Lixão de Juazeiro dará lugar à área de bosque

12 03 2009

Juazeiro do Norte. A área do lixão deste município será transformada em um bosque. A informação é do secretário de Meio Ambiente e Serviços Públicos, Eraldo Oliveira, que iniciou o processo de desativação da área, considerada problemática em Juazeiro, por estar em terreno inapropriado e já ter causado vários problemas ao meio ambiente e comunidades próximas. O caso já foi parar no Ministério Público há quase dois anos e praticamente nada foi resolvido. Ele afirma que as primeiras medidas já estão sendo tomadas para promover melhorias na área e voltadas para os catadores. A partir da próxima semana serão iniciados a reforma da guarita e cercamento da área.

Segundo os próprios catadores, são cerca de 200 pessoas que sobrevivem do lixão. No local, atuam 30 famílias permanentemente. A maioria deles consegue obter cerca de um salário mínimo por mês. O Diário do Nordeste já publicou diversas matérias sobre os problemas causados pelo lixão, inclusive relacionadas ao acordo feito em conjunto com órgãos ambientais, Ministério Público e Prefeitura, em 20 de junho de 2007. Nada foi cumprido, segundo Oliveira, e a área se encontrava em total abandono. Dois tratores foram contratados e um apontador para iniciarem os trabalhos na área. A idéia é inibir a emissão de fumaça, que prejudica os moradores da Palmeirinha, uma Vila próxima ao local. O risco de acidentes na pista próxima, que liga Juazeiro a Caririaçu era outro problema, que foi minimizado, especialmente, com a proibição de queima do lixo à noite, que compromete a visibilidade dos condutores.

lixaoSegundo o documento assinado no MP, questões como a vigilância 24 horas para a não entrada de crianças e adolescentes, a presença de um guarda municipal, cadastramento dos catadores e de suas famílias, apoio para formação de uma cooperativa, fornecimento de Equipamento de Proteção Individual (EPI), condições assumidas pela Prefeitura, não foram cumpridas. A ambiental também ficou no papel.

Uma avaliação após exaurir os prazos de cumprimento das obrigações não foi feita. A maior parte deles, para cumprimento em 30 dias, conforme o que foi firmado em reunião com órgãos como o Ministério Público, Secretaria de Meio Ambiente do Estado, Prefeitura, Ibama, Área de Proteção Ambiental (APA), Centec e Departamento de Edificações e Rodovias (Der), representantes da localidade da Palmeirinha. A população se sentia prejudicada, principalmente, com a fumaça, ocasionando doenças.

Segundo Oliveira, cerca de R$ 40 mil já são investidos a cada mês, de forma permanente no local, que são gastos com máquinas e para controle de entrada e saída dos caminhões. Na próxima semana será feito processo de licitação para liberação de R$ 30 mil e início dos trabalhos, relacionados à guarita e cercamento da área. Um muro de arrimo será construído e uma bomba submersa será providenciada, para circulação do chorume. Ele afirma que será efetivada a compra de uma balança, já que nunca houve o funcionamento de nenhuma no local. “Encontrei o lugar muito pior, muito degradado”.

O projeto de melhoria ainda inclui o trabalho de reflorestamento, melhoria da segurança, construção de um galpão de triagem do lixo, EPIs para os catadores. Dentro do projeto, está incluído um trabalho social com criação de uma cooperativa dos catadores e recicladores de lixo.

ENQUETE: O que o Sr. (a) acha da desativação do lixão?

Maria Edjane Silva – 18 ANOS – Catadora
“Desde os 10 anos que trabalho aqui e ganho pelo menos um salário mínimo. Se acabar, como vamos sobreviver” ?

Francisco Wellington dos Santos – 27 ANOS – Comerciante
“Acho bom que vire um bosque, mas tem a sobrevivência das mais de 200 pessoas que vivem na área”.

Maria do Socorro de Oliveira – 43 ANOS – Catadora
“Até agora não estou achando ruim estar aqui, porque sobrevivo desse lixão. Acho que não será boa essa mudança”.

