Data Venia (ou, com o devido respeito)

17 10 2009

Pela falta de postagens desde o dia 03 deste mês devemos uma sucinta explicação. Primeiramente, gostaríamos de pedir desculpas a todos os leitores, sabemos o quanto são importantes para nós (ver a página Leitores) e agradecemos efusivamente esta amizade fiel para com o blog. Porém, o Joaseiro.com é editado por dois jovens universitários em tempo de concluir os respectivos cursos, um em Medicina, outro em Jornalismo (sim, aqui tem “diproma”) e Sociologia. Com os horários sempre aturdidos, temos deixado a contragosto nossas atividades no Joaseiro.com para nos concentrarmos às nossas próprias.

Sem fins lucrativos, promocionais, partidários ou de qualquer sorte senão o próprio esclarecimento e exercício crítico sobre acontecimentos do cotidiano, continuaremos nesta saga mesmo com todas as dificuldades. Queríamos reforçar que também abrimos espaço para artigos e matérias dos nossos leitores e colaboradores. Contamos com mais de 100 visualizações diárias, e deixamos ao fim de cada texto o nome, ocupação e o contato da pessoa que o escreveu. Para os que querem exercer o livre direito ao jornalismo crítico e sem comprometimentos, está aberta essa oportunidade – ainda mais que agora o cariri irá ganhar seu curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, para os futuros talentos. Para tanto, basta enviar sua notícia, matéria, artigo, entrevista ou reportagem para o seguinte endereço: joaseiro@yahoo.com.br

Notas ou mesmo publicidade de eventos e programação cultural também são aceitas. Podem mandar o conteúdo que a gente burila a forma. Seja com o atraso que for (e esperamos que de poucos dias).

Um abraço!

Os Editores.

Fonte da Tirinha: Malvados.com.br





Que os abstêmios perdoem, mas…

20 09 2009

Beber faz bem

(19.8.2009)
Braulio Tavares


Uma das melhores coisas da vida é beber; uma das piores é ficar bêbado. Isto posto, espero que os abstêmios perdoem a singeleza deste título. Culpar somente a bebida pelos despautérios dos bêbados é tão ingênuo quanto atribuir a ela as qualidades dos romances de Hemingway ou de Lima Barreto. A bebida não cria nada de bom nem nada de mau em nós; apenas potencializa o que já temos. A bebida, em excesso, apenas atordoa, desorganiza, embrutece. A bebida, na medida certa, apenas inebria, congraça, arrebata e pacifica. Segundo Henry James, “a sobriedade reduz, discrimina e diz não, enquanto que a embriaguez expande, unifica e diz sim”.

Existe uma equação que os grandes boêmios dominam intuitivamente. É preciso beber até atingir um certo estado de euforia. Uma vez atingido este estado, basta diminuir o ritmo de absorção, mas continuar bebendo de pouquinho, a intervalos, para que o estado se mantenha. Esta é a parte mais difícil. A euforia produzida pelo primeiro assomo do álcool é tão agradável que em geral perdemos o ponto e carregamos na mão. O entusiasmo nos faz beber em maior velocidade do que o necessário, e acabamos com a boca torta, o olho torto, a rua torta, e até o táxi parece estar andando em duas rodas como um Simca Tufão.

Uma sábia invenção dos que bebem vinho foi a idéia de alterná-lo com água. A intenção é hidratar, mas psicologicamente acaba tendo um efeito de retardamento da embriaguez. Quem gosta de beber conversando, como eu, recorre de vez em quando ao copo para molhar a garganta e lubrificar as idéias. Ora – uma coisa é pegar dez vezes a taça de vinho, outra coisa é pegar cinco vezes na de vinho e cinco na de água. Eis o pulo do gato. (Claro que, se o sujeito é pinguço mesmo, ele vai tomar uma garrafa de vinho em uma hora, e não tem água que o recupere, mas aí eu não tenho jeito a dar.) Esta medida é tão providencial que resolvi adotá-la também para outras bebidas. Depois do quinto ou sexto chope, começo a alternar os chopes com garrafinhas de mineral com gás. É o quanto basta, em geral, para manter o inebriamento e me permitir, no fim, calcular minha parte na conta.

Henry James estava certo no que afirmou acima, mas os bebedores profissionais sabem muito bem que a euforia alcoólica é geradora de fantasias panteístas. Quando a farra está boa, viramos amigos de todo mundo, fazemos juras e promessas, assumimos compromissos que no dia seguinte vêm bater à nossa porta ou fazer latejar nossas meninges. Dizem que F. Scott Fitzgerald, que davas festas de arromba na sua casa em Great Neck, mantinha na entrada dela um cartaz enorme dizendo: “Solicita-se aos visitantes que não arrombem portas de armários em busca de bebida, mesmo quando autorizados a tanto pelos donos da casa. Hóspedes que vieram passar o fim de semana ficam respeitosamente prevenidos de que convites para ficar até segunda-feira, feitos pelos anfitriões na madrugada de domingo, não devem ser levados a sério”.

Fonte: www.jornaldaparaiba.com.br

Comentário: que este post esteja na categoria Esportes é somente uma ironia, favor não levar tão a sério quanto o faria com o cartaz na casa dos Fitzgerald.





Círculo Vicioso

7 09 2009

Por Ivone Boechat

Um dia, milhões de bebês choraram na liberdade uterina do milagre da vida: nasceram. Não vestiram seus corpos, não lhes calçaram sapatos nem lhes deram o conforto do seio materno, antes da posse do sonho infantil, foram rejeitados, ao rigor do abandono.

Um dia, mãozinhas trêmulas, inseguras, sem afeto, bateram na porta do vizinho, procurando abrigo. Não havia ninguém ali para oferecer afeto nem portas havia na pobreza do lado. O menino escorregou na direção da rua.
Um dia, a criança anêmica foi eleita à marginalidade da escura noite e disputava papelões e pães no lixo do depósito público. Aos tapas, cresceu como grão perdido no vão das pedras, sem a mínima possibilidade de sobreviver: sem teto, sem luz, sem chão.

Um dia, o adolescente esperto teve alucinações de vida e o desejo de conferir a sociedade: candidatou-se à luta amarga do subemprego. Alvejado pela falta de habilitação, foi condenado como vagabundo, recebendo etiqueta oficial de mendigo.

Um dia, o adulto desiludido, amargurado, sem emprego, sem referencial, saiu à procura do amor. No escuro, mas cheio de esperanças, foi colecionando portas fechadas pelo caminho. Sem Deus, sem nome, sem avalista, sem discurso, acreditou no “slogan”  das campanhas sociais.

Um dia, o menino mal nascido, mal amado, mal educado, não soube cuidar do filho que nem chegou a ver. Não ouviu seu choro. Imaginou apenas que, após nove meses de duríssima gestação, alguém brotara de um rápido encontro, irresponsável, assustado e vazio que sempre ouviu dizer que se chamava amor.

Ivone Boechat é PhD em Psicologia da Educação, Conferencista Internacional,

autora de 17 livros e colabora frequentemente com o Joaseiro.com

Site da autora: www.ivoneboechat.com.br





A farsa das mudanças que nunca mudam

9 08 2009

Por Carlos Chagas

Do fundo  do tiroteio verificado esta semana no Senado emerge uma farsa. Os partidários do afastamento do senador José Sarney sustentam que nenhuma mudança  acontecerá  nas estruturas da instituição  caso o seu presidente não se licencie ou renuncie. Sua presença seria fator de constrangimento e de imobilidade.

Os defensores da permanência  de Sarney argumentam  que as mudanças já estão em curso, promovidas pelo próprio presidente do Senado, como a extinção dos atos secretos, a limitação do  uso de passagens aéreas gratuitas e  as demissões de funcionários efetuadas sob a égide do nepotismo.

Com todo o respeito,   tanto  uns quanto  outros encenam a farsa das mudanças que nada mudam. Porque para recuperar sua imagem e voltar a prestar serviços ao país  o Senado precisaria mudar muito mais.   Descer às raízes das lambanças, começando por acabar com a triste figura dos suplentes sem voto, hoje numerosos e, sem coincidência,  os que mais se valem de benefícios irregulares. Caso um senador renuncie, morra ou se torne impossibilitado de exercer suas funções, deveriam ser convocadas novas eleições para a  vaga, em tempo recorde, em seus estados.

Tão importante quanto essa proposta seria a de que os senadores não teriam direito a verbas de representação, em especial para enfrentar despesas fora de Brasília.   Haveria, também, que limitar o número de  assessores e funcionários de gabinete ao mínimo possível.   Da mesma forma, denunciar todos os contratos de terceirização que não fossem essenciais, em especial os de prestação de serviços variados.  Ao mesmo tempo, levantar o sigilo bancário, telefônico e fiscal de todos os senadores, imediatamente diplomados. Outra mudança: colocar em disponibilidade ou demitir os funcionários considerados supérfluos, obrigando a indenizar os cofres públicos quantos comprovadamente recebiam vencimentos  sem trabalhar ou comparecer.

