
Diante de todos as acusações de tráfico de influência, nepotismo e improbidade administrativa que pairam sobre o presidente do Senado, a opinião pública tem se dividido em dois lados: os que defendem o “Fora Sarney”, por motivos óbvios, e aqueles que estão adotando a inusitada estratégia do “Fica Sarney”. Estes últimos acreditam que, se o senador renunciar agora, as denúncias vão esfriar, não haverá investigação adequada e a renúncia da presidência acalmará os ânimos dos que querem punição para ele, que perderá o cargo na mesa diretora mas manterá seu mandato de senador e todas as influências que detém em ministérios e no próprio Senado Federal.
Nas palavras de Hamilto Octavio de Souza, da Caros Amigos, “A vida pregressa do senador Sarney vem desde os tempos em que ele fustigava os presidentes Getúlio Vargas, Juscelino e João Goulart; desde os tempos em que ele deu total apoio à Ditadura Militar; desde que ele instalou no Maranhão uma oligarquia sustentada na apropriação das terras, bens e dinheiro públicos, nas negociatas e no empreguismo de parentes e apaniguados. Nada disso é novidade, José Sarney já deveria ter sido varrido da vida pública há muitos anos.
A novidade está no fato de que o velho oligarca está sendo rifado pela sua turma da direita, pelos partidos conservadores que são porta vozes das elites e do capital privado, pela mídia neoliberal; e a novidade está no fato de que o velho oligarca tem sido defendido e preservado pelo presidente Lula e por setores do próprio PT, por pessoas cujas trajetórias políticas foram construídas no campo democrático e progressista.”
O que – acrescentamos – é lamentável. A posição de Lula e de setores do PT defendendo a permanência de Sarney diante de tantas evidências de quebra de decoro parlamentar é algo que seria inimaginável alguns anos atrás. Não se pode permitir que Sarney permaneça na presidência do Senado enquanto as representações contra ele no Conselho de Ética são apuradas, sob pena de ele conseguir usar do cargo para influenciar as decisões.
Fazemos dois últimos comentários: 1) Que Senado, hein! Se se confirmar a saída de Sarney da Presidência, ele será o quarto presidente do Senado, em menos de 10 anos, a sair do cargo para evitar a cassação (os outros foram Antônio Carlos Magalhães, Jáder Barbalho e Renan Calheiros). 2) Que fim de vida pública melancólico para Sarney! Apesar de ter exercido um governo ruim de 1985 a 1990, atualmente ele era até respeitado na sua posição de ex-Presidente da República que promoveu a transição do país para a democracia, por ser membro da Academia Brasileira de Letras, por sua idade, enfim. Agora conseguiu manchar de vez a sua biografia.
Joaseiro.com

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A vida pregressa do senador Sarney vem desde os tempos em que ele fustigava os presidentes Getúlio Vargas, Juscelino e João Goulart; desde os tempos em que ele deu total apoio à Ditadura Militar; desde que ele instalou no Maranhão uma oligarquia sustentada na apropriação das terras, bens e dinheiro públicos, nas negociatas e no |
empreguismo de parentes e apaniguados. Nada disso é novidade, José Sarney já deveria ter sido varrido da vida pública há muitos anos. A novidade está no fato de que o velho oligarca está sendo rifado pela sua turma da direita, pelos partidos conservadores que são porta vozes das elites e do capital privado, pela mídia neoliberal; e a novidade está no fato de que o velho oligarca tem sido defendido e preservado pelo presidente Lula e por setores do próprio PT, por pessoas cujas trajetórias políticas foram construídas no campo democrático e progressista. |
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