Desligado de tudo estou
Sou um contato raro com o fundo
Desnudo de tu estou
Escrevo as loucuras do mundo
Sou a voz que se cala
Quando tu fala
Não o tu outro
Mas tu que tem fala
Que me cala, que me prende
Descrente que ainda existo
Sou teu interior
Puro torpor em revolução
Degeneração do que sempre vias
Pois tudo é aparente
Dormente segues
Se assim não te guias
Pergunta-me e te respondo
Da-me a mão e te dou um beijo
Mas basta um lampejo
Gracejo de mentiras
E por tempos não te vejo
Mas a vida é reação
Que por me esquecer
Faz-te a cada golpe sofrer
Por buscar verdades
Nas mentiras
Talhadas a sangue, fé e fogo
Mito,religão e filosofia
As feridas que viram
cicatrizes da guerra interior
Que saram sem nunca desaparecer
Pois basta o medo aparecer
E sempre estarei lá
“Vem! Sou teu amigo”
Joaseiro.com
realmente tudo é aparente. mas como diz a poesia “meu medo, seu medo, não vamos nos entregar!” vejo que não há entrega se o medo for coletivo, quando se tem amigos verdadeiros, que por mais desgraça que veja no outro se mantem fiel, há sobrevivência, há esperança. é bom estar no fundo, mas não sempre, pois é humanamente vital ir a superficie e respirar. e é importante ser humano, até demasiado humano.
abraços,
Guilherme.
Tudo é aparente de fato, mas estamos tão mergulhados no vórtice dessas representações que não lidamos mais com representações, mas com nossa própria verdade. Nunca na história foi diferente há um processo eterno de produção e perenização de culturas. A diferença, Hoje, é que o processo de formação e produção cultural se intesifica com todo um aparato divulgador descomunal e nunca visto na história.
Já não discutimos as bases de onde partimos, mas o resultado puro e simples de onde partimos. Tudo que hoje produzimos é em, grande medida, expressão e produto do tempo que nós vivemos. Um tempo de grandes populações, de pulverização, de “pós-modernidade”, mas também, (muitos esquecem, a maioria,) tão iguais por vivermos quase os 6 bilhões sob a égide de mesmo pólos culturais norteadores, a saber, o principal, o capitalismo.
Não que o capitalismo seja o cancer do mundo, mas apenas expressão da sociedade de nossa época, na sua grandiosa e conquistada liberdade individual prefere, pois, apagar-se, limitar-se, deixar-se levar, em partes, a viver fora das benesses fantásticas dos nossos tempos.