Mas tem  muito  mais e mais profundo: transformar o Senado em casa revisora, ficando a iniciativa dos projetos de lei com a Câmara dos Deputados. Reduzir de três para dois os senadores por estado e distrito federal. Proibir a reeleição para cargos na mesa e na presidência das comissões enquanto durarem seus mandatos. Dar aos presidentes do Senado a prerrogativa de devolver liminarmente ao Executivo todas as medidas provisórias carentes do caráter de urgência  e relevância. Estabelecer apenas um  recesso parlamentar por ano, em janeiro, mas só se  iniciando  quando não houver mais em pauta um só projeto a ser discutido e votado. Vetar o pagamento de despesas  pelos cofres públicos de   viagens de senadores ao exterior, sem exceção.  Realizar sessões de votação todos os dias da semana, menos aos domingos. Impedir o pagamento com dinheiro da casa  de despesas médicas para familiares dos senadores. Estabelecer o princípio da não-reeleição para os que tiverem completado dois mandatos. Extinguir a frota de carros oficiais postos à disposição dos senadores, exceção do presidente, mas apenas para representações oficiais. Acabar com o auxílio-moradia para todos, mantendo apenas as  residências  funcionais  e a mansão  do presidente, ainda que com  despesas de rotina arcadas pelos próprios.

Há muito mais a mudar, importando menos se com Sarney ou sem Sarney, mas a pergunta que fica é simples: quando acontecerão as mudanças fundamentais?  No dia em que o Sargento Garcia prender o Zorro…

Fonte: www.tribunadaimprensa.com.br





Jereissati tem sonhos e esperanças, mas está com muitos medos, do passado, presente e futuro

23 07 2009

Em 2001, governador, faliu o Banco do Ceará. Foi processado. Em 2002, eleito senador, o processo foi engavetado, não se movimentou até hoje, quase 7 anos. Isso no Supremo.

Seu mandato acaba em 2010, junto com a ex-do Ciro (ela não se reelege, deve ser candidata a deputado), corre perigo. Daí a fúria sanguinária contra a Petrobras. Esta é a sua alavanca eleitoral, mas os adversários são a prefeita (reeeleita) Luizianne Lins e o ex-Ministro Eunício Oliveira.

Há também o componente do ódio. (Guardado no freezer, como dia Tancredo Neves). O ocupante de uma das mais importantes diretorias da Petrobras (a Transpetro) é Sergio Machado, ex-amigo e ex-senador, agora irreconciliáveis.

Sergio machado foi indicado para essa poderosa Transpetro pelo senador Renan Calheiros. E apesar de toda a reviravolta que houve na Petrobras e no Senado, o indicado de Renan continua cada vez mais forte e intocado.

Esse prestígio do ex-amigo, Jereissati não pode suportar. Houve um tempo em que no Ceará existia um trio invencível, que dominava o estado do ponto de vista municipal, estadual e federal: Jereissati – Ciro Gomes – Sergio Machado. Os três intocáveis, invencíveis, irrefutáveis. Ciro foi governador, Jereissati governador, quando chegou a vez de Sergio ser governador, os dois se voltaram contra ele.

Não só não foi governador, como não teve legenda para se reeleger no Senado, seu mandato acabou. Foi apadrinhado, protegido e amparado por Renan Calheiros.

Jereissati sempre desejou a glória, o pedestal, achava que tinha direitos aos seus quinze minutos de fama, mas não só não sabia como reivindicá-los, como não tinha a menor idéia de quem fosse Andy Warhol e o que representava.

No Ceará, ninguém sabia quem era Tasso Jereissati, todos conheciam e admiravam Edson Queiroz. E a única hipótese do “rei do gás” admiti-lo foi como aconteceu, sobre isso não tinha o menor controle.

Edson Queiroz viveu pouco, um desastre de avião. Se tivesse vivido mais tempo, teria constatado que nada era a sua intuição e observação e sim realidade pressentida. Jereissati é um desastre, embora se julgue cada vez mais homem insubstituível quando é apenas insuportável.

Jereissati hoje é um homem dominado pelo medo. Do processo no Supremo, pela falência do Banco do Estado do Ceará. (Apesar da força que o Ministro Gilmar fez para alertá-lo, chegando a se arriscar indo ao Ceará e se hospedando no hotel luxuoso da família-empresa).

Teve medo do processo no qual tentava salvar Jereissati pessoal, com a firma da qual Jereissati era o maior acionista. Teve sorte. O relator, Joaquim Barbosa, depois de massacrá-lo, mandou arquivar o processo.

*  *  *

PS- Tem medo que a Petrobras ou a Petrobras pré-sal mergulhem-no na profundidade em que sabem que ele também tem grande conhecimento, só que é uma profundidade pessoal e intransferível.

PS2- Finalmente, tem medo que Sergio Machado venha a ser testemunha, provocando o último e o mais terrível de seus medos: a perda do mandato e o mergulho no ostracismo do qual jamais saiu. Embora pense (?) rigorosamente o contrário.

Helio Fernandes

Fonte: www.tribunadaimprensa.com.br





13 de Julho, Dia Mundial do Rock.

13 07 2009

Live Aid e o Dia Mundial do Rock

A maioria das datas importantes celebradas em nosso calendário requer uma reflexão sobre os acontecimentos que norteiam essa ostentação, fazendo com que nos debrucemos aos fatos e busquemos através da história a origem do dia comemorativo.


Por Alexandre Saggiorato | Em 12/07/09 | do site Whiplash.net

Como o dia mundial do rock aproxima-se, nada melhor do que explorar esse tema tão envolvente e importante para o mundo da música jovem. O rock originou-se nos Estados Unidos na década de 1950 e ganhou o mundo a partir daí, passando por diversas modificações sonoras e visuais. Mas é importante ressaltar que o dia mundial do rock não é apenas um dia estipulado por sua música ou pela mídia, mas também pelo seu envolvimento político e social que crescia a cada década e que foi simbolizado durante o festival de rock LIVE AID, realizado em 1985.

BOB GELDOF, compositor, humanista e vocalista da banda BOOMTOWN RATS, idealizou juntamente com MIDGE URI o evento que foi realizado no dia 13 de julho de 1985. O concerto aconteceu simultaneamente nos estádios JFK na Filadélfia nos Estados Unidos e no estádio Wembley em Londres na Inglaterra, e contou com a presença de diversos artistas, entre eles: STATUS QUO, Led Zeppelin, DIRE STRAITS, MADONNA, QUEEN, JOAN BAEZ, DAVID BOWIE, B. B. KING, MICK JAGGER, STING, U2, PAUL MCCARTNEY e PHIL COLLINS que curiosamente conseguiu tocar nos dois estádios, embarcando em um avião rapidamente após o show na Inglaterra rumo aos EUA.

O evento teve como objetivo principal e utópico, o fim da fome na Etiópia e foi transmitido pela BBC para diversos países. ERIC CLAPTON que também se apresentou no festival comentou em sua autobiografia sobre os momentos que antecederam sua apresentação no festival: “Nos hospedamos no Four Seasons Hotel, onde cada quarto estava ocupado por músicos. Era a Music City, e como a maioria das pessoas, fiquei acordado a maior parte da noite na véspera do concerto. Não pude dormir de nervoso. Deveríamos subir ao palco ao anoitecer, e fiquei assistindo às apresentações dos outros músicos na TV durante a maior parte do dia, o que provavelmente foi um erro psicológico”.

Como podemos notar nas palavras de Clapton o festival foi muito importante e tomou uma proporção monstruosa devido à diversidade de artistas a se apresentar, sem contarmos a responsabilidade dos músicos envolvidos em um projeto grandioso como esse. Para termos uma idéia, alguns artistas ainda se apresentaram em Moscou, Sidney e Japão.

Após 20 anos do evento, BOB GELDOF realizou em julho de 2005 o LIVE 8, uma espécie de “nova edição”, onde pôde contar com uma estrutura ainda maior, além da colaboração de inúmeros músicos para a solidificação de suas idéias, às quais, ainda se fundamentam em pressionar os principais líderes mundiais (o G8) para perdoar a dívida externa das nações mais pobres do mundo. Além disso, GELDOF firma-se na proposta de liberdade, ensino, cuidados médicos básicos para todas as crianças, remédios para portadores de AIDS, entre outras metas, que se depender de seu empenho, serão no mínimo amenizadas ou repensadas pelos líderes mundiais.

Fonte: Whiplash.net

***

Obs: Em virtude deste dia vamos postar, por toda esta semana, matérias relacionadas, vídeos e letras de bandas clássicas do tão aplaudido e eterno Rock And Roll. Em lugar de bandas de Forró de Plástico e letras de conteúdo sem relevância, esta homenagem à eminência de um estilo musical que se firmou pelo som forte e envolvente aliado à poesia e engajamento político e social de suas letras é de grande merecimento neste blog que tem por uma de suas metas a mudança na consciência política do nosso povo. Certamente, uma música que se tornou conhecida por méritos reconhecidos e relembrados ano após ano em nome de uma causa que, embora utópica, é um pouco o “Imagine” de todos nós.

