O sonho se realizou

5 04 2009

Poucos sabem, mas saiu de Juazeiro do Norte no dia 30 de Março último deste mesmo 2009 dois ônibus repletos de fãs e “fiéis” para o show do Iron Maiden em Recife. Muitos, entre jovens e pessoas que há mais de 20 anos ouvem e colecionam discos da banda inglesa (hoje com 34 anos de vida), esperavam por este inesquecível espetáculo que se realizou no Jockey Clube de Recife, na noite do dia 31 de Março.

Parecia impossível que uma banda cujo porte já percorreu mais de 100 países, levando seu som forte e com letras que versam sobre fatos históricos e clássicos da literatura mundial, de repente, não mais que de repente (como disse o poeta), vir a Recife e consigo trazer à cidade excursões de todo o nordeste e norte do país (vinte ônibus de Natal, vinte de Fortaleza, oito de Campina Grande, etc). Emocionados, gente de todas as idades e sotaques se viu imersa numa massa uniforme de fãs do bom e velho rock’n'roll (sem rótulos), contando ao todo mais de 35 mil fãs. Estamos gratos, sim (um dos editores do Joaseiro.com esteve lá). Para compartilhar deste sentimento de saudosismo pelo espetáculo de uma hora e quarenta e cinco minutos, o Caderno 3 do Diário do Nordeste publicou texto do músico e professor juazeirense Michel Macedo, um desses fãs veteranos da banda, sobre suas impressões e experiências neste primeiro show do Iron na capital pernambucana. E lembrando: eles querem voltar em 2011!

A seguir, vídeo do show e a lista de músicas para quem quiser procurar as respectivas gravações no youtube (sim, estão todas lá).

Música, história e energia

O músico e professor Michel Macedo Marques* conferiu o show do Iron Maiden em Recife, na última terça-feira, e compartilha impressões com os leitores do Caderno 3 (Diário do Nordeste)


Conheci o Iron Maiden em 1987, e demorei um bocado para gostar. Na época só ouvia rock progressivo. Mas, com o passar dos anos, aprendi a apreciar e entender a importância desta que, com certeza, pode realmente ser considerada uma lenda viva do heavy metal.

Ano passado os vi em São Paulo, após uma espera de 21 anos. E este ano me dei como missão prestigiar a entrada do nosso tão sofrido Nordeste brasileiro na lista do seleto grupo de primeira linha de shows internacionais. O Iron Maiden se apresentaria em Recife numa terça feira, 31 de março, pela primeira vez na nossa região.

Este show deu muito trabalho para ser confirmado, foram muitas as dificuldades de local e quanto às exigências da banda. Mas, no final, foi uma aula de organização.

Também se pôde mostrar que um evento como este, ao contrário das tradicionais ´festas´ de música de qualidade duvidosa, pode trazer benefícios turísticos enormes para a cidade, pois todos os outros estados da região se fizeram presentes em caravanas enormes.

No diálogo entre os fãs da banda em Recife, ficamos sabendo da chegada de 20 ônibus provenientes de Natal, dois de Juazeiro do Norte, além de uma estimativa de 5 mil pessoas de Fortaleza. Sem falar de grupos com bandeiras de outros estados. O público foi estimado em 35 mil pessoas, que, além de irem ver o show, também lotaram hotéis, restaurantes e procuraram fazer novas amizades para uma possível volta.

Pontualidade britânica

Quanto ao show, uma aula de profissionalismo, simpatia e energia. Começou com a tradicional pontualidade britânica: exatamente às 20h entrou no palco a fraquíssima Lauren Harris (mas nada menos que filha do fundador da banda, o baixista Steve Harris), com um show de 30min que mais pareceram duas horas. Foi bom para vermos que temos bandas ótimas por aqui que mereciam ter melhores oportunidades e ser mais valorizadas também. Não é só o que é de fora que é bom.

Também pontualmente às 21h o sonho de muitos começava a tomar forma: lá estava a banda esbanjando energia, apesar dos mais de 300 anos que havia no palco (cada um dos integrantes já passou dos 50). Nesta turnê que já tem dois anos, eles celebram a noite com clássicos que, além de boa música, são uma aula de história e literatura inglesa.

Lá estava o carismático vocalista Bruce Dickinson descrevendo o combate aéreo entre a Inglaterra e a Alemanha durante a Segunda Guerra, com a música que nunca pode faltar no início do show da banda: ´Aces High´. Depois usando a máscara egípcia para contar uma das lendas que cerca o rei Osíris e recriando a obra do poeta inglês Samuel Taylor Colerige, com ´Rime of the Ancient Mariner´ (com seus mais de 15 minutos) e ´The Number of the Beast´ (que não tem nada de satânico, e sim bíblico). Além de outras, como ´Wrathchild´, ´Wasted Years´, ´The Evil that Men Do´, ´Fear of the Dark´ e outras. São clássicos eternos na história da banda e do rock em si.

A produção do show também merece destaque, com recursos visuais como monstros (o carismático robô mascote Eddy), muitos fogos e explosões. Foram 1h45min de plena felicidade para um público enorme e educado. Uma platéia que mais parecia formada por ´amigos de infância´ que haviam se conhecido naquele momento. Uma verdadeira irmandade em que todos queriam contagiar e ser contagiados de alegria.

Para quem não foi a Recife, fica o alerta de que a banda pretende voltar ao Brasil em 2011. Quem sabe pisando em solo cearense também. Além de uma promessa de presença do Metallica, em dezembro, na capital pernambucana.

(05/04/2009)

***

Gravação imperdível por um fã da música Fear Of The Dark (uma das mais conhecidas):

Lista de músicas gravadas do show no youtube (é só pôr o nome de cada uma seguida de “Recife” que acha):

1. Churchill Speech/Aces High
2. Wrathchild
3. Two Minutes to Midnight
4. Children of the Damned
5. Phantom of the Opera
6. The Trooper
7. Wasted Years
8. Rime of the Ancient Mariner
9. Powerslave
10. Run to the Hills
11. Fear of the Dark
12. Hallowed Be Thy Name
13. Iron Maiden
14. The Number of the Beast
15. The Evil That Men Do
16. Sanctuary

Up the Irons!

Fontes: Diário do Nordeste, JC Online, Youtube.