São João do Crato no Largo da Rffsa

14 06 2009

São João do Crato

Fonte: Blog Agende-se





Conto da Semana

14 06 2009

Recife, 12 de junho de 2009.

Noites de um solitário e a gata “MI MI”

Por Guilherme Patriota

     Enquanto todos dormiam G apenas cochilava para perceber que realmente ninguém mais estava acordado. A perturbação daquela voz de gato que miava, estampava na cara de G que tudo era em vão, os tempos haviam de acabar e ele só podia apenas esperar. Caminhava do quarto ao banheiro há mais de uma semana e ninguém desconfiava de nada, ora, pois bem, ninguém o via, ninguém o enxergava. G era um poço; um poço sem água, com um balde pendurado por uma corda, que balançava, se assanhava por suas paredes pedindo sempre o líquido que ele não tinha. G já não comia, a ingestão de alimentos significava mais um dia de tortura, um dia sem respostas para tantas perguntas, um dia que se multiplicaria por mais dois ou três, os quais nada viriam, nada refletiriam, nada mudariam do que já estava mudado. Por vários momentos pensou em parar, acreditou que poderia voar, ao invés de caminhar do quarto ao banheiro. Tomou um trago, bem forte, imperceptível a todos aqueles que ele acreditava beberem ao seu lado, mas incômodo a digestão. No descer da vodka, G sentiu todo seu organismo em transformação, e deparou-se com o estômago, deformado, cortado, estupidamente ácido no tocar do destilado. G voltou correndo, sugado como uma fita rebobinada que mostra a imagem de trás para frente e com tripla velocidade. Sentiu um cheiro de fumaça; acendeu um cigarro e voltou a caminhar em direção ao suposto banheiro. Parou no corredor, cuspiu toda a parede, e depois, com calma, pediu ao garçom um saquê. Obviamente não foi atendido, e continuou sua caminhada até atingir o vaso sanitário. G estava esquelético e não teve forças para segurar seus óculos que caíram sanitário adentro durante a descarga. Tomou o caminho de volta, outra vez o quarto, o útero, a mãe. Sentiu-se criança, amado, farto de sabores simbólicos que enchem qualquer poço de água, de vinho, de vodka. G já não mais agüentava esperar, resolveu agir, tomar uma decisão que mudasse sua situação, seu dilema. Resolveu não ir ao banheiro, mas esperar que a vontade de urinar fosse certeira e molhasse suas calças para novamente se sentir enxaguado, acariciado pela urina amarelada que se acumulava em seu organismo e que deveras seria expulsa. A urina não veio, G nem mais lembrava. A porta aparentemente entreaberta sugeria a G que alguém estava à espreita, mas resolveu agir sem ação, resolveu esperar para ver se o fim era realmente o início. A porta bateu, G não percebeu e novamente a porta se abriu. G enxergou uma luz ao longe, bem no fundo do corredor que dava para o banheiro, e sua atitude foi de visão, pensou nos óculos, pegou com as duas mãos e pôs o mesmo na face, sobre o nariz, subindo com o dedo indicador, lentamente, a peça inteira até alcançar as lentes aos olhos, então já era tarde, a porta novamente estava fechada. G retirou a peça de seus olhos e forçou a fechadura, abrindo a porta e o zíper ao mesmo tempo. Viu uma torneira derramando água, uma garrafa de coca-cola enchendo um copo, uma fonte das de praça jorrando, uma mamadeira pingando leite e a chuva na janela que a toalha molhava. Não compreendia tanto líquido, mas aquela sensação ainda mais o incomodava, o deixava perplexo, encabulado e direcionado a voltar ao quarto. No fechar da porta viu bananeiras que escoriam pingos da chuva, pingos que molhavam seu rosto, que escorriam por sua barriga, que desciam a sua virilha, que esquentavam sua perna. G sentiu um toque mais forte no ombro, e mais forte foi a sensação de quentura em suas pernas, era como se a realidade do ir vir ao banheiro, que aparentava mais de uma semana, tivesse perdido a noção de tempo. G, muito incomodado, se sentiu acordado por sua mãe, que reclamava: “- Menino! Sempre que você brinca com fogo a noite, você acaba acordando mijado. E o trabalho todo depois fica comigo!” G agoniou-se; penetrou no estágio menos macio do divagar e acabou caindo da cama. Agora, realmente, ouviu “Mi Mi” miando, no chão, ao lado da garrafa de vodka, onde ele havia caído, e teve a nítida sensação de estar acordado: Será?!

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Receita para ter um blog de sucesso II

14 06 2009

     Seja polêmico. Escolha alguém para bater e bata forte, não importam os motivos. Deixe seus reais interesses escondidos, arrume algo para criticar alguém e vá em frente. A pessoa criticada rebaterá no mesmo tom, então você deverá se fazer de vítima. Posteriormente, aparecerão pessoas que, como você e o criticado, também gostam de aparecer; eles lhe prestarão apoio, farão notas de solidariedade, defenderão a liberdade de expressão, etc, etc e isso dará muito pano pra manga. Responda a algumas destas colocações, mantenha a polêmica viva por algum tempo. Não importa se você tinha razão ou não, se a contenda trouxe ou não algum crescimento pra você ou para os outros. Se seu lema é “falem mal, mas falem de mim”, você ficará satisfeito com o resultado final: mais audiência pra você e seu blog.

PS 1: Qualquer semelhança com realidade é só mera coincidência

PS 2: Obviamente este post é irônico. Em todos os sentidos.

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