Imagine
John Lennon
Imagine
John Lennon
Imagine there’s no heaven,
It’s easy if you try,
No hell below us,
Above us only sky,
Imagine all the people
living for today…

Imagine there’s no countries,
It isnt hard to do,
Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the people
living life in peace…

Imagine no possessions,
I wonder if you can,
No need for greed or hunger,
A brotherhood of men,
imagine all the people
Sharing all the world…

You may say I’m a dreamer,
but Im not the only one,
I hope some day you’ll join us,
And the world will live as one

Imagine que não exista nenhum paraíso,
É fácil se você tentar.
Nenhum inferno abaixo de nós,
Sobre nós apenas o firmamento.
Imagine todas as pessoas
Vivendo pelo hoje…

Imagine que não exista nenhum país,
Não é difícil de fazer.
Nada porque matar ou porque morrer,
Nenhuma religião também.
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz…

Imagine nenhuma propriedade,
Eu me pergunto se você consegue.
Nenhuma necessidade de ganância ou fome,
Uma fraternidade de homens.
Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo todo.

Você talvez diga que sou um sonhador,
Mas eu não o único.
Eu espero que algum dia você junte-se a nós,
E o mundo viverá como um único.

Joaseiro.com





Música Mineira e suas múltiplas faces

2 07 2009

Parte III (e final) – A Nova Cara da Música Mineira

“O tempo é curto para o que você quer ser”

Por Helayne Cândido

Quando me propus a escrever esse especial em três partes sobre a “a nova cara da musica mineira”, queria terminar com um som que estou sempre em total sintonia em suas mais variadas vertentes: o rock.

Nos últimos cinco anos há de se perceber que o rock nacional também sofreu forte influência do tal chamado indie rock, que de forma simplificada seria um estilo musical caracterizado por bandas que não são lançadas por grandes gravadoras, ou seja, alternativas ao grande mainstream. Essa tal alternatividade é que possibilita, pelo menos na maioria das bandas, a não perda de identidade do som e, por conseguinte, o “não perder das rédeas” do próprio trabalho por imposições de mercado, grandes gravadoras e afins. A grande explosão indie rocker surgiu em meados da década de 90, na Inglaterra, com bandas como Pavement (sou muito fã dessa!), Oasis, Blur, e gera reflexos até hoje nos anos 2000, com bandas como: The Strokes, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, The Raconteurs, The White Stripes, The Kooks e tantas outras que, se eu fizer uma lista, dá-lhe ad infinutum nela.

Em se falando de indie rock tupiniquim, podemos citar bandas como: Forgotten Boys, Supercordas, Superguidis, Walverdes e tantas outras. Mas, e Minas Gerais, hein?! A-Há! Eu já tenho uma banda de indie rock mineira preferida e se chama monno (assim mesmo, com letra minúscula), que é formada por Miari (vocal e guitarra), Coelho (guitarra), Euler (baixo) e Koala (bateria) e é um bom exemplo dessa influência no rock nacional. Com apenas três anos de existência, já possuem uma bagagem contando com dois EP’s, um Single Virtual e um DVD. O primeiro disco, lançado em 2006, abriu espaço para a banda em vários festivais (o grandioso Pop Rock Brasil, Calango, Bananada, Labpop, Gig Rock, Garimpo, Grito Rock), canais (MTV e Cultura), e páginas (Bizz e Rolling Stone) do país. No segundo disco, eles mostram que têm a energia necessária para continuar o movimento de expansão. O disco foi inteiramente produzido pela banda e masterizado pelo canadense Harris Newman, que já trabalhou com vários grupos bacanas do seu país, incluindo o Arcade Fire. As gravações começaram em junho de 2007 e, após nove meses, o CD foi lançado. Foi feito também um registro em vídeo, com alguns trechos disponíveis na internet e a versão completa em DVD, que saiu em edição limitada junto com o disco.

Em seu primeiro trabalho, homônimo logo na primeira faixa, “Silêncio”, o vocalista Bruno deixa claro: “O tempo é curto para o que você quer ser”. Passeamos freneticamente entre as sensações de euforia e depressão por todo o CD. As guitarras de “A Falta” e “#1” colam de forma imediata. Entre as melodias tristes e bonitas, como “Nada demais” e “Lugar Algum”, percebemos a estampa indie impressa. As duas últimas faixas, “Quem Sabe” e “Um dia”, caminham entre os dois extremos. Limpas ou sujas, com muitas distorções, as guitarras nos convidam a ver no comum beleza.

No segundo trabalho a sensação das músicas é como estar em alta velocidade junto à banda, numa montanha russa onde só existe o AGORA. Não é a toa que este é o título do trabalho. O resultado são faixas bem dançantes como “Enquanto o Mundo Dorme”, “Carta Pra Depois” e “Acontece”, e para momentos mais calmos faixas como “O Pouco Que Eu Quis” e “As Pequenas Coisas” (adoro ir pra faculdade escutando essas).

Em entrevista, o vocalista Miari afirmou que a intenção era deixar o som da banda “esquisito” como o das bandas canadenses, aliás, ele próprio afirma que uma de suas grandes referências é a banda Pedro The Lion (http://www.myspace.com/pedrothelion), que por sinal é muuuuiiitooo boa! E percebe-se logo de cara a forte influência dessa banda no atual som de monno, mas não acredito que este chega a causar “estranhamento” em sentido negativo. Pelo contrário, reafirma que a monno amadureceu seu estilo em “Agora”, apresentando novidades: guitarras, baixo e bateria com visitas ocasionais de teclados, trompete e efeitos eletrônicos. Na última faixa, “21 Dias”, os versos de Miari deixam claro o caminho da banda: “Prefiro você a ficar em paz / o seu excesso, toda sua urgência / nunca é demais”, e é desse excesso de urgência de vida que a banda se reinventa e recria novas possibilidades para o rock nacional.

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Confira os vídeos do youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=wsAdEd2MxAM

http://www.youtube.com/watch?v=NxRLzSqqWSo

http://www.youtube.com/watch?v=V1DVuUWzvD4

http://www.youtube.com/watch?v=h-4yHUo4BkA

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Pra escutar:

http://www.myspace.com/monno

Pra ver:

http://www.fotolog.com/monno

Pra baixar:

http://tramavirtual.uol.com.br/monno

Joaseiro.com

Veja os outros textos dessa série:

PARTE 1: http://joaseiro.com/2008/08/22/musica-mineira/

PARTE 2: http://joaseiro.com/2009/02/06/parte-ii-a-nova-cara-da-musica-mineira/





Uma nova visão para a humanidade

28 06 2009
Recife, 26 de junho de 2009
“Para o homem que possui o conhecimento, não existe dever… E, para dizer ainda como conclusão o que dizia ao começar: o homem prefere ainda querer o nada antes que nada querer.”
(Nietzsche)