Elizângela Santos – Repórter
Diário do Nordeste





Geopark Araripe será destaque em mostra

12 03 2009

Crato. O superintendente do Geopark, João de Aquino Limaverde, anunciou a realização de uma exposição sobre o Geopark Araripe, no Centro de Convenções, em Salvador, na Bahia, de 24 a 27 deste mês, durante a I Mostra Nacional de Desenvolvimento Regional, na capital baiana. O evento contará com a presença do presidente Luís Inácio Lula da Silva, uma equipe de artesãos, componentes do Comitê do Geopark e representantes do projeto, que sairão em comitiva para participar da Mostra.

O projeto do Geopark Nacional do Araripe inclui a instalação de nove geotopes, ou seja, nove pontos de observação para os visitantes, que estão localizados nos municípios de Santana do Cariri, Nova Olinda, Juazeiro do Norte e Missão Velha. Além destes, estão previstos 59 geocites, que são sítios, nos quais poderão ser feitos estudos e pesquisas sobre Paleontologia. Os geocites ficarão situados nos municípios de Crato, Barbalha, Milagres, Abaiara, Mauriti, Jardim, Santana do Cariri, Nova Olinda, Juazeiro do Norte e Missão Velha.

João de Aquino destacou o investimento a ser feito no projeto de US$ 12 milhões, por meio de empréstimo do Banco Mundial e já aprovado pelo Senado, nos próximos anos, em cada geotope, dotando o Geopark Araripe de uma infra-estrutura adequada. Em Santana do Cariri, já foi iniciado, por meio da Urca, com repasse dos Governos do Estado e Federal, o projeto de reforma e ampliação do Museu de Paleontologia, onde estão sendo investidos quase R$ 650 mil.

O Crato receberá a sede do Geopark Araripe, com investimento na ordem de R$ 800 mil, por meio de recursos do Ministério da Integração Nacional administrada pelo Estado, representado pela Secretaria das Cidades. A próxima reunião do Comitê do Geopark acontece no próximo dia 13 de março, na sede da gerência do projeto e contará com representantes dos Núcleos da Urca. (…)

O QUE É GEOPARK?

O Geopark Araripe, que compreende seis municípios na região do Cariri, foi o primeiro Geopark chancelado pela Unesco nas Américas. O conceito do Geopark Araripe está baseado no estabelecimento de uma rede de Unidades de Conservação da Natureza que se estendem por uma área de mais de 5 mil km².

Geopark é um novo conceito em turismo de natureza. Com selo de qualidade da Global Geopark Network, este conceito agrega monumentos geológicos, paleontológicos e arqueológicos, chamados de geotopes. Hoje, a rede conta com 57 Geoparks nacionais em 18 países: Austrália, Áustria, Brasil, China, Croácia, República Checa, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Irã, Malásia, Noruega, Portugal, Romênia, Espanha e Reino Unido.

Origem do conceito
A idéia de criação de Geoparks surgiu a partir da realização da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio Ambiente, no Rio de Janeiro no ano de 1992. O evento ficou conhecido como a ECO-92. Na ocasião, os temas de proteção e preservação ambiental passaram a ser destaque dentre as principais prioridades da humanidade. Esses temas transformaram-se em palavras de ordem em todos os roteiros de desenvolvimento, por meio de documentos denominados Agenda 21.

Desde então, surgiram diversas iniciativas internacionais para o reconhecimento de sítios do interesse científico. A Unesco, por meio da Divisão de Ciências da Terra, lançou o “Geoparks Program Unesco”, como forma de valorizar e proteger sítios que podem ser testemunhas chave da história do planeta. A iniciativa foi adotada em conjunto com a União Internacional de Ciências Geolológicas, o Centro de Herança Mundial, Homem e a Biosfera e Programa Mundial de Reservas da Biosfera.

Antônio Vicelmo
Repórter – Diário do Nordeste




Repercussões na mídia – 3 -

12 03 2009

O suicídio do Vaticano,
assassinato da própria fé

Por Hélio Fernandes

Logo no título fiz questão de responsabilizar o culpado maior e verdadeiro dessa excomunhão que estarreceu o mundo. E concluir identificando imediatamente os efeitos destruidores e devastadores sobre a própria Igreja Católica.

Para Bento XVI, individualmente, é mais um equívoco colossal, dos muitos que vem praticando. O mundo católico se surpreende e se desespera com os seguidos erros do papa, quase todos provocados pela arrogância. Que é um pecado capital em qualquer pessoa, e uma ignomínia ainda maior no chefe da Igreja, pretenso e suposto porta-voz de Deus.

Coletivamente, a Igreja, em queda acentuada há muito tempo, planta mais descrença, espalha mais desesperança, acentua o descompasso entre a cúpula e os católicos verdadeiros e praticantes.

Ainda não se passou um mês da decisão totalmente imprudente de Bento XVI, reabilitando aquele que negou o Holocausto. Bento XVI voltou atrás, disse que não estava bem informado.

Agora não pode repetir o gesto do desmentido e da omissão, pois teria que fazer uma longa pregação, tão longa quanto os erros e equívocos praticados.

O medíocre e desconhecido dom José Cardoso sozinho não teria o mínimo de condições para praticar tantas exorbitâncias. Relacionemos separadamente os atos amaldiçoados que cometeu. Assim, será mais fácil condená-lo e compreender a condenação desse arcebispo, apoiado pela alta cúpula do Vaticano, mas repudiado pelos católicos, estes sim, representantes legítimos da Igreja.

1 – Excomungou toda a equipe médica.

2 – Aplicou a pena máxima da Igreja, para a mãe da menina.

3 – Inocentou o padrasto, afirmando que “o estupro é menos grave”, esquecendo que tudo começou com ele. Não fosse o estupro praticado covardemente em casa, nada teria acontecido. Com a decisão do Vaticano (colocada servilmente como “execução” do arcebispo) da excomunhão geral, os católicos mais do que fiéis deixaram de entender (e de seguir) as razões do comando da Igreja, decisão vinda diretamente da Santa Sé.

O estupro é um dos atos mais repulsivos e repugnantes. Cometido por um padrasto, indefensável. Atingindo uma menina de 9 anos, inexplicável. Indo até o fim na violação convicta e compenetrada, a ponto de engravidar a menina, inconfessável. Não só perante Deus, mas também no tribunal da opinião pública. E da Justiça.

Só que essa monstruosa combinação de crimes não foi julgada por nenhum tribunal jurídico e sim no tribunal da própria Igreja. Que se igualou ao estuprador, tão violenta quanto ele, tão desigual apesar de pregar a igualdade.

A culpabilidade do arcebispo, a ratificação feita pela CNBB, todos cumprindo ordens absurdas e pecaminosas do Vaticano, felizmente tiveram protestos e revoltas compensatórios da parte de órgãos e de cidadãos.

Em primeiro lugar, aplausos para a veemência e decisão instantânea da Comissão Nacional de Medicina, defendendo os médicos que apenas trabalhavam, cumprindo missão legalíssima.

A opinião pública, composta de cristãos e católicos, também merece elogios. Preservaram sua fé, mas não perdoaram os atentados.

E o próprio presidente Lula dessa vez não se omitiu, criticou a excomunhão. Poderia ter sido mais duro e mais autêntico, colocando as críticas no âmbito do próprio Vaticano-Santa Sé. Como esta é um Estado, Lula estaria responsabilizando de igual para igual. Mas pelo menos Lula, nesse caso raro, merece elogios.

Faltou a palavra de um magistrado do mais alto escalão, enquadrando o arcebispo e membros da CNBB, em crimes passíveis de punição. O aborto é legal no Brasil em muitos casos, principalmente em estupros com perigo de vida.

Acredito que os jornalões (sempre voltados para eles mesmos) deixaram o profissionalismo jornalísticos de lado e não ouviram ninguém, digamos logo, do Supremo. Muitos teriam falado, até mesmo os 11 membros da mais alta e definitiva corte, que estariam identificando crime grave. E apontando a punição não só para o estuprador, mas também para aqueles que o apoiaram.

PS – Houve um tempo, em que este repórter, apaixonado por oradores (principalmente os sacros), percorria igrejas, tentando descobri-los e ouvi-los. (Quase sempre em companhia de Gilberto Marinho, então presidente do Senado, grande figura.)

PS 2 – Hoje, esses oradores sacros estão em falta, os que falam nas igrejas são medíocres, cansativos e monótonos. Essa ausência no chão da Igreja alcançou o ponto mais alto, sem lideranças no próprio Vaticano. Está aí a explicação da queda violenta da Igreja Católica. Parece que sobrou apenas a liturgia, luxuosa e caríssima, embora belíssima.