Mais poema de Miguezim

11 03 2009

     Aproveitando que estamos falando de assuntos nacionais, segue mais um poema do poeta popular Miguezim da Princesa, desta vez falando da mansão do ex-diretor da mesa do Senado, Agaciel Maia.

A mansão do econômico Agaciel

Miguezim de Princesa (poeta)

I
Por mais que a gente procure,
Seja no ar ou no chão,
Ninguém encontra a receita
De tostão virar milhão.
Abençoado do Céu,
O famoso Agaciel
Adquiriu uma mansão.

II
Ganhando R$ 18 mil
Na Direção do Senado,
Ele fez economia,
Veja só o resultado:
Nunca gastou o salário
E tornou-se milionário
Por viver sacrificado.

III
Coitado do Agaciel:
Nunca foi a restaurante,
Seus ternos são da Colombo,
Seu carro é uma Variant
E,no dia que quer gastar,
Come é carne de jabá
Na feira do Bandeirante.

IV
Usa perfume da Avon,
Roupa da Riachuelo,
Sapato da Polyelle,
Descansa o
pé no chinelo,
Assiste filme pirata,
Toma caldo de batata
No Boteco de Tranguelo.

V
Possui ponte fixa-móvel
E meia chapa completa,
Compra shampoo de babosa,
Passeia de bicicleta
Comprada em segunda mão
Lá na feira do Varjão
Da prima de Dona Neta.

VI
Quando a esposa reclama
Que está passando mal,
Nunca mais comeram fora
Etc e coisa e tal,
Ele se irrita com a dona
E bota logo uma mesona
Bem no centro do quintal.

VII
Trinta anos trabalhando,
Juntando níquel pra feira,
Comendo calango assado,
Balaiada de fateira,
O homem virou barão
E comprou uma mansão
Pra aliviar a canseira.

VIII
Crucificam Agaciel,
Eu não sei por que razão!
Foi numa máquina Olivetti,
Amolegando o dedão,
Ajeitando senador,
Que Agaciel juntou
Dinheiro com as duas mãos..

IX
Quando comprou a mansão
No Lago Paranoá,
Parecia até um sonho
(Não quis nem acreditar).
Com receio do povão,
Botou no nome do irmão
Pra ninguém desconfiar.

X
Por ordem de Zé Sarney,
Pediu exoneração.
Deixa o povo esculhambar,
Não lembram do Mensalão?
Cabra fica esculhambado,
Cingido e descachimbado,
Mas não perde o patacão.

Joaseiro.com





Poema completo

11 03 2009

      Achamos a versão completa do poema citado no post anterior. Agradecemos a Aline Costa, que enviou o cordel para o email de um dos editores do site.

 

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA

Miguezim de Princesa

I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na linguiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

Joaseiro.com