Buscando, de forma lúdica e brusca, uma nova visão para a humanidade

Por Guilherme Patriota

     No mundo da banalidade, MJ apenas sobrevivia. Ele tornara-se, desde criança, o maior pensador de seu tempo, e havia vendido cem milhões de cópias de seus livros quando adulto. Sua personalidade absurda era destaque em tudo, pois conseguia refletir para si os fatos, as vivências e as preponderações de seu tempo sem se perder na história da humanidade. MJ havia se isolado desde os vinte e cinco anos de idade, pois sua forma de pensar já não era o mais importante, dado que a mídia, como que buscando copiar suas formas de agir para gerar outros seres iguais, procurava descrever cada ato de sua vida conturbada, invadindo os limites de convivência particular e atirando as facetas humanas de um, aparente, não humano nas capas de todas as revistas, jornais, blogs e programas televisivos de todo o mundo, no cativar de uma ganância exploratória de geração capital a procura do inevitável banal. MJ, em todos os seus escritos, afirmava que a coletividade individualizada e sadiamente natural tornar-se-ia o fator de modificação de sua sociedade, porém no seu convívio isto se tornara impotente, pois seu isolamento, por sua genialidade banalizada, fazia dele um ser apenas individual, isolado, caricaturado como o deus que pensa e que deve ser seguido. MJ tentava, em vão, se aproximar dos outros, mas sempre era idolatrado, tratado de forma diferente, como algo inalcançável, deverasmente afastado da coletividade humana. Ele resolveu partir sem rumo, porém sua fama avançara por todo o globo e não tinha mais como se isolar em um pequeno grupo de respeito mútuo.  MJ parara de escrever, sua busca limitava-se ao encontrar alguma comunidade que o distinguisse por inteiro, como pares que não considerassem seus escritos e teorias como algo fora do normal, para que pudesse trazer seu estado humano de volta ao seu corpo, a sua mente. Quatro anos “perdidos”, e MJ encontrou relato de um grupo cambojano, na internet, na mídia que tanto o incomodava, que praticava um tipo de liberdade limitada que postava a igualdade absoluta dos semelhantes em detrimento de sua própria existência, de seu corpo, não passando a forma de pensar como absoluta, mas sim a carne, a naturalidade da vida animalesca como o principio de paridade. MJ não acreditava friamente neste sentido, no entanto via neste intuito uma forma de compartilhar suas buscas, de poder atingir um novo principio que há tempos era-lhe negado: ser novamente humano. MJ partiu, cego, surdo e mudo, para o Camboja. Sua nova revolução era uma busca que não poderia ser apenas a mesma, aquela que o conduzira para um patamar de gênio, de superior, de o fora de contexto, ele desejava retornar, retroceder, se fosse o caso, a um estágio de visão colonialista primitiva. MJ queria ser doutrinado, queria ser um mártir de sua espécie, com o simples intuito de ajudar a todos os seus irmãos no sentido de não ser alguém que ele havia se tornado. Em quatro anos de doutrina cambojana e de desaparecimento total, MJ resolveu reaparecer com um novo livro, que duas semanas depois era chamado de a nova bíblia, mesmo sem ter sido lançado ou lido. MJ, se utilizando de sua posição de ídolo, decidiu que seu livro seria publicado por uma editora cambojana, da comunidade a qual agora fazia parte, e que teria uma edição absolutamente limitada ao número de lideres mundiais que faziam parte do conselho de segurança da ONU, e que seu lançamento deveria ser feito, única e exclusivamente, no quando da próxima reunião de tal conselho. Obviamente, apoiado por um consenso mundial, nenhum empecilho foi lhe criado, pois, apesar do desaparecimento, MJ era o grande pensador, o grande conselheiro dos conselheiros, o que havia gerado um sentido de comunhão entre os homens em seus escritos. MJ editou 16 livros, um para cada um dos cinco membros permanentes do conselho, representados pelos seus presidentes (USA, França, Reino Unido, Rússia e China), um para cada um dos dez membros rotativos do mesmo, também representados pelos governantes dos países em representação, e um para ele mesmo, que fazia questão de realizar a primeira leitura. O livro era daqueles que ficavam de pé, na vertical, e aparentava possuir o conhecimento dos conhecimentos, dada a personalidade histórica e única de MJ. No dia do lançamento, MJ fez questão de convidar, pessoalmente, os maiores membros da imprensa mundial, que deveriam ser representados não por seus jornalistas, mas pelos próprios proprietários dos veículos que, acreditando ser um grande privilégio, compareceram em massa, sem faltas, mesmo sabendo que não teriam o direito ao livro tão desejado. Reunidas cinqüenta e cinco pessoas, entre lideres mundiais e “donos do que se vê no mundo”, na sede da ONU, MJ Chegou e distribuiu os livros, afirmando que nenhum deveria ser aberto antes que o mesmo autorizasse e que todos deveriam seguir seus procedimentos se não quisessem gerar uma grande catástrofe. Os líderes, atentos aos dizeres de seu “adestrador/pensador”, seguiram os passos necessários, e MJ pediu-lhes que observassem apenas a capa e que depois, sutilmente, abrissem a primeira página sem ultrapassá-la de forma alguma. Na capa nada existia, apenas o branco, que, para os mais atentos e orientais/orientados, significava o luto da humanidade exposta em sua alma de pensador.  No prefácio, única e primeira página escrita, MJ afirmava que para concretizar sua humanidade todos os homens, inclusive ele, deveriam descobrir o grande segredo, que só poderia ser revelado pela própria curiosidade de todos os leitores, e que este segredo mudaria, ao menos em principio, todas as suas vidas pessoais e, quem sabe, posteriormente, a vida de todo o mundo. Ainda, ele afirmava que esta mudança era de escolha, e para realizar esta escolha todos deveriam mudar de página, mudança esta, que como nos grandes livros, que são optativos na relação de ler ou não ler a próxima página, deveriam ter direção própria.  Como em uma decisão do conselho de segurança, MJ sugeriu uma votação que promovesse a unanimidade ou não daquela abertura, reafirmando que a leitura da próxima página poderia mudar, realmente, a vida de todos, promovendo a grande mudança de suas humanidades. Intrigados pelo sentido de conhecer e deter o grande segredo da humanidade, os cinco membros permanentes, seguidos por todos os outros ali presentes, resolveram, sem votos contra, abrir a próxima página que revelaria o grande segredo filosófico humano. Decidida a questão, MJ pediu concentração para o adentrar da nova realidade e sugeriu que todos fizessem um contagem regressiva do dez ao zero, como nos lançamentos de foguetes da NASA, abrindo, simultaneamente, a segunda página, todos aos mesmo tempo. Ao chegar ao zero, ouviu-se uma grande explosão. A página dois do livro branco do luto de MJ era um dispositivo de bomba que vitimou todos os grandes líderes mundiais na busca de uma nova trajetória de vida para a humanidade. MJ deixou escrito no Camboja, e para ser distribuído por todos os espaços possíveis, reproduzindo, e não criando, a frase de seu grande ídolo igual Nietzsche: “o homem prefere ainda querer o nada antes que nada querer.” Ludibriados por aquele pensamento, os grandes lideres mundiais, dez horas depois, já acordados, perceberam que a segunda página do livro não passava de uma magia cambojana de encantamento, acompanhada de uma caixa de música que induzia os observadores a ter tal pensamento bombástico, seguido pelo sentimento de visão do céu, no qual absorviam a frase do filólogo europeu sendo distribuída por toda a terra. Depois do susto, todos viram MJ deitado ao chão, vestindo uma camisa, ele sim morto, com os dizeres nela escrito: “espero que meu fantástico martírio artístico sirva de visão para uma nova humanidade.”

Joaseiro.com





100 anos de imprensa em Juazeiro

18 05 2009

Imprensa juazeirense

GERALDO MENEZES BARBOSA – Jornalista e escritor
 
Quando o tempo se fez veículo para arcar com a história do mundo, por certo já esperava a colaboração participativa da imprensa como sua fiel companheira testemunhal. Decorreram séculos para que Gutemberg reunisse tipos em letras, formando palavras e as imprimindo sobre tinta e papel, conseguindo até 300 impressos por dia, em páginas da Bíblia. A partir de 1440, a imprensa alçou vôo como jornal e maior meio de comunicação de massas, em janelas de conhecimentos, formadora de opinião pública, tornando-se a poderosa arma do homem contra seu maior inimigo, a ignorância. No Brasil, tem-se como primeiro órgão da imprensa o ´Correio Brasiliense´, impresso em Londres, 1808, seguido pelo Jornal do Comércio-PE (l827).

Não ficou distante a terra do padre Cícero, no roteiro da imprensa brasileira, ao lançar, no dia l8 de maio de 1911, seu primeiro jornal, ´O Rebate´, como democrática arma de conquista pela sua independência política, numa época difícil de maquinaria gráfica. Era imperiosa, naquele instante de motivação libertadora, a poderosa arma da imprensa que não exigia derramamento de sangue, mas o diálogo transparente de uma opinião pública feita através do jornal.

Direcionado pelo vice-líder local, o médico e jurista Floro Bartolomeu, o ´Rebate´ abriu páginas em confronto com o ´Jornal do Cariri´, de Crato, defendendo os postulados de uma urgente separação municipal, com artigos incisivos do próprio Floro, padre Alencar Peixoto, José Ferreira de Menezes, além de um forte editorial conclusivo.

Ao ser comemorado, a 18 de maio, o centenário da primeira edição do ´Rebate´, a Comissão Central do Centenário de Juazeiro do Norte homenageou a imprensa da terra do padre Cícero, exibindo o original do seu primeiro número e sua reimpressão, em solenidade no Panorama Hotel, trazendo à memória o exemplo pioneiro da imprensa conterrânea, como parte da programação feita para as comemorações do centenário do Município , marcadas para 22 de julho de 2011. É a imprensa sempre testemunha do tempo.

Fonte: Diário do Nordeste




Educação

16 05 2009

     O Brasil tem recursos para investir na educação equiparados aos países de primeiro mundo. Gastam-se verdadeiras fortunas, em nome da educação, só em nome, porque se contabilizá-las mesmo, não chega esse dinheiro todo ao destino e nem se educa o homem capaz de promover a transformação que a humanidade anseia. Aliás, nem precisa de CPI para saber que a educação está mendigando, com o chapéu na mão. Há um déficit de no mínimo 254 mil professores na rede esfarrapada do sistema. Precisa falar mais o que? Distribuem-se computadores a analfabetos funcionais como se isto fosse inclusão.

    É tão “simples”! Complicam tudo. Jesus deixou a proposta e o programa da pedagogia da transformação. “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento (Rm 12:2)  Ele não propõe que o mundo seja mudado, sim, diz que é possível transformar-se o homem.

     O mundo, cada vez mais perto e visível, fica ao alcance de um mouzer e a bala perdida fica ali. Cadê o educador? A verba acaba, antes de capacitar pessoas para assumir o comando da educação que a sociedade precisa! Os donos da verba preferem propor projetos disse daquilo e daquilo outro que fracassam, porque são feitos por voluntários despreparados.

       Cadê o salário mínimo do professor? Não se implanta e já é até Lei, mas neste País, fazer Lei é muito “simples”. A gente paga horas extras, ela é votada, aprovada, comemorada e enfiada nos gavetões. Socorro!

     Se Carlos Drumond de Andrade estivesse aqui, iria, com certeza, reeditar sua poesia na capa da atual política de educação.  Na poesia, ele já denunciara que “no meio do caminho tem uma pedra”…

      Diz-se que um certo rei mandou colocar uma enorme pedra no centro de uma estrada bastante movimentada e ficou à distância, observando as reações daqueles que por ali passavam. Ele desejava ver quem tomaria a iniciativa de retirar a pedra, que atrapalhava o livre trânsito.

     Os homens de todas as camadas sociais passaram e todos igualmente se desviavam da pedra, subindo no acostamento. O rei notou que a maioria daqueles que caminhavam, apressados, queixava-se do rei por não se interessar pela conservação da via.

