Recordações

11 07 2009

Cidade de cor

Por Evelyn Onofre*,

Minha pequena cidade é colorida em tudo
Composta por cores quentes e vibrantes
O calor alaranjado do sol, a avermelhada dor do povo
Os muros pintados com as mãos,
São alegorizados por frases de palavras pequenas
Para tocar realmente quem se aproxima

Minha pequena cidade também tem um lado
Meio branco e preto, meio amarelado
Cores corroídas pelo tempo, e pelas mãos de novos jovens
São os mesmos lugares com as mesmas pessoas
As praças com os velhinhos da vida inteira – parece que não morrem nunca
Jogando dominó, porrinha, bebendo cachaça, fazendo poesia ou
Cantando a gafieira do Moreira, relembrando setembros passados

Minha pequena cidade também tem um lado só verde
Cheiro de árvores de troncos largos, cheiro do sul do estado, do sertão
Com velhos sítios cheios de armadores e com mesas grandes
Colheres de pau, caldeirões de sopa e pilão pra fazer paçoca
Mais atrás, no quintal, tem poleiro, varal, horta e sombra pra dedéu
Esse lugar é pra relembrar, com cheiro e tudo, a vida do nosso avô na terra ou no céu

Minha cidade tem cor de saudade, coisa mesmo de interior
De amigos que vão e voltam, só pra reviver a mesmice
É o primeiro nome da lista de viagens cheias de ansiedade
Principalmente em julho, mês do clima bom pra chegar mais perto
E enquanto não voltamos, ficamos aqui, só resmungando, não que seja ruim
Mas a cidade da nossa infância, geralmente é mais querida, mais saudosa

Minha cidade tem o céu mais azul, as nuvens mais brancas
A lua é tão cheia de vida que dá até pra ver São Jorge no cavalo
O calor mais quente e o frio tão atraente
Minha cidade é mesmo de cor, cor dos que voltam sempre
Cheia de verde, cheia de rosa, cheia de água, mas nada de mar
Cidade sem cartão-postal, mas com visita garantida dos que regressam

Sítio no Conjunto Cohabece

Sítio no Conjunto Cohabece (Evelyn Onofre)

Clique na imagem para ampliar.

Joaseiro.com

* Texto e fotografia enviados pela leitora, estudante de comunicação social, fotógrafa e hoje residente em Fortaleza – CE.

Cidade de cor

Minha pequena cidade é colorida em tudo

Composta por cores quentes e vibrantes

O calor alaranjado do sol, a avermelhada dor do povo

Os muros pintados com as mãos,

São alegorizados por frases de palavras pequenas

Para tocar realmente quem se aproxima

Minha pequena cidade também tem um lado

Meio branco e preto, meio amarelado

Cores corroídas pelo tempo, e pelas mãos de novos jovens

São os mesmos lugares com as mesmas pessoas

As praças com os velhinhos da vida inteira – parece que não morrem nunca

Jogando dominó, porrinha, bebendo cachaça, fazendo poesia ou

Cantando a gafieira do Moreira, relembrando setembros passados

Minha pequena cidade também tem um lado só verde

Cheiro de árvores de troncos largos, cheiro do sul do estado, do sertão

Com velhos sítios cheios de armadores e com mesas grandes

Colheres de pau, caldeirões de sopa e pilão pra fazer paçoca

Mais atrás, no quintal, tem poleiro, varal, horta e sombra pra dedéu

Esse lugar é pra relembrar, com cheiro e tudo, a vida do nosso avô na terra ou no céu

Minha cidade tem cor de saudade, coisa mesmo de interior

De amigos que vão e voltam, só pra reviver a mesmice

É o primeiro nome da lista de viagens cheias de ansiedade

Principalmente em julho, mês do clima bom pra chegar mais perto

E enquanto não voltamos, ficamos aqui, só resmungando, não que seja ruim

Mas a cidade da nossa infância, geralmente é mais querida, mais saudosa

Minha cidade tem o céu mais azul, as nuvens mais brancas

A lua é tão cheia de vida que dá até pra ver São Jorge no cavalo

O calor mais quente e o frio tão atraente

Minha cidade é mesmo de cor, cor dos que voltam sempre

Cheia de verde, cheia de rosa, cheia de água, mas nada de mar

Cidade sem cartão-postal, mas com visita garantida dos que regressam


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2 respostas

11 07 2009
Sávio

Belíssimo, retrata bem o Juazeiro na visão dos que se retiram (temporariamente ou não) da cidade para seguir suas carreiras.

Atualmente, acho que Juazeiro tem a cor dos que saem pra não mais voltar. As pessoas saem para estudar, qualificarem-se, enfim, mas não retornam em definitivo à cidade, muito provavelmente porque as cidades para onde os juazeirenses foram (e há deles espalhados em todos os cantos, promovendo crescimento de todas as formas) possuem mais atrativos profissionais e em termos de qualidade de vida.

Espero que um dia Juazeiro tenha “a cor dos que voltam sempre”, pra ficar. Que ela se desenvolva, a ponto de ser capaz de merecer os talentos juazeirenses em definitivo. E que esses possam torná-la uma cidade cada vez melhor.

12 07 2009
José Gondim Lóssio Neto

Só elogios pra esse site cheio de matérias interessantes.
E fico mais orgulhoso ainda depois de ler esse texto da minha filha, que junto com seu irmão Joe e sua irmã Samantha só me trazem alegrias sem fim.
Eva, texto bastante saudoso e que bem retrata o interior. Parabéns!
Deus te abençoe e te ilumine sempre!!!

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