Semana passada todos os juazeirenses foram surpeendidos com o assassinato trágico do Sr. Geraldo, mendigo que vivia às portas da Agência do Banco do Brasil do Centro da cidade, morto enquanto dormia. Chama a atenção, além da forma cruel do assassinato, sem causa imediata alguma, o fato de os dois personagens desse triste episódio serem doentes mentais. O Sr. Geraldo incorporava um personagem, dizendo ser o dono do Banco do Brasil. Já o assassino matou porque disse ter escutado vozes que o mandavam matar, pararam de ouvi-las apenas quando ele concretizou o crime; já no dia seguinte, ele foi visto andando pelas ruas de Juazeiro gritando, com uma Bíblia na mão, falando sozinho aos quatro ventos. Claramente se trata, por essas características, de um esquizofrênico.
Pois bem, a cobertura que vimos de parte da imprensa juazeirense e cearense foi a mais sensacionalista possível. Na reportagem da TV Verde Vale, o repórter fazia aquelas indagações primárias, clichês e claramente induzindo as respostas das pessoas comuns que acompanhavam o enterro do Sr. Geraldo: “Foi um absurdo, não foi?“; “Uma pessoa dessas não tem coração, não é mesmo?“; “O Sr. Geraldo não mexia com ninguém, não era?“; “O Sr. acha que uma pessoa dessas tem Deus no coração?“. Além de não fazer uma pergunta inteligente, o repórter ainda induzia as pessoas a dizerem o que estava querendo ouvir, o que era a opinião dele. Já no site sensacionalista Miséria (fazemos questão de não acessar, mas todos contavam) foram expostos fotos e vídeo do circuito interno do BB com o morto envolto em sangue. Ora, isso lá é jornalismo! Qual o intuito de expor a carnificina? Transformar uma tragédia em um show, ter audiência a qualquer custo? Em que isso pode contribuir pra termos uma cidade melhor, uma sociedade melhor?
Cabe dizer também que a opinião das pessoas escutadas era a mais ridícula possível, analisando o crime à luz de um assassinato comum, o que não foi. No site do jornal O Povo, uma leitora declarou que, pra esse tipo de crime, deveria haver cadeia elétrica no Brasil. Ninguém refletiu o que passou mesmo ali: uma tragédia envolvendo dois doentes mentais. Ninguém pensou que a culpa não foi deles e sim de todo mundo que não cuida da saúde mental adequadamente: poder público que não cumpre sua função, sociedade que não cobra, não faz sua parte e imprensa que criminaliza esses doentes, como aconteceu no caso em foco. A questão não foi o crime, não foi a pedra na cabeça, não foi falta de Deus no coração; a questão é: o que deveria ter sido feito pra o crime ser evitado? Por que aqueles dois esquizofrênicos não estavam em tratamento? O que podemos fazer com nossos doentes mentais (Juazeiro tem muitos!) pra evitar que novas tragédias ocorram?
É pra esse tipo de reflexão que a imprensa deve servir.
Joaseiro.com
Muito bom o texto!
A Imprensa tem tanta força de mudança, mas com a mesquinharia do sensacionalismo essa força é desperdiçada.
Foi uma pena a morte de Geraldo. Era um amigo e uma pessoa extraodinária. Loucura? Louco também o sou e tu não és também? o que é ser louco ir de encontro ao que a sociedade acha o “normal”? Então Sou louco faz é tempo. Gente finíssima geraldo, não fazia mal a ninguém. Os bandidos roubavam as roupas dele que o coitado ganhava e ele nao fazia nada. Chega um cara que nao compreende sua existência e seifa a vida de outro ser. Humanos animais….