      Finalmente, um pobre lavrador aproximou-se da pedra e, com grande esforço, retirou a pedra do caminho. Acontece que, ao transportar a pedra para fora da estrada, sentiu que pisara em alguma coisa que certamente estaria embaixo dela. Depois de afastá-la do caminho, voltou e viu que no lugar ocupado por ela estava uma carteira. Abrindo-a, encontrou, além de uma respeitável soma de dinheiro, também uma notificação do próprio rei, esclarecendo que aquela importância se destinava a quem demonstrasse respeito, consideração mútua e urbanidade ao retirar da estrada a pedra que mandara colocar de propósito.

Moral da história: O educador sabe o que fazer das pedras. A educação precisa mudar o ritmo e o tom do discurso para garimpar tantas pedras que encontra pelo caminho. E sobre pedras edificar escolas. Afinal de contas: “Tu és Pedro e sobre esta pedra”…

Ivone Boechat

PhD em Educação

Joaseiro.com





A causa da gripe suína

5 05 2009

A gripe dos porcos e 

a mentira dos homens

O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. La Glória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em La Glória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente.

Os moradores de La Glória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país. É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a podridão que mata.

O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.

Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.

As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada “ação social”. Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu – argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.

O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS.

Mauro Santayana

Fonte:  Jornal do Brasil (01/05/2009)





Desenvolver o Cariri

4 05 2009

Leiam este editorial tratando da criação da Região Metropolitana do Cariri.

     A promulgação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC), pela Mesa Diretora da Assembléia Legislativa, permitindo a criação de novas regiões metropolitanas no Ceará, autoriza a elaboração de projeto de lei complementar, pelo Executivo, instituindo a Região Metropolitana do Cariri. Essa iniciativa exigirá a ampliação dos estudos técnicos para definir sua abrangência.

     A idéia não deixa de ser um avanço, especialmente se forem respeitadas, como manda a legislação, as afinidades geoambientais, espaciais e socioculturais. Na prática, a integração preconizada já existe, principalmente na esfera socioeconômica, tendo Juazeiro do Norte como pólo aglutinador dos negócios do Cariri.

     Maior mercado consumidor da região, com 250 mil habitantes, Juazeiro do Norte chegou nos anos 60 a dispor de um comércio atacadista bem próximo ao de Campina Grande, na Paraíba, abastecendo municípios do Ceará, Piauí, Pernambuco e da própria Paraíba. De outra parte, o comércio varejista atendia as demandas das cidades no seu entorno. As vicissitudes econômicas, especialmente o processo inflacionário e a escassez de crédito para capital de giro, provocaram o desmantelamento da forte cadeia atacadista, na qual se destacavam os distribuidores de miudezas, gêneros alimentícios, tecidos, ferragens e combustíveis. Também a produção artesanal de ourivesaria sofreu sério abalo, provocando o fechamento de mais de 50 pequenas fábricas de alianças, brincos, anéis e braceletes. Este ciclo econômico foi substituído pela expansão desordenada do comércio ambulante, espalhado pelo centro vital de Juazeiro do Norte – a Rua São Pedro -, fazendo desaparecer sua feira aos sábados. Para compensar a queda no setor do comércio, Juazeiro ganhou inúmeras indústrias, descentralizadas pelas rodovias que ligam a cidade ao Crato e a Barbalha. A produção industrial impulsionou sua economia.

     O Crato, por sua vez, situado a dez quilômetros de Juazeiro, sempre primou pelo varejo de qualidade, além de suas características de cidade cultural por excelência. Centro introdutor da educação universitária no interior, lá foi implantada, em 1960, uma Faculdade de Filosofia, embrião da Universidade Regional do Cariri.

     Barbalha, também distante dez quilômetros, viu a economia agroindustrial da cana-de-açúcar tomar outro impulso com a instalação de três indústrias essenciais: uma de açúcar, outra de cimento Portland e uma terceira, de cerâmica. A crise econômica das últimas décadas só permitiu a consolidação da indústria de cimento. Barbalha se impôs como pólo de saúde por excelência.

     Excluídos esses três, os demais municípios, dentre os 33 do sul do Ceará, registram crescimento aquém de suas potencialidades. Por isso, a região carece de um plano de desenvolvimento para consolidar a região metropolitana programada, capaz de espalhar benefícios gerais por todas suas cidades. A experiência do Plano Asimov, na década de 60, demonstrou como o planejamento regional transforma as áreas onde as riquezas estão latentes.

Fonte: Diário do Nordeste





Um olhar lúcido

30 04 2009

Continuamos a postagem de bons textos na nossa semana de aniversário. Deixamos as trivialidades do dia-a-dia para a próxima semana. Com vocês, José Saramago.

Outra leitura para a crise

A mentalidade antiga formou-se numa grande superfície que se chamava catedral; agora forma-se noutra grande superfície que se chama centro comercial. O centro comercial não é apenas a nova igreja, a nova catedral, é também a nova universidade. O centro comercial ocupa um espaço importante na formação da mentalidade humana. Acabou-se a praça, o jardim ou a rua como espaço público e de intercâmbio. O centro comercial é o único espaço seguro e o que cria a nova mentalidade. Uma nova mentalidade temerosa de ser excluída, temerosa da expulsão do paraíso do consumo e por extensão da catedral das compras.
E agora, que temos? A crise.
Será que vamos voltar à praça ou à universidade? À filosofia?

José Saramago

Fonte: http://caderno.josesaramago.org





O sonho se realizou

5 04 2009

Poucos sabem, mas saiu de Juazeiro do Norte no dia 30 de Março último deste mesmo 2009 dois ônibus repletos de fãs e “fiéis” para o show do Iron Maiden em Recife. Muitos, entre jovens e pessoas que há mais de 20 anos ouvem e colecionam discos da banda inglesa (hoje com 34 anos de vida), esperavam por este inesquecível espetáculo que se realizou no Jockey Clube de Recife, na noite do dia 31 de Março.

Parecia impossível que uma banda cujo porte já percorreu mais de 100 países, levando seu som forte e com letras que versam sobre fatos históricos e clássicos da literatura mundial, de repente, não mais que de repente (como disse o poeta), vir a Recife e consigo trazer à cidade excursões de todo o nordeste e norte do país (vinte ônibus de Natal, vinte de Fortaleza, oito de Campina Grande, etc). Emocionados, gente de todas as idades e sotaques se viu imersa numa massa uniforme de fãs do bom e velho rock’n'roll (sem rótulos), contando ao todo mais de 35 mil fãs. Estamos gratos, sim (um dos editores do Joaseiro.com esteve lá). Para compartilhar deste sentimento de saudosismo pelo espetáculo de uma hora e quarenta e cinco minutos, o Caderno 3 do Diário do Nordeste publicou texto do músico e professor juazeirense Michel Macedo, um desses fãs veteranos da banda, sobre suas impressões e experiências neste primeiro show do Iron na capital pernambucana. E lembrando: eles querem voltar em 2011!

A seguir, vídeo do show e a lista de músicas para quem quiser procurar as respectivas gravações no youtube (sim, estão todas lá).

Música, história e energia

O músico e professor Michel Macedo Marques* conferiu o show do Iron Maiden em Recife, na última terça-feira, e compartilha impressões com os leitores do Caderno 3 (Diário do Nordeste)


Conheci o Iron Maiden em 1987, e demorei um bocado para gostar. Na época só ouvia rock progressivo. Mas, com o passar dos anos, aprendi a apreciar e entender a importância desta que, com certeza, pode realmente ser considerada uma lenda viva do heavy metal.

Ano passado os vi em São Paulo, após uma espera de 21 anos. E este ano me dei como missão prestigiar a entrada do nosso tão sofrido Nordeste brasileiro na lista do seleto grupo de primeira linha de shows internacionais. O Iron Maiden se apresentaria em Recife numa terça feira, 31 de março, pela primeira vez na nossa região.

Este show deu muito trabalho para ser confirmado, foram muitas as dificuldades de local e quanto às exigências da banda. Mas, no final, foi uma aula de organização.

Também se pôde mostrar que um evento como este, ao contrário das tradicionais ´festas´ de música de qualidade duvidosa, pode trazer benefícios turísticos enormes para a cidade, pois todos os outros estados da região se fizeram presentes em caravanas enormes.

No diálogo entre os fãs da banda em Recife, ficamos sabendo da chegada de 20 ônibus provenientes de Natal, dois de Juazeiro do Norte, além de uma estimativa de 5 mil pessoas de Fortaleza. Sem falar de grupos com bandeiras de outros estados. O público foi estimado em 35 mil pessoas, que, além de irem ver o show, também lotaram hotéis, restaurantes e procuraram fazer novas amizades para uma possível volta.

Pontualidade britânica

Quanto ao show, uma aula de profissionalismo, simpatia e energia. Começou com a tradicional pontualidade britânica: exatamente às 20h entrou no palco a fraquíssima Lauren Harris (mas nada menos que filha do fundador da banda, o baixista Steve Harris), com um show de 30min que mais pareceram duas horas. Foi bom para vermos que temos bandas ótimas por aqui que mereciam ter melhores oportunidades e ser mais valorizadas também. Não é só o que é de fora que é bom.

Também pontualmente às 21h o sonho de muitos começava a tomar forma: lá estava a banda esbanjando energia, apesar dos mais de 300 anos que havia no palco (cada um dos integrantes já passou dos 50). Nesta turnê que já tem dois anos, eles celebram a noite com clássicos que, além de boa música, são uma aula de história e literatura inglesa.

