínimo de consultas anuais para pacientes com doenças crônicas (hipertensos, diabéticos, etc). Isso garantiria a qualidade do atendimento aos que mais precisam.
Além disso, deve-se salientar que uma das razões de os postos hoje em dia funcionarem precariamente é a falta de estímulo para os profissionais de saúde, principalmente do ponto de vista salarial. Como o salário é baixo (compare-os com outras cidades menores ao redor de Juazeiro), os profissionais acabam indo ao PSF, trabalhando apenas uma parte do tempo e depois vão para outro emprego (hospital, consultório, etc). Isto não é uma prática correta. Precisamos, no entanto, que nossos profissionais sejam mais bem remunerados, até para exigir mais deles. Assim, eles poderão se dedicar melhor ao seu emprego no posto, sem precisar trabalhar em outro locais para ganhar mais dinheiro.
Outra medida importante seria melhorar a estrutura física dos postos: eles precisam ser lugares agradáveis e funcionais para os profissionais e para os pacientes. Precisam de bons banheiros, copa, boas cadeiras, mesas, armários, ventiladores, aparelhos de ar-condicionados, medicação, balança etc. Alguns dos nossos postos são bons, em outros falta muita coisa. Alguns postos são apenas casas que foram semi-adaptadas para servir de posto de saúde.
Bem, são algumas medidas que pouco a pouco podem ser implantadas e vão ajudando nosso sistema de saúde a melhorar.
Sávio Samuel – Estudante de Medicina da UFC-Cariri
Para o Joaseiro.com
Parabéns pelo texto.
Vc conseguiu em poucas palavras transmitir aquilo que nos angustia e que é tão simples de ser feito…infelizmente a nossa saúde não muda nem evolui devido a esse tipo de gestor como é o caso do atual secretário de saúde de juazeiro, e o caso de tantos outros que já passaram…continuam com essa visão ultrapassada de “quantidade” e esquecem que sem qualidade, sem respeito aos profissionais, sem infra-estrutura mínina e claro sem um salário digno, ninguém trabalha satisfeito…
o que vai acontecer na nossa cidade se as coisas continuarem assim é que os médicos vão se evadir e aí eu quero ver o bicho vai pegar…
quero saber se ele vai se transformar em quase 60 pra atender em todos os PSF se os médicos resolverem procurar coisa melhor!!!
obrigada e desculpa pelo desabafo