Curiosamente este ano, embora estejamos na época de chuvas, não se escuta falar a respeito de epidemia de dengue. Isso se deve a melhores condições sanitárias, melhor orientação da população, mais carros fumacês, mais pessoas capacitadas para trabalhar como agentes contra endemias? Nada disso, basta olhar ao redor e ver que nada disso está acontecendo.
Na verdade, a dengue é transmitida por um vírus que possui quatro sorotipos diferentes (1, 2, 3 e 4). Quando alguém é infectado por um determinado sorotipo, adquire imunidade permanente e não fica mais doente se for infectado novamente pelo mesmo vírus. (No entanto, se tiver dengue novamente por um tipo de vírus diferente, terá maior chance de desenvolver dengue hemorrágica). O que está acontecendo é que tivemos tantas epidemias de dengue nos anos anteriores que quase todo mundo está ficando imune! O quadro mudará quando surgir um novo tipo de vírus aqui no Brasil, ao qual ninguém ainda seja imune.
Embora os casos de dengue não sejam tantos assim neste anos, eles ainda existem (e é necessário continuar a se prevenir e saber tratar adequadamente a dengue quando houver a suspeita). Assim, notamos um grande número de buscas em nosso blog por um texto que publicamos ano passado sobre automedicação e dengue. Reproduzimos abaixo para todos relerem.
Os riscos da automedicação na dengue
9 06 2008
Tomar remédios por conta própria é pedir pra adoecer mais, piorar ou encobrir o seu quadro clínico. Nesses tempos em que vivemos uma epidemia de dengue, a automedicação se torna especialmente perigosa.
Dipirona e paracetamol são os únicos remédios seguros e eficazes em tempos de epidemia de dengue, e mesmo assim devem ser usados na dose correta.
A dengue freqüentemente diminui o nível das plaquetas de quem fica doente, gerando problemas na coagulação que podem levar a hemorragias provocadas ou espontâneas, manifestadas das mais diversas formas: sangramento gengival, manchas hemorrágicas na pele (petéquias), sangramentos pelo nariz (epistaxe), fezes escuras (ou mesmo pretas, chamadas de melena), sangue na urina (hematúria), vômito com sangue (hematêmese), dentre outras. As hemorragias, associadas à hipotensão, são a principal causa de morte dos portadores de dengue.
Quando começam a aparecer os primeiros sintomas (cefaléia, dor nos olhos, febre, dores musculares) as pessoas confundem o quadro com gripe ou outra virose qualquer e muito freqüentemente se automedicam com antiinflamatórios. O problema é que a maioria dos antiinflamatórios diminui a agregação das plaquetas, predispondo ainda mais a fenômenos hemorrágicos. Assim, é catastrófica a associação dengue mais antiinflamatórios.
Os remédios mais usados são à base de Ácido Acetil-Salicílico ou AAS (Aspirina, Doril, Cibalena, Sonrisal, etc), Diclofenaco (Voltaren, Cataflan, Dienflex, etc), Ibuprofeno (Alivium), Cetoprofeno (Profenid), Tenoxicam (Tilatil), Meloxicam, Celecoxibe (Celebra), Rofecoxibe (Prexige), dentre muitos outros. TODOS são muito perigosos ao serem usados em pessoas com dengue.
Se você sentir febre, dor de cabeça ou dores pelo corpo, atenção: só use remédios à base de Dipirona (Novalgina, Dipimed, Anador, etc) ou Paracetamol (Tylenol, Tyflen, Sonridor, etc). A dose máxima da Dipirona é de 1 grama (40 gotas ou dois comprimidos de 500mg) a cada 6 horas. A dose do Paracetamol é de 500mg (1 comprimido ou 50 gotas) também a cada 6 horas.
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