Lá estava o carismático vocalista Bruce Dickinson descrevendo o combate aéreo entre a Inglaterra e a Alemanha durante a Segunda Guerra, com a música que nunca pode faltar no início do show da banda: ´Aces High´. Depois usando a máscara egípcia para contar uma das lendas que cerca o rei Osíris e recriando a obra do poeta inglês Samuel Taylor Colerige, com ´Rime of the Ancient Mariner´ (com seus mais de 15 minutos) e ´The Number of the Beast´ (que não tem nada de satânico, e sim bíblico). Além de outras, como ´Wrathchild´, ´Wasted Years´, ´The Evil that Men Do´, ´Fear of the Dark´ e outras. São clássicos eternos na história da banda e do rock em si.

A produção do show também merece destaque, com recursos visuais como monstros (o carismático robô mascote Eddy), muitos fogos e explosões. Foram 1h45min de plena felicidade para um público enorme e educado. Uma platéia que mais parecia formada por ´amigos de infância´ que haviam se conhecido naquele momento. Uma verdadeira irmandade em que todos queriam contagiar e ser contagiados de alegria.

Para quem não foi a Recife, fica o alerta de que a banda pretende voltar ao Brasil em 2011. Quem sabe pisando em solo cearense também. Além de uma promessa de presença do Metallica, em dezembro, na capital pernambucana.

(05/04/2009)

***

Gravação imperdível por um fã da música Fear Of The Dark (uma das mais conhecidas):

Lista de músicas gravadas do show no youtube (é só pôr o nome de cada uma seguida de “Recife” que acha):

1. Churchill Speech/Aces High
2. Wrathchild
3. Two Minutes to Midnight
4. Children of the Damned
5. Phantom of the Opera
6. The Trooper
7. Wasted Years
8. Rime of the Ancient Mariner
9. Powerslave
10. Run to the Hills
11. Fear of the Dark
12. Hallowed Be Thy Name
13. Iron Maiden
14. The Number of the Beast
15. The Evil That Men Do
16. Sanctuary

Up the Irons!

Fontes: Diário do Nordeste, JC Online, Youtube.





Imposição da rede Globo retira TV Diário da parabólica

21 03 2009

Por José Cícero, Secretário de Cultura de Aurora

     Desde a última quarta-feira 25 de março, a TV Diário não está mais disponível na nossa telinha como antes, via parabólica. Tudo porque a poderosa rede Globo forçosamente exigiu a retirada do sinal do satélite Starone C2 no seu sistema analógico. A TV cearense era um dos raros canais que transmitia sua programação pelo sinal aberto com uma abrangência de atuação em torno de 30 milhões de antenas parabólicas espalhadas pelo Brasil e outros países da América Latina. Isso com certeza vinha incomodando a “poderosa” que contabilizava perdas importantes, tanto no mercado quanto na audiência em diversos estratos da sociedade, incluindo a região Nordeste. A exigência para a retirada do sinal não era de agora. Desta feita, portanto foi batido o martelo: a Diário teria que sair já ou perderia o direito como afiliada da Globo Nordeste de retransmitir a programação da ‘janela dos marinhos’. O mais curioso é o silêncio que ainda paira sobre o assunto. Será que a ameaça também incluía o “calar da boca”? Isso para um meio de comunicação é algo grave, inaceitável num país que se diz democrático e que vivencia até as últimas conseqüências o Estado de Direito.

     A propósito, por que será que ninguém do grupo Verde Mares não se pronunciou até agora acerca desta decisão draconiana? Por que eles não utilizam a própria emissora para dá explicações aos seus telespectadores? Mesmo os que ainda conseguem captar o sinal aqui no Ceará? Por que não usaram os outros meios midiáticos que lhes pertencem como o jornal escrito e as emissoras de rádio? No mínimo é pra lá de estranho esta atitude, ou seja, a falta dela. A opção pelo silencia só demonstra certamente todo o grau da exigência imposta pela “poderosa”. Cadê a imprensa livre (sic) do nosso estado? Com exceção do jornal O Estado que publicou uma nota pífia sobre o tema, quase mais nada foi veiculado. Cadê o sindicato da categoria? Cadê os formadores de opinião? Os políticos e a sociedade consciente como um todo?

     A Globo talvez esteja sentido saudade dos velhos tempos onde o seu poderio era muito mais ferrenho, vez que o monopólio era quase intransponível. Mas felizmente os tempos mudaram; outras emissoras de TV já começam a abocanhar o antigo filé mignon da emissora. Antigos piques de audiência alcançados pela Globo noutros anos agora são coisas impensáveis. Por isso o desespero expresso em iniciativas como esta de forçar a Diário a sair do satélite que na verdade, soa como um verdadeiro golpe contra milhares de espectadores distribuídos pelo país inteiro.

     A TV do Ceará é bem verdade, também não tinha uma programação lá muito boa do ponto de vista da cultura cearense e do Nordeste… Mas digamos, era a alternativa possível que tínhamos para fazer frente aos enlatados e a padronização dos canais do Sul que há muito nos empurravam goela a baixo. Como dizem “um pequeno fator de integração da comunidade nordestina espalhada de norte a sul do Brasil”.

     Em todo caso, fica claro que o velho poderio da Globo não serve ao povo brasileiro por vários motivos. Por outro lado, quem sabe a “poderosa” possa aprender a partir de agora que a queda nos seus índices de audiência e perdas nos diversos nichos mercadológicos sejam claros indicativos de que sua programação está uma lástima. Quem sabe possa descobrir um novo caminho e constatar que o Brasil não é um Big Brother. Portanto se disponha a mudar. E mudar para melhor… Do contrário vai ter que prosseguir destruindo raivosamente como fez com a Diário, outras das suas afiliadas regionais que tiveram a ousadia de pensar e fazer diferente mesmo estando no seu ninho chocando seus antigos ovos de ouro. A TV Diário tinha, mesmo com suas deficiências, a cara do Ceará e do Nordeste. Por isso não podemos nos calar diante de tão absurda arbitrariedade.

     Afinal, toda emissora de TV (e a própria Globo) é uma concessão pública e, de certo modo pertence à sociedade brasileira. Ademais, todo poder emana do povo? Na Globo parece não ser bem assim. Conquanto, a imposição da rede poderosa a TV Diário é algo inaceitável, notadamente para os cearenses.

Joaseiro.com





STF mantém demarcação contínua em Serra do Sol

21 03 2009

BRASÍLIA – O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve ontem, por 10 votos a 1, a demarcação contínua de terra da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. O STF determinou também a saída da reserva dos arrozeiros e não índios, que vivem e trabalham no local.

Os termos da saída, entretanto, serão definidos pelo relator da ação, Carlos Ayres Britto. A reserva tem uma área de 1,7 milhão de hectares. O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Correa, disse que o prazo para a retirada dos arrozeiros será o “do bom senso” e o necessário “para que a execução se dê de acordo com a decisão do tribunal, dentro dos seus limites”.

Na opinião do ministro da Justiça, Tarso Genro, a PF e a Força Nacional estão prontas para executar a retirada pacífica dos não indígenas. “Eu tenho a convicção que na questão Raposa, em razão da sucessão de fatos que ocorreram lá, do debate jurídico e político que ocorreu, nós vamos ter certamente uma desocupação pacífica. Se assim não fosse, estaríamos já perante uma postura de insurreição contra o Estado que seria promovido pela violência”, disse.

O advogado-geral da União, José Antônio Dias Tóffoli, disse que a definição tomada pela Suprema Corte servirá de referência para outros julgamentos sobre processos demarcatórios envolvendo terras indígenas.

Na reserva vivem cerca de 18 mil indígenas de cinco etnias diferentes. Localizada nas fronteiras com a Venezuela e a Guiana, a área foi homologada em 2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A área virou foco de conflito e tensão envolvendo governo federal, governo estadual, igreja, indígenas e ONGs (organizações não governamentais).

Para que a manutenção da demarcação contínua de terra seja mantida, os indígenas terão de cumprir 18 condições aprovadas pelo STF. O presidente do Suprema, Gilmar Mendes, recomendou que todo o trabalho seja coordenado pelo Tribunal Regional Federal (TRF).

Para o STF, a utilização das terras deve ser limitada, com respeito ao meio ambiente e às riquezas naturais, e também com a presença das Forças Armadas e de policiais, sem necessidade de autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Fonte: Tribuna da Imprensa





Utilidade pública

20 03 2009

VIOLÊNCIA

por Ivone Boechat

     É sempre bom lembrar que a violência na família não deve ser somente atribuída ao espaço que a mídia ocupa hoje na sociedade. Muito antes dos jornais e revistas, antes do rádio, da tv, da Internet, a violência que se tem notícia já assolava a humanidade.
     No Éden não existia revista erótica, programas de tv de baixo nível cultural como hoje, “músicas” ridículas, com apelos caóticos, todavia, Caim não pensou duas vezes e esmagou a Abel. Aí os educadores se perguntam: por quê?
     Certa vez um pai ensinava ao filho que o ser humano tem dois ursos poderosos dentro dele, o urso do bem e o urso do mal. O filho então perguntou:
     – Pai, qual é o mais forte?
     E o pai respondeu:
     – Aquele que você alimenta mais.
     O que alimenta a violência? Alguns dirão que é a miséria, outros dirão que é o abandono, alguns se arriscarão a dizer que é a falta de religião. O que levaria um pai a matar uma criança – seu filho – de forma trágica e cruel? Cerca de 40% de todas as ocorrências registradas por mês nas delegacias do Estado do Rio de Janeiro são atribuídas à agressão infantil. Dados do Disque-Denúncia revelam que o maior número de casos é registrado na Baixada Fluminense. Na maioria dos casos são os pais ou os companheiros dos pais os principais agressores das crianças.
     Apenas 1% das denúncias são feitas pelas vítimas. “A violência no seio da família assume formas diferentes – desde a agressão física à agressão psicológica – como intimidação e humilhação, incluindo vários comportamentos controladores, tais como, isolar a pessoa da sua família e amigos, controlar e restringir os seus movimentos e o acesso à informação ou ajuda”.
     No Canadá os custos da violência contra a família rondam 1.6 bilhões de dólares por ano, incluindo despesas médicas e baixa de produtividade. (UNICEF 2000). Adão e Eva no Paraíso tinham a Internet do Bem e do mal. O Provedor do Bem deu ao homem a senha da obediência e com ele se comunicava, diariamente. Até que o provedor do mal se instalou, criou o racker com o vírus do pecado. O internauta pecador digitou a senha e caiu nas malhas da mentira. Caiu a conexão, porque o homem estava fora da área de atuação de Deus!
     Claro, a violência é resultado de escolha: pode-se escolher entre o Bem e o mal. Então, preparem as costas do educador, porque o peso vai recair sobre ele! Pode-se educar a vontade! A educação pode ajudar a reverter a situação da humanidade! Apesar da perplexidade desta Era atual, quando se distribuem computadores como pílulas da felicidade e de saber da origem desse duríssimo dinheiro do povo que é gasto assim para estancar as lágrimas da carência e do abandono das áreas sociais, da saúde e da educação. Onde e como sobrevivem os educadores mal pagos e mal treinados que sobraram altivos, solidários e quase solitários, gritando no deserto de uma política atroz? Mesmo assim, há esperança. Mãos à obra, heróico povo brasileiro!
     Qualquer tipo de violação de direitos e/ou violência contra criança ou adolescente: procure o Conselho Tutelar de sua cidade e/ou a Delegacia Especializada em Crimes contra Crianças e Adolescentes.

Criança e/ou adolescente desaparecido: denuncie no site do Governo Federal http://www.desaparecidos.mj.gov.br

Exploração sexual infanto-juvenil: denuncie pelo telefone 100.

Casos de exploração do trabalho infanto-juvenil, pelo Tele-denúncia (3101.7605), SOS Criança (3101.2739 ou 155) ou DRT (3255.2200).

Denúncias de pornografia infantil na Internet devem ser encaminhadas aos seguinte sites:

http://www.safernet.org.br

http://www.mp.rs.gov.br/infancia/pedofilia

http://www.censura.com.br/

http://www.dpf.gov.br/

http://www.prsp.mpf.gov.br/

Joaseiro.com





O Ritmo Oitentista

17 03 2009

A Subcultura Gótica

por Rafael Soares, colaborador

     O termo gótico é utilizado para designar a subcultura urbana que teve suas origens na Inglaterra, por volta dos anos 80. Quando falamos em subcultura abrangemos uma série de fatores específicos diversos como a pintura, a música, o vestuário, e mesmo características como relacionamento e comportamento que a delimitam. Aqui, iremos priorizar a música gótica.

     Por volta do final dos anos 60 até o final dos anos 70 tivemos as primeiras influências do que, mais tardiamente, seria conhecido como música gótica. O glam rock, cujos nomes mais marcantes apontam para David Bowie e Brian Eno (destaque na foto) representaram uma influência direta, assim como o Krautrock com os alemães do Kraftwerk, que já apresentava uma sonoridade bem peculiar. Não podemos esquecer o The doors e o Velvet Underground, também foram influências desta época.

     No fim dos anos 70 até o início dos anos 80, temos um verdadeiro “surto” de estilos musicais representando vários momentos de convergência entre o experimentalismo da fase anterior, a música pop e o underground. Surge o pós punk, o coldwave, o sinth e o industrial, dentre outros estilos. Bauhaus (destaque na foto), Joy Division, The Cure, Siouxie, Cocteau Twins (Liz Fraser-the voice of God), Alien Sex Find e Christian Death destacam-se como principais expoentes musicais numa fase que representou a abertura do caminho para a consolidação do gótico.

     Com o final dos anos 80 e começo dos anos 90 notamos que o termo gótico, aplicado as bandas oriundas do pós-punk, passa a caracterizar um tipo de música acessível, com características influenciadas pelos estilos do período anterior que acabam consolidando um som bem definido, susceptível ao experimental, mas sempre com a mesma “personalidade” que essencialmente identifica o gótico. Nesse leque de criatividade destacamos desde o Fields of Nephilim, Sisters of Mercy, Clan of Xymox, All About Eve e Opera Multi Steel até as sonoridades waves do This Mortal Coil, Dead Can Dance e Deine Lakaien e outras bandas como o Two Witches (de onde sai a Anne Nurmi para o Lacrimosa), Mephisto Walz e Eva O (ex- Christian Death), dentre uma infinidade de bandas destacando-se em primeiro plano o cenário inglês, francês e alemão.

     No decorrer dos anos 90 temos um período de renovação e atualização sonora iniciada na cena eletrônica alemã com o darkwave e com a definição da cena goth nos EUA. Não poderia ser diferente, a popularização de bandas que assumiriam o rótulo goth-darkwave. Destacamos aqui o Switchblade Symphony, Nosferatu, London After Midnight, Paralised Age, Ikon, Inkubus Sukkubus, In Strict Confidence, Cinema Strange, Lycia, The Cruxshadows dentre mais uma infinidade de bandas responsáveis pelo desenvolvimento da subcultura gótica num de seus pilares de convergência dos mais importantes, que é a música.

     Encerramos os anos 90 e caminhamos até os dias de hoje e o que temos é a contínua renovação da sonoridade própria da subcultura gótica. Bandas como The Scary Bitches (and the lesbian Vampires!!! funny, funny, funny), Diva Destruction, The Ghost Of Lemora (de alto destaque no cenário atual), lame immortelle, Ego Likeness, Voltaire, Emilie Autumn, e Helium Vola, o que demonstra versatilidade e amplitude musical em cima de uma identidade primitiva única que parece se preservar o que, na minha opinião, é o mais incrível desta subcultura.

     Com essa pequena explanação trilhamos superficialmente os caminhos da musicalidade gótica, mostrando um pouco sua evolução e que nunca morreu ou esteve latente como muitos pensam. Além do que, diferentemente do que se pensa, não existiu uma evolução diferenciada da subcultura gótica no sentido de consolidar o que se conhece hoje por Gothic Metal. O Gothic Metal surgiu nas linhas de evolução da subcultura Metal.

Joaseiro.com





Repercussões na mídia – 3 -

12 03 2009

O suicídio do Vaticano,
assassinato da própria fé

Por Hélio Fernandes

Logo no título fiz questão de responsabilizar o culpado maior e verdadeiro dessa excomunhão que estarreceu o mundo. E concluir identificando imediatamente os efeitos destruidores e devastadores sobre a própria Igreja Católica.

Para Bento XVI, individualmente, é mais um equívoco colossal, dos muitos que vem praticando. O mundo católico se surpreende e se desespera com os seguidos erros do papa, quase todos provocados pela arrogância. Que é um pecado capital em qualquer pessoa, e uma ignomínia ainda maior no chefe da Igreja, pretenso e suposto porta-voz de Deus.

Coletivamente, a Igreja, em queda acentuada há muito tempo, planta mais descrença, espalha mais desesperança, acentua o descompasso entre a cúpula e os católicos verdadeiros e praticantes.

Ainda não se passou um mês da decisão totalmente imprudente de Bento XVI, reabilitando aquele que negou o Holocausto. Bento XVI voltou atrás, disse que não estava bem informado.

Agora não pode repetir o gesto do desmentido e da omissão, pois teria que fazer uma longa pregação, tão longa quanto os erros e equívocos praticados.

O medíocre e desconhecido dom José Cardoso sozinho não teria o mínimo de condições para praticar tantas exorbitâncias. Relacionemos separadamente os atos amaldiçoados que cometeu. Assim, será mais fácil condená-lo e compreender a condenação desse arcebispo, apoiado pela alta cúpula do Vaticano, mas repudiado pelos católicos, estes sim, representantes legítimos da Igreja.

1 – Excomungou toda a equipe médica.

2 – Aplicou a pena máxima da Igreja, para a mãe da menina.

3 – Inocentou o padrasto, afirmando que “o estupro é menos grave”, esquecendo que tudo começou com ele. Não fosse o estupro praticado covardemente em casa, nada teria acontecido. Com a decisão do Vaticano (colocada servilmente como “execução” do arcebispo) da excomunhão geral, os católicos mais do que fiéis deixaram de entender (e de seguir) as razões do comando da Igreja, decisão vinda diretamente da Santa Sé.

O estupro é um dos atos mais repulsivos e repugnantes. Cometido por um padrasto, indefensável. Atingindo uma menina de 9 anos, inexplicável. Indo até o fim na violação convicta e compenetrada, a ponto de engravidar a menina, inconfessável. Não só perante Deus, mas também no tribunal da opinião pública. E da Justiça.

Só que essa monstruosa combinação de crimes não foi julgada por nenhum tribunal jurídico e sim no tribunal da própria Igreja. Que se igualou ao estuprador, tão violenta quanto ele, tão desigual apesar de pregar a igualdade.

A culpabilidade do arcebispo, a ratificação feita pela CNBB, todos cumprindo ordens absurdas e pecaminosas do Vaticano, felizmente tiveram protestos e revoltas compensatórios da parte de órgãos e de cidadãos.

Em primeiro lugar, aplausos para a veemência e decisão instantânea da Comissão Nacional de Medicina, defendendo os médicos que apenas trabalhavam, cumprindo missão legalíssima.

A opinião pública, composta de cristãos e católicos, também merece elogios. Preservaram sua fé, mas não perdoaram os atentados.

E o próprio presidente Lula dessa vez não se omitiu, criticou a excomunhão. Poderia ter sido mais duro e mais autêntico, colocando as críticas no âmbito do próprio Vaticano-Santa Sé. Como esta é um Estado, Lula estaria responsabilizando de igual para igual. Mas pelo menos Lula, nesse caso raro, merece elogios.

Faltou a palavra de um magistrado do mais alto escalão, enquadrando o arcebispo e membros da CNBB, em crimes passíveis de punição. O aborto é legal no Brasil em muitos casos, principalmente em estupros com perigo de vida.

Acredito que os jornalões (sempre voltados para eles mesmos) deixaram o profissionalismo jornalísticos de lado e não ouviram ninguém, digamos logo, do Supremo. Muitos teriam falado, até mesmo os 11 membros da mais alta e definitiva corte, que estariam identificando crime grave. E apontando a punição não só para o estuprador, mas também para aqueles que o apoiaram.

PS – Houve um tempo, em que este repórter, apaixonado por oradores (principalmente os sacros), percorria igrejas, tentando descobri-los e ouvi-los. (Quase sempre em companhia de Gilberto Marinho, então presidente do Senado, grande figura.)

PS 2 – Hoje, esses oradores sacros estão em falta, os que falam nas igrejas são medíocres, cansativos e monótonos. Essa ausência no chão da Igreja alcançou o ponto mais alto, sem lideranças no próprio Vaticano. Está aí a explicação da queda violenta da Igreja Católica. Parece que sobrou apenas a liturgia, luxuosa e caríssima, embora belíssima.





Repercussões na mídia – 2 -

10 03 2009

Excomunguem-me, pelo amor de Deus

Por Pedro Porfírio.

“Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
“A vaga de sacristão.”

Miguezim de Princesa, poeta popular paraibano, radicado em Brasília.

Pra mim, chega! O mínimo que exijo é que esse príncipe caquético que conspurca a soleira por onde passou dom Hélder ou qualquer um dos seus colegas foguistas me distinga com o estigma da excomunhão, se é que o principado de cá já não o fez por conta da minha Lei que garante a laqueadura e a vasectomia nos hospitais municipais do Rio de Janeiro.

E mais, como resposta a esse arbítrio inquisitorial, de que não escapou nem o padioleiro do hospital, conclamo a todos os brasileiros, católicos ou não, ao exercício da autoexcomunhão. Aliás, isso não é difícil porque, a esta altura do campeonato, quem verdadeiramente acredita em Deus e ama Jesus sabe que os luxuosos templos religiosos do cristianismo são os últimos lugares onde se pode ter conforto espiritual e misericórdia.

Em primeiro lugar, que fique claro que esse bispo-papão de Recife não está sozinho. Por seu ato de bravura pastoral recebeu o endosso incondicional dos seus colegas de principado episcopal e da matriz do Vaticano, através do padre Gianfrancesco Grieco, diretor do Pontifício Conselho para a Família, do reinado de Bento XVI.

Portanto, fique registrado para todos os fins: para a “Santa Madre Igreja”, estuprar uma menina de 9 anos não exclui ninguém dos sacramentos garantidores de uma paradisíaca eternidade.

Mas salvar a vida de uma menina-moça, evitando um parto de ALTÍSSIMO risco com suas consequências imprevisíveis, isso sim, abre a porta do Inferno tanto quanto naqueles tempos não muito remotos em que se garantia o Céu com a compra de indulgências negociadas pelos argentários do Vaticano.

Perplexos estamos nós

Do convescote na caricata cidade-estado, que visitam pelo menos uma vez por ano, os atuais cabeças da ambígua CNBB divulgaram uma nota meio acanhada falando de perplexidade.

Imagina, se eles, que não entendem de filhos por nunca terem assumido oficialmente a paternidade, estão perplexos, que dirá aquela mãe atormentada pelos crimes praticados contra suas filhas por um monstro que pôs dentro de casa. E que, ao contrário dela, não perdeu a habilitação aos ofícios religiosos, inclusive a extrema-unção.

E não me venham com contos de vigário em nome da leitura de códigos canônicos produzidos muito depois dos anos em que Jesus Cristo teria deixado os ensinamentos, muitos dos quais, como na sua assimilação da prostituta Madalena, são guardados a sete chaves por um valhacouto que já foi o paraíso da libertinagem por muitos séculos.

Esse episódio teve o mérito de revelar a cristalizada hipocrisia clerical. O próprio carrasco admitiu que são realizados no Brasil um milhão de abortos clandestinos por ano.

São mesmo? E o que essa santa madre igreja fez contra os açougues que ganham fortunas à vista de todos num dos ramos mais rendosos da medicina privada?

Ora, não sejamos ingênuos. A indústria de abortos clandestinos praticados em condições de risco se nutre exatamente da sua proibição legal. Duvido que você não saiba o endereço de uma clínica de aborto na sua cidade. Duvido que a polícia, a Justiça, os conselhos profissionais e os párocos não saibam da existência desse submundo da medicina.

Duvido que você e os acima citados desconheçam as práticas irresponsáveis, que vão desde a introdução de uma agulha de crochê no ventre até o uso de medicação “adaptada” para forçar o aborto. Duvido-d-o-dó.

Indústria do aborto impune

Com certeza, a grana extorquida de mães desesperadas não fica só com os açougueiros. A criminalização da interrupção da gravidez, extinta em quase toda a Europa, inclusive Portugal e Espanha, e em outros tantos países como Estados Unidos e China, alimenta uma cadeia de corrupção de uma abrangência surpreendente.

Pode até ser que muitos cristãos tementes das chamas eternas do Inferno acreditem, ao contrário de São Thomaz de Aquino, que haja espírito no germe de um futuro ser. Para reservar o mercado de aborto aos açougues camuflados submetem as pessoas a uma lavagem cerebral desde a primeira comunhão. E não admitem sequer que se evite o nascimento de um feto anencefálico, destinado a um sofrimento extensivo a toda a família.

Por isso, pode ser que alguns leitores estejam também apaixonadamente ao lado do príncipe a quem o presidente Lula, num ato de coragem incomum, tachou generosamente de “conservador”.

Pode ser que alguns leitores acreditem que Deus passou procuração para esses hierarcas nostálgicos dos tempos em que o Vaticano tinha seus exércitos e o clero deitava e rolava, ditando hábitos e costumes, apadrinhando a dominação colonialista e faturando por conta.

Mas, felizmente, a grande maioria dos que aspiram ao Céu por descanso ainda não se emasculou. E esse dom não sei o que ainda vai ter que explicar ao seu próprio rebanho porque a excomunhão para os profissionais responsáveis, enquanto o tal código canônico aplicado em nome de Deus é indulgente com estupradores, bandidos perversos e toda a escória criminosa.

Estripulias emblemáticas

Pessoalmente, deixei de acreditar na honestidade dos prelados desde quando, aos 14 anos, em 1957, vi com meus próprios olhos, no Ginásio Salesiano de Baturité, a manobra solerte encabeçada pelo diretor, padre Antônio Lourenço Urbano, para dar fuga ao padre José Severo de Melo, excelente professor de História, porque o pai de um aluno, um fazendeiro brabo, queria saber que história era aquela de bolinar com o seu filho.

Antes, na infância, convivi com a briga por mais terras entre dois latifundiários: meu pai e o seu irmão, o monsenhor Catão, então um dos mais temidos hierarcas da Arquidiocese do Ceará. Apesar do “voto de pobreza”, o reverendo tinha tanta gana por riqueza que o Zeca, meu irmão, numa dessas discussões, disparou quatro tiros contra ele, errando todos, felizmente.

Da mesma forma, só acreditarei na coerência dos “padres progressistas” no dia em que eles questionarem a mentirada do celibato e denunciarem a pedofilia corporativa, a promiscuidade e a hierarquia que submete a atividade clerical ao comando de um papa todo poderoso, de mandato infinito, com domínio inquestionável sobre o pastoreio exercido em todo mundo em nome do pai, do filho e do espírito santo.

Fonte: Tribuna da Imprensa





Repercussões na mídia

10 03 2009

Dom José Cardoso, um arcebispo medieval

Por Pedro do Coutto.


Poucas pessoas ao longo da história terão conseguido fazer afirmações tão absurdas em tão pouco tempo quanto o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, ao anunciar a excomunhão da mãe da menina de nove anos, estuprada pelo padrasto, e dