Poema da Semana

6 09 2009

Por Franzé Matos

Desligado de tudo estou

Sou um contato raro com o fundo

Desnudo de tu estou

Escrevo as loucuras do mundo

Sou a voz que se cala

Quando tu fala

Não o tu outro

Mas tu que tem fala

Que me cala, que me prende

Descrente que ainda existo

Sou teu interior

Puro torpor em revolução

Degeneração do que sempre vias

Pois tudo é aparente

Dormente segues

Se assim não te guias

Pergunta-me e te respondo

Da-me a mão e te dou um beijo

Mas basta um lampejo

Gracejo de mentiras

E por tempos não te vejo

Mas a vida é reação

Que por me esquecer

Faz-te  a cada golpe sofrer

Por buscar verdades

Nas mentiras

Talhadas a sangue, fé e fogo

Mito,religão e filosofia

As feridas que viram

cicatrizes da guerra interior

Que saram sem nunca desaparecer

Pois basta o medo aparecer

E sempre estarei lá

“Vem! Sou teu amigo”

Joaseiro.com


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2 respostas

11 09 2009
Guilherme Patriota

realmente tudo é aparente. mas como diz a poesia “meu medo, seu medo, não vamos nos entregar!” vejo que não há entrega se o medo for coletivo, quando se tem amigos verdadeiros, que por mais desgraça que veja no outro se mantem fiel, há sobrevivência, há esperança. é bom estar no fundo, mas não sempre, pois é humanamente vital ir a superficie e respirar. e é importante ser humano, até demasiado humano.
abraços,
Guilherme.

15 09 2009
franzeh

Tudo é aparente de fato, mas estamos tão mergulhados no vórtice dessas representações que não lidamos mais com representações, mas com nossa própria verdade. Nunca na história foi diferente há um processo eterno de produção e perenização de culturas. A diferença, Hoje, é que o processo de formação e produção cultural se intesifica com todo um aparato divulgador descomunal e nunca visto na história.
Já não discutimos as bases de onde partimos, mas o resultado puro e simples de onde partimos. Tudo que hoje produzimos é em, grande medida, expressão e produto do tempo que nós vivemos. Um tempo de grandes populações, de pulverização, de “pós-modernidade”, mas também, (muitos esquecem, a maioria,) tão iguais por vivermos quase os 6 bilhões sob a égide de mesmo pólos culturais norteadores, a saber, o principal, o capitalismo.
Não que o capitalismo seja o cancer do mundo, mas apenas expressão da sociedade de nossa época, na sua grandiosa e conquistada liberdade individual prefere, pois, apagar-se, limitar-se, deixar-se levar, em partes, a viver fora das benesses fantásticas dos nossos tempos.

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