Imposição da rede Globo retira TV Diário da parabólica

21 03 2009

Por José Cícero, Secretário de Cultura de Aurora

     Desde a última quarta-feira 25 de março, a TV Diário não está mais disponível na nossa telinha como antes, via parabólica. Tudo porque a poderosa rede Globo forçosamente exigiu a retirada do sinal do satélite Starone C2 no seu sistema analógico. A TV cearense era um dos raros canais que transmitia sua programação pelo sinal aberto com uma abrangência de atuação em torno de 30 milhões de antenas parabólicas espalhadas pelo Brasil e outros países da América Latina. Isso com certeza vinha incomodando a “poderosa” que contabilizava perdas importantes, tanto no mercado quanto na audiência em diversos estratos da sociedade, incluindo a região Nordeste. A exigência para a retirada do sinal não era de agora. Desta feita, portanto foi batido o martelo: a Diário teria que sair já ou perderia o direito como afiliada da Globo Nordeste de retransmitir a programação da ‘janela dos marinhos’. O mais curioso é o silêncio que ainda paira sobre o assunto. Será que a ameaça também incluía o “calar da boca”? Isso para um meio de comunicação é algo grave, inaceitável num país que se diz democrático e que vivencia até as últimas conseqüências o Estado de Direito.

     A propósito, por que será que ninguém do grupo Verde Mares não se pronunciou até agora acerca desta decisão draconiana? Por que eles não utilizam a própria emissora para dá explicações aos seus telespectadores? Mesmo os que ainda conseguem captar o sinal aqui no Ceará? Por que não usaram os outros meios midiáticos que lhes pertencem como o jornal escrito e as emissoras de rádio? No mínimo é pra lá de estranho esta atitude, ou seja, a falta dela. A opção pelo silencia só demonstra certamente todo o grau da exigência imposta pela “poderosa”. Cadê a imprensa livre (sic) do nosso estado? Com exceção do jornal O Estado que publicou uma nota pífia sobre o tema, quase mais nada foi veiculado. Cadê o sindicato da categoria? Cadê os formadores de opinião? Os políticos e a sociedade consciente como um todo?

     A Globo talvez esteja sentido saudade dos velhos tempos onde o seu poderio era muito mais ferrenho, vez que o monopólio era quase intransponível. Mas felizmente os tempos mudaram; outras emissoras de TV já começam a abocanhar o antigo filé mignon da emissora. Antigos piques de audiência alcançados pela Globo noutros anos agora são coisas impensáveis. Por isso o desespero expresso em iniciativas como esta de forçar a Diário a sair do satélite que na verdade, soa como um verdadeiro golpe contra milhares de espectadores distribuídos pelo país inteiro.

     A TV do Ceará é bem verdade, também não tinha uma programação lá muito boa do ponto de vista da cultura cearense e do Nordeste… Mas digamos, era a alternativa possível que tínhamos para fazer frente aos enlatados e a padronização dos canais do Sul que há muito nos empurravam goela a baixo. Como dizem “um pequeno fator de integração da comunidade nordestina espalhada de norte a sul do Brasil”.

     Em todo caso, fica claro que o velho poderio da Globo não serve ao povo brasileiro por vários motivos. Por outro lado, quem sabe a “poderosa” possa aprender a partir de agora que a queda nos seus índices de audiência e perdas nos diversos nichos mercadológicos sejam claros indicativos de que sua programação está uma lástima. Quem sabe possa descobrir um novo caminho e constatar que o Brasil não é um Big Brother. Portanto se disponha a mudar. E mudar para melhor… Do contrário vai ter que prosseguir destruindo raivosamente como fez com a Diário, outras das suas afiliadas regionais que tiveram a ousadia de pensar e fazer diferente mesmo estando no seu ninho chocando seus antigos ovos de ouro. A TV Diário tinha, mesmo com suas deficiências, a cara do Ceará e do Nordeste. Por isso não podemos nos calar diante de tão absurda arbitrariedade.

     Afinal, toda emissora de TV (e a própria Globo) é uma concessão pública e, de certo modo pertence à sociedade brasileira. Ademais, todo poder emana do povo? Na Globo parece não ser bem assim. Conquanto, a imposição da rede poderosa a TV Diário é algo inaceitável, notadamente para os cearenses.

Joaseiro.com





STF mantém demarcação contínua em Serra do Sol

21 03 2009

BRASÍLIA – O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve ontem, por 10 votos a 1, a demarcação contínua de terra da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. O STF determinou também a saída da reserva dos arrozeiros e não índios, que vivem e trabalham no local.

Os termos da saída, entretanto, serão definidos pelo relator da ação, Carlos Ayres Britto. A reserva tem uma área de 1,7 milhão de hectares. O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Correa, disse que o prazo para a retirada dos arrozeiros será o “do bom senso” e o necessário “para que a execução se dê de acordo com a decisão do tribunal, dentro dos seus limites”.

Na opinião do ministro da Justiça, Tarso Genro, a PF e a Força Nacional estão prontas para executar a retirada pacífica dos não indígenas. “Eu tenho a convicção que na questão Raposa, em razão da sucessão de fatos que ocorreram lá, do debate jurídico e político que ocorreu, nós vamos ter certamente uma desocupação pacífica. Se assim não fosse, estaríamos já perante uma postura de insurreição contra o Estado que seria promovido pela violência”, disse.

O advogado-geral da União, José Antônio Dias Tóffoli, disse que a definição tomada pela Suprema Corte servirá de referência para outros julgamentos sobre processos demarcatórios envolvendo terras indígenas.

Na reserva vivem cerca de 18 mil indígenas de cinco etnias diferentes. Localizada nas fronteiras com a Venezuela e a Guiana, a área foi homologada em 2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A área virou foco de conflito e tensão envolvendo governo federal, governo estadual, igreja, indígenas e ONGs (organizações não governamentais).

Para que a manutenção da demarcação contínua de terra seja mantida, os indígenas terão de cumprir 18 condições aprovadas pelo STF. O presidente do Suprema, Gilmar Mendes, recomendou que todo o trabalho seja coordenado pelo Tribunal Regional Federal (TRF).

Para o STF, a utilização das terras deve ser limitada, com respeito ao meio ambiente e às riquezas naturais, e também com a presença das Forças Armadas e de policiais, sem necessidade de autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Fonte: Tribuna da Imprensa