Parte III (e final) – A Nova Cara da Música Mineira
“O tempo é curto para o que você quer ser”
Por Helayne Cândido
Quando me propus a escrever esse especial em três partes sobre a “a nova cara da musica mineira”, queria terminar com um som que estou sempre em total sintonia em suas mais variadas vertentes: o rock.
Nos últimos cinco anos há de se perceber que o rock nacional também sofreu forte influência do tal chamado indie rock, que de forma simplificada seria um estilo musical caracterizado por bandas que não são lançadas por grandes gravadoras, ou seja, alternativas ao grande mainstream. Essa tal alternatividade é que possibilita, pelo menos na maioria das bandas, a não perda de identidade do som e, por conseguinte, o “não perder das rédeas” do próprio trabalho por imposições de mercado, grandes gravadoras e afins. A grande explosão indie rocker surgiu em meados da década de 90, na Inglaterra, com bandas como Pavement (sou muito fã dessa!), Oasis, Blur, e gera reflexos até hoje nos anos 2000, com bandas como: The Strokes, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, The Raconteurs, The White Stripes, The Kooks e tantas outras que, se eu fizer uma lista, dá-lhe ad infinutum nela.
Em se falando de indie rock tupiniquim, podemos citar bandas como: Forgotten Boys, Supercordas, Superguidis, Walverdes e tantas outras. Mas, e Minas Gerais, hein?! A-Há! Eu já tenho uma banda de indie rock mineira preferida e se chama monno (assim mesmo, com letra minúscula), que é formada por Miari (vocal e guitarra), Coelho (guitarra), Euler (baixo) e Koala (bateria) e é um bom exemplo dessa influência no rock nacional. Com apenas três anos de existência, já possuem uma bagagem contando com dois EP’s, um Single Virtual e um DVD. O primeiro disco, lançado em 2006, abriu espaço para a banda em vários festivais (o grandioso Pop Rock Brasil, Calango, Bananada, Labpop, Gig Rock, Garimpo, Grito Rock), canais (MTV e Cultura), e páginas (Bizz e Rolling Stone) do país. No segundo disco, eles mostram que têm a energia necessária para continuar o movimento de expansão. O disco foi inteiramente produzido pela banda e masterizado pelo canadense Harris Newman, que já trabalhou com vários grupos bacanas do seu país, incluindo o Arcade Fire. As gravações começaram em junho de 2007 e, após nove meses, o CD foi lançado. Foi feito também um registro em vídeo, com alguns trechos disponíveis na internet e a versão completa em DVD, que saiu em edição limitada junto com o disco.
Em seu primeiro trabalho, homônimo logo na primeira faixa, “Silêncio”, o vocalista Bruno deixa claro: “O tempo é curto para o que você quer ser”. Passeamos freneticamente entre as sensações de euforia e depressão por todo o CD. As guitarras de “A Falta” e “#1” colam de forma imediata. Entre as melodias tristes e bonitas, como “Nada demais” e “Lugar Algum”, percebemos a estampa indie impressa. As duas últimas faixas, “Quem Sabe” e “Um dia”, caminham entre os dois extremos. Limpas ou sujas, com muitas distorções, as guitarras nos convidam a ver no comum beleza.
No segundo trabalho a sensação das músicas é como estar em alta velocidade junto à banda, numa montanha russa onde só existe o AGORA. Não é a toa que este é o título do trabalho. O resultado são faixas bem dançantes como “Enquanto o Mundo Dorme”, “Carta Pra Depois” e “Acontece”, e para momentos mais calmos faixas como “O Pouco Que Eu Quis” e “As Pequenas Coisas” (adoro ir pra faculdade escutando essas).
Em entrevista, o vocalista Miari afirmou que a intenção era deixar o som da banda “esquisito” como o das bandas canadenses, aliás, ele próprio afirma que uma de suas grandes referências é a banda Pedro The Lion (http://www.myspace.com/pedrothelion), que por sinal é muuuuiiitooo boa! E percebe-se logo de cara a forte influência dessa banda no atual som de monno, mas não acredito que este chega a causar “estranhamento” em sentido negativo. Pelo contrário, reafirma que a monno amadureceu seu estilo em “Agora”, apresentando novidades: guitarras, baixo e bateria com visitas ocasionais de teclados, trompete e efeitos eletrônicos. Na última faixa, “21 Dias”, os versos de Miari deixam claro o caminho da banda: “Prefiro você a ficar em paz / o seu excesso, toda sua urgência / nunca é demais”, e é desse excesso de urgência de vida que a banda se reinventa e recria novas possibilidades para o rock nacional.
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Confira os vídeos do youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=wsAdEd2MxAM
http://www.youtube.com/watch?v=NxRLzSqqWSo
http://www.youtube.com/watch?v=V1DVuUWzvD4
http://www.youtube.com/watch?v=h-4yHUo4BkA
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Pra escutar:
Pra ver:
Pra baixar:
http://tramavirtual.uol.com.br/monno
Joaseiro.com
Veja os outros textos dessa série:
PARTE 1: http://joaseiro.com/2008/08/22/musica-mineira/
PARTE 2: http://joaseiro.com/2009/02/06/parte-ii-a-nova-cara-da-musica-mineira/

Hummm…é….meio sem sal, mas venhamos e convenhamos, Rock nunca foi o forte pelas bandas de Minas Gerais não… rsrsrs, levando em conta isso…até dá pra escutar, mas não é algo diria que vale a pena baixar… Coelho na guitarra e Koala na bateria é que achei engraçado. Essa banda tem futuro! Mas só se colocar Kastor nos vocais, e Eskilo no baixo!
Já sobre a idéia da trilogia, foi muito boa. Muito legal mesmo. Tu poderia arroxar o nó e desenvolver sobre o CE…hum? hum?
bjin.
; )
pra quem não gosta de indie rock não adianta, realmente não vai gostar da banda. e eu discordo em dizer que minas não é lugar de rock. não sou fã de “pato fu”, mas acho um bom exemplo (um dos melhores show da minha vida), e “sagrado coração da terra”? progressivo brasuca muito bem feito! enfim. e sobre o ceará, bem, ai vou ter que escutar mais coisas daqui, e seria bom que não fosse só da capital, saber o que tá rolando no resto do estado, mas ai seria uma pesquisa que teria que ter mais tempo, enfim, mas é uma boa! vou pensar a respeito, enquanto escrevo outras coisas, vou dando um sacada no som cearense…se por acaso você já tivé algo ai pra ir me passando seria uma boa! e obrigada pelo elgoio rafael! =)
abraços!
Helayne
Humm… É. Eu falei isso em relação a cenas como SP e Rio, onde se pode citar inúmeras bandas e não apenas exceções. E também comparando com a veia MPB mineira que é muito mais forte. Bandas de qualidade creio que todo Estado vai ter seu representante.
Não entendi também pq o rótulo Indie Rock para a banda Monno. Escutei pelos links e, achei pop rock, mão indie rock…mas… isso é sempre discutível.