Um fim de vida pública melancólico

23 07 2009

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Diante de todos as acusações de tráfico de influência, nepotismo e improbidade administrativa que pairam sobre o presidente do Senado, a opinião pública tem se dividido em dois lados: os que defendem o “Fora Sarney”, por motivos óbvios, e aqueles que estão adotando a inusitada estratégia do “Fica Sarney”. Estes últimos acreditam que, se o senador renunciar agora, as denúncias vão esfriar, não haverá investigação adequada e a renúncia da presidência acalmará os ânimos dos que querem punição para ele, que perderá o cargo na mesa diretora mas manterá seu mandato de senador e todas as influências que detém em ministérios e no próprio Senado Federal.

charge3 Nas palavras de Hamilto Octavio de Souza, da Caros Amigos, “A vida pregressa do senador Sarney vem desde os tempos em que ele fustigava os presidentes Getúlio Vargas, Juscelino e João Goulart; desde os tempos em que ele deu total apoio à Ditadura Militar; desde que ele instalou no Maranhão uma oligarquia sustentada na apropriação das terras, bens e dinheiro públicos, nas negociatas e no empreguismo de parentes e apaniguados. Nada disso é novidade, José Sarney já deveria ter sido varrido da vida pública há muitos anos.

A novidade está no fato de que o velho oligarca está sendo rifado pela sua turma da direita, pelos partidos conservadores que são porta vozes das elites e do capital privado, pela mídia neoliberal; e a novidade está no fato de que o velho oligarca tem sido defendido e preservado pelo presidente Lula e por setores do próprio PT, por pessoas cujas trajetórias políticas foram construídas no campo democrático e progressista.”

O que – acrescentamos – é lamentável. A posição de Lula e de setores do PT defendendo a permanência de Sarney diante de tantas evidências de quebra de decoro parlamentar é algo que seria inimaginável alguns anos atrás. Não se pode permitir que Sarney permaneça na presidência do Senado enquanto as representações contra ele no Conselho de Ética são apuradas, sob pena de ele conseguir usar do cargo para influenciar as decisões.

Fazemos dois últimos comentários: 1) Que Senado, hein! Se se confirmar a saída de Sarney da Presidência, ele será o quarto presidente do Senado, em menos de 10 anos, a sair do cargo para evitar a cassação (os outros foram Antônio Carlos Magalhães, Jáder Barbalho e Renan Calheiros). 2) Que fim de vida pública melancólico para Sarney! Apesar de ter exercido um governo ruim de 1985 a 1990, atualmente ele era até respeitado na sua posição de ex-Presidente da República que promoveu a transição do país para a democracia, por ser membro da Academia Brasileira de Letras, por sua idade, enfim. Agora conseguiu manchar de vez a sua biografia.

Joaseiro.com

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Charges: www.forasarney.com

A vida pregressa do senador Sarney vem desde os tempos em que ele fustigava os presidentes Getúlio Vargas, Juscelino e João Goulart; desde os tempos em que ele deu total apoio à Ditadura Militar; desde que ele instalou no Maranhão uma oligarquia sustentada na apropriação das terras, bens e dinheiro públicos, nas negociatas e no

empreguismo de parentes e apaniguados. Nada disso é novidade, José Sarney já deveria ter sido varrido da vida pública há muitos anos.

A novidade está no fato de que o velho oligarca está sendo rifado pela sua turma da direita, pelos partidos conservadores que são porta vozes das elites e do capital privado, pela mídia neoliberal; e a novidade está no fato de que o velho oligarca tem sido defendido e preservado pelo presidente Lula e por setores do próprio PT, por pessoas cujas trajetórias políticas foram construídas no campo democrático e progressista.





Jereissati tem sonhos e esperanças, mas está com muitos medos, do passado, presente e futuro

23 07 2009

Em 2001, governador, faliu o Banco do Ceará. Foi processado. Em 2002, eleito senador, o processo foi engavetado, não se movimentou até hoje, quase 7 anos. Isso no Supremo.

Seu mandato acaba em 2010, junto com a ex-do Ciro (ela não se reelege, deve ser candidata a deputado), corre perigo. Daí a fúria sanguinária contra a Petrobras. Esta é a sua alavanca eleitoral, mas os adversários são a prefeita (reeeleita) Luizianne Lins e o ex-Ministro Eunício Oliveira.

Há também o componente do ódio. (Guardado no freezer, como dia Tancredo Neves). O ocupante de uma das mais importantes diretorias da Petrobras (a Transpetro) é Sergio Machado, ex-amigo e ex-senador, agora irreconciliáveis.

Sergio machado foi indicado para essa poderosa Transpetro pelo senador Renan Calheiros. E apesar de toda a reviravolta que houve na Petrobras e no Senado, o indicado de Renan continua cada vez mais forte e intocado.

Esse prestígio do ex-amigo, Jereissati não pode suportar. Houve um tempo em que no Ceará existia um trio invencível, que dominava o estado do ponto de vista municipal, estadual e federal: Jereissati – Ciro Gomes – Sergio Machado. Os três intocáveis, invencíveis, irrefutáveis. Ciro foi governador, Jereissati governador, quando chegou a vez de Sergio ser governador, os dois se voltaram contra ele.

Não só não foi governador, como não teve legenda para se reeleger no Senado, seu mandato acabou. Foi apadrinhado, protegido e amparado por Renan Calheiros.

Jereissati sempre desejou a glória, o pedestal, achava que tinha direitos aos seus quinze minutos de fama, mas não só não sabia como reivindicá-los, como não tinha a menor idéia de quem fosse Andy Warhol e o que representava.

No Ceará, ninguém sabia quem era Tasso Jereissati, todos conheciam e admiravam Edson Queiroz. E a única hipótese do “rei do gás” admiti-lo foi como aconteceu, sobre isso não tinha o menor controle.

Edson Queiroz viveu pouco, um desastre de avião. Se tivesse vivido mais tempo, teria constatado que nada era a sua intuição e observação e sim realidade pressentida. Jereissati é um desastre, embora se julgue cada vez mais homem insubstituível quando é apenas insuportável.

Jereissati hoje é um homem dominado pelo medo. Do processo no Supremo, pela falência do Banco do Estado do Ceará. (Apesar da força que o Ministro Gilmar fez para alertá-lo, chegando a se arriscar indo ao Ceará e se hospedando no hotel luxuoso da família-empresa).

Teve medo do processo no qual tentava salvar Jereissati pessoal, com a firma da qual Jereissati era o maior acionista. Teve sorte. O relator, Joaquim Barbosa, depois de massacrá-lo, mandou arquivar o processo.

*  *  *

PS- Tem medo que a Petrobras ou a Petrobras pré-sal mergulhem-no na profundidade em que sabem que ele também tem grande conhecimento, só que é uma profundidade pessoal e intransferível.

PS2- Finalmente, tem medo que Sergio Machado venha a ser testemunha, provocando o último e o mais terrível de seus medos: a perda do mandato e o mergulho no ostracismo do qual jamais saiu. Embora pense (?) rigorosamente o contrário.

Helio Fernandes

Fonte: www.tribunadaimprensa.com.br





Coisas surrealistas que só acontecem no Brasil – II

23 07 2009

1 – Uma governadora de estado (RS) chama professores de torturadores. (Leia mais em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u595934.shtml)

2- Governo continuava pagando pela CPMF mesmo após um ano e meio da sua extinção (Leia mais em: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/07/18/governo-lula-ainda-paga-cpmf-em-seus-contratos-206271.asp)

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