A Subcultura Gótica
por Rafael Soares, colaborador
O termo gótico é utilizado para designar a subcultura urbana que teve suas origens na Inglaterra, por volta dos anos 80. Quando falamos em subcultura abrangemos uma série de fatores específicos diversos como a pintura, a música, o vestuário, e mesmo características como relacionamento e comportamento que a delimitam. Aqui, iremos priorizar a música gótica.
Por volta do final dos anos 60 até o final dos anos 70 tivemos as primeiras influências do que, mais tardiamente, seria conhecido como música gótica. O glam rock, cujos nomes mais marcantes apontam para David Bowie e Brian Eno (destaque na foto) representaram uma influência direta, assim como o Krautrock com os alemães do Kraftwerk, que já apresentava uma sonoridade bem peculiar. Não podemos esquecer o The doors e o Velvet Underground, também foram influências desta época.
No fim dos anos 70 até o início dos anos 80, temos um verdadeiro “surto” de estilos musicais representando vários momentos de convergência entre o experimentalismo da fase anterior, a música pop e o underground. Surge o pós punk, o coldwave, o sinth e o industrial, dentre outros estilos. Bauhaus (destaque na foto), Joy Division, The Cure, Siouxie, Cocteau Twins (Liz Fraser-the voice of God), Alien Sex Find e Christian Death destacam-se como principais expoentes musicais numa fase que representou a abertura do caminho para a consolidação do gótico.
Com o final dos anos 80 e começo dos anos 90 notamos que o termo gótico, aplicado as bandas oriundas do pós-punk, passa a caracterizar um tipo de música acessível, com características influenciadas pelos estilos do período anterior que acabam consolidando um som bem definido, susceptível ao experimental, mas sempre com a mesma “personalidade” que essencialmente identifica o gótico. Nesse leque de criatividade destacamos desde o Fields of Nephilim, Sisters of Mercy, Clan of Xymox, All About Eve e Opera Multi Steel até as sonoridades waves do This Mortal Coil, Dead Can Dance e Deine Lakaien e outras bandas como o Two Witches (de onde sai a Anne Nurmi para o Lacrimosa), Mephisto Walz e Eva O (ex- Christian Death), dentre uma infinidade de bandas destacando-se em primeiro plano o cenário inglês, francês e alemão.
No decorrer dos anos 90 temos um período de renovação e atualização sonora iniciada na cena eletrônica alemã com o darkwave e com a definição da cena goth nos EUA. Não poderia ser diferente, a popularização de bandas que assumiriam o rótulo goth-darkwave. Destacamos aqui o Switchblade Symphony, Nosferatu, London After Midnight, Paralised Age, Ikon, Inkubus Sukkubus, In Strict Confidence, Cinema Strange, Lycia, The Cruxshadows dentre mais uma infinidade de bandas responsáveis pelo desenvolvimento da subcultura gótica num de seus pilares de convergência dos mais importantes, que é a música.
Encerramos os anos 90 e caminhamos até os dias de hoje e o que temos é a contínua renovação da sonoridade própria da subcultura gótica. Bandas como The Scary Bitches (and the lesbian Vampires!!! funny, funny, funny), Diva Destruction, The Ghost Of Lemora (de alto destaque no cenário atual), lame immortelle, Ego Likeness, Voltaire, Emilie Autumn, e Helium Vola, o que demonstra versatilidade e amplitude musical em cima de uma identidade primitiva única que parece se preservar o que, na minha opinião, é o mais incrível desta subcultura.
Com essa pequena explanação trilhamos superficialmente os caminhos da musicalidade gótica, mostrando um pouco sua evolução e que nunca morreu ou esteve latente como muitos pensam. Além do que, diferentemente do que se pensa, não existiu uma evolução diferenciada da subcultura gótica no sentido de consolidar o que se conhece hoje por Gothic Metal. O Gothic Metal surgiu nas linhas de evolução da subcultura Metal.
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