Uma nova visão para a humanidade

28 06 2009
Recife, 26 de junho de 2009
“Para o homem que possui o conhecimento, não existe dever… E, para dizer ainda como conclusão o que dizia ao começar: o homem prefere ainda querer o nada antes que nada querer.”
(Nietzsche)

Buscando, de forma lúdica e brusca, uma nova visão para a humanidade

Por Guilherme Patriota

     No mundo da banalidade, MJ apenas sobrevivia. Ele tornara-se, desde criança, o maior pensador de seu tempo, e havia vendido cem milhões de cópias de seus livros quando adulto. Sua personalidade absurda era destaque em tudo, pois conseguia refletir para si os fatos, as vivências e as preponderações de seu tempo sem se perder na história da humanidade. MJ havia se isolado desde os vinte e cinco anos de idade, pois sua forma de pensar já não era o mais importante, dado que a mídia, como que buscando copiar suas formas de agir para gerar outros seres iguais, procurava descrever cada ato de sua vida conturbada, invadindo os limites de convivência particular e atirando as facetas humanas de um, aparente, não humano nas capas de todas as revistas, jornais, blogs e programas televisivos de todo o mundo, no cativar de uma ganância exploratória de geração capital a procura do inevitável banal. MJ, em todos os seus escritos, afirmava que a coletividade individualizada e sadiamente natural tornar-se-ia o fator de modificação de sua sociedade, porém no seu convívio isto se tornara impotente, pois seu isolamento, por sua genialidade banalizada, fazia dele um ser apenas individual, isolado, caricaturado como o deus que pensa e que deve ser seguido. MJ tentava, em vão, se aproximar dos outros, mas sempre era idolatrado, tratado de forma diferente, como algo inalcançável, deverasmente afastado da coletividade humana. Ele resolveu partir sem rumo, porém sua fama avançara por todo o globo e não tinha mais como se isolar em um pequeno grupo de respeito mútuo.  MJ parara de escrever, sua busca limitava-se ao encontrar alguma comunidade que o distinguisse por inteiro, como pares que não considerassem seus escritos e teorias como algo fora do normal, para que pudesse trazer seu estado humano de volta ao seu corpo, a sua mente. Quatro anos “perdidos”, e MJ encontrou relato de um grupo cambojano, na internet, na mídia que tanto o incomodava, que praticava um tipo de liberdade limitada que postava a igualdade absoluta dos semelhantes em detrimento de sua própria existência, de seu corpo, não passando a forma de pensar como absoluta, mas sim a carne, a naturalidade da vida animalesca como o principio de paridade. MJ não acreditava friamente neste sentido, no entanto via neste intuito uma forma de compartilhar suas buscas, de poder atingir um novo principio que há tempos era-lhe negado: ser novamente humano. MJ partiu, cego, surdo e mudo, para o Camboja. Sua nova revolução era uma busca que não poderia ser apenas a mesma, aquela que o conduzira para um patamar de gênio, de superior, de o fora de contexto, ele desejava retornar, retroceder, se fosse o caso, a um estágio de visão colonialista primitiva. MJ queria ser doutrinado, queria ser um mártir de sua espécie, com o simples intuito de ajudar a todos os seus irmãos no sentido de não ser alguém que ele havia se tornado. Em quatro anos de doutrina cambojana e de desaparecimento total, MJ resolveu reaparecer com um novo livro, que duas semanas depois era chamado de a nova bíblia, mesmo sem ter sido lançado ou lido. MJ, se utilizando de sua posição de ídolo, decidiu que seu livro seria publicado por uma editora cambojana, da comunidade a qual agora fazia parte, e que teria uma edição absolutamente limitada ao número de lideres mundiais que faziam parte do conselho de segurança da ONU, e que seu lançamento deveria ser feito, única e exclusivamente, no quando da próxima reunião de tal conselho. Obviamente, apoiado por um consenso mundial, nenhum empecilho foi lhe criado, pois, apesar do desaparecimento, MJ era o grande pensador, o grande conselheiro dos conselheiros, o que havia gerado um sentido de comunhão entre os homens em seus escritos. MJ editou 16 livros, um para cada um dos cinco membros permanentes do conselho, representados pelos seus presidentes (USA, França, Reino Unido, Rússia e China), um para cada um dos dez membros rotativos do mesmo, também representados pelos governantes dos países em representação, e um para ele mesmo, que fazia questão de realizar a primeira leitura. O livro era daqueles que ficavam de pé, na vertical, e aparentava possuir o conhecimento dos conhecimentos, dada a personalidade histórica e única de MJ. No dia do lançamento, MJ fez questão de convidar, pessoalmente, os maiores membros da imprensa mundial, que deveriam ser representados não por seus jornalistas, mas pelos próprios proprietários dos veículos que, acreditando ser um grande privilégio, compareceram em massa, sem faltas, mesmo sabendo que não teriam o direito ao livro tão desejado. Reunidas cinqüenta e cinco pessoas, entre lideres mundiais e “donos do que se vê no mundo”, na sede da ONU, MJ Chegou e distribuiu os livros, afirmando que nenhum deveria ser aberto antes que o mesmo autorizasse e que todos deveriam seguir seus procedimentos se não quisessem gerar uma grande catástrofe. Os líderes, atentos aos dizeres de seu “adestrador/pensador”, seguiram os passos necessários, e MJ pediu-lhes que observassem apenas a capa e que depois, sutilmente, abrissem a primeira página sem ultrapassá-la de forma alguma. Na capa nada existia, apenas o branco, que, para os mais atentos e orientais/orientados, significava o luto da humanidade exposta em sua alma de pensador.  No prefácio, única e primeira página escrita, MJ afirmava que para concretizar sua humanidade todos os homens, inclusive ele, deveriam descobrir o grande segredo, que só poderia ser revelado pela própria curiosidade de todos os leitores, e que este segredo mudaria, ao menos em principio, todas as suas vidas pessoais e, quem sabe, posteriormente, a vida de todo o mundo. Ainda, ele afirmava que esta mudança era de escolha, e para realizar esta escolha todos deveriam mudar de página, mudança esta, que como nos grandes livros, que são optativos na relação de ler ou não ler a próxima página, deveriam ter direção própria.  Como em uma decisão do conselho de segurança, MJ sugeriu uma votação que promovesse a unanimidade ou não daquela abertura, reafirmando que a leitura da próxima página poderia mudar, realmente, a vida de todos, promovendo a grande mudança de suas humanidades. Intrigados pelo sentido de conhecer e deter o grande segredo da humanidade, os cinco membros permanentes, seguidos por todos os outros ali presentes, resolveram, sem votos contra, abrir a próxima página que revelaria o grande segredo filosófico humano. Decidida a questão, MJ pediu concentração para o adentrar da nova realidade e sugeriu que todos fizessem um contagem regressiva do dez ao zero, como nos lançamentos de foguetes da NASA, abrindo, simultaneamente, a segunda página, todos aos mesmo tempo. Ao chegar ao zero, ouviu-se uma grande explosão. A página dois do livro branco do luto de MJ era um dispositivo de bomba que vitimou todos os grandes líderes mundiais na busca de uma nova trajetória de vida para a humanidade. MJ deixou escrito no Camboja, e para ser distribuído por todos os espaços possíveis, reproduzindo, e não criando, a frase de seu grande ídolo igual Nietzsche: “o homem prefere ainda querer o nada antes que nada querer.” Ludibriados por aquele pensamento, os grandes lideres mundiais, dez horas depois, já acordados, perceberam que a segunda página do livro não passava de uma magia cambojana de encantamento, acompanhada de uma caixa de música que induzia os observadores a ter tal pensamento bombástico, seguido pelo sentimento de visão do céu, no qual absorviam a frase do filólogo europeu sendo distribuída por toda a terra. Depois do susto, todos viram MJ deitado ao chão, vestindo uma camisa, ele sim morto, com os dizeres nela escrito: “espero que meu fantástico martírio artístico sirva de visão para uma nova humanidade.”

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2 respostas

2 07 2009
Franzé Matos

De fato Mj. A arte tem este dom de transformar, movimentar os conceitos tidos como certos, duvidando tão fortemente deles que o expresso em arte remete ao limbos do ser, onde liberdade, verdade, sentimentos, compaixão, o pensar deixa de ser conceito, ciência e volta a ser aquele ambiente pré-juizos… Há quanto tempo deixamos de observar as coisas antes pela razão do que por qualquer outro paradigma? Cadê essa fé que nos move a esse “Deus” contextualizada ao crer nesse mundo?
O cara fica preso no trânsito e perde o avião que pouco tempo depos cai no mar, em entrevista diz “Graças a deus fiquei preso no trânsito e escapei do acidente” Que deus é esse? Um jogador de dados? Um Egoísta… Que prefere salvar 1 pessoa a mais de 170?
E se ele tivesse dito de forma diferente, dito a imprensa que Deus, de fato, não existe ele é criação humana para explicar o insondável, que torna mais fácil o viver humano no mundo, atribui um logos racional a mutabildade incessante do mundo, ai sim chocaria…..?

Doamos nossa liberdade plena desde o momento que nascemos… somos educados, contextualizados, marcados, categorizados e projetados… Somos um esboço das possibilidades possíveis e mesmo nessa total lberdade situada, na segurança de um mundo artificial vivemos passivelmente nossas vidas e assistimos absurdos a cada segundo sendo transformados nesta frivolidade cotidiana.
A arte que nos mostra esse caminho que abdicamos, ao nos entregarmos a segurança de um deus, ou nos entregar a segurança do novo deus contemporâneo, a saber, a ciência… essa probabildade paradgmáticamente tida como a nova verdade… Quando começa a vida? Como explicar os efeitos causais do big-bang? como explicar a arte?… coisas que a ciênca nunca responderá…. Ela não consegue dizer nem o que este computador que está
na sua frente é, pela infinidade de relações ao qual ele está imerso sofrendo alterações químicas, fisicas, radioativas… milhares de feixes cósmicos invisíveis que o transformam a cada instante…
Mas também, a verdade não é e não pode ser o compromisso do mito de deus ou do mito da verdade na ciência. Eles são, antes de ser verdade, um modo de operar no mundo diferente dos animais… Colocar um telos(sentido final, um objetivo) na existênca. São modus operantis ao homem… que mesmo sem ser verdade dão certo…. Pois mesmo teorias erradas podem dar resultados utilizáves.
A verdadeira arte, excepetuando-se a cultura de plástico capitalista que é 95%, talvez de toda produção “artística”, deve nos remeter a estas “verdades” inquestionáveis que pulsam dentro de nós, seres racionais vivendo sobre a égide dos mitos, vivem uma vida transquila e esperançosa acreditando que o próximo momento estaremos todos felizes… Ou num paraíso celeste, ou num mundo esterlizado pela ciência – um mundo livre, sem cada árvore, cada animal, cada água limpa… para que também? o importante é o progresso? Essas outras coisas só tem sentido quando nos são úteis. Não isso que os mitos nos mostram…? o Homem é o senhor do mundo….(Desculpe minha gnorânca bíblica não se citar alguma passagem que fale sobre isso).

O mito da superioridade é o grande lampejo de liberdade humana e o momento fundante de sua destruição.

Viva a MJ este arauto dos novos tempos… que matou a vida mórbida de quem sua arte “explosiva” tocou. Neste mundo individualista ao extremo só nossa própria morte pode nos chocar… E chocar parece ser uma das únicas formas de tirar o homem do véu negro que tampa seus olhos para a vida…
Sou uma mente, raconal-descrente, infame-doente, um louco, tolo, minto, falo mais do que faço, mas faço o que ninguém faz pois sou único, como todas as pessoas e “coisas” do mundo deveriam ser… mas tudo é conceito, categoria e as pessoas massas… Que almejam ter seus sentimentos de vazio e solidão, por esta vida estéril viverem, apaziguados. Por uma arte enlatada de fácil assimilação. Pois amanhã às 7 da manhã o capitalismo, esta transformação do mundo numa pedraria-maquinal, nos desperta para que possamos manter esta forma de vida espetacular… que nos leva ao ápice da humanidade… esta vida insossa e “feliz”.

2 07 2009
Guilherme Patriota

nossa!
putz, muito boa a discussão gerada por Franzé. gostaria que outras pessoas também se colocassem, instigassem novas visões, ou velhas visões em desuso e que são tão necessárias ao nosso tempo. vivemos apenas um principio e parece que todos já estão acomodados para o final.
acredito muito nas modificações que são geradas a partir de relações artísticas, pois o viés de incomodo por vezes gerada pela arte consome nosso juizo, abrindo novas portas de percepção. é uma pena que arte tenha se transformado tanto em entretenimento, em pilula de escapa, fuga da realidade. na verdade ela é, ainda, um cheirinho de possibilidade real.
firmeza e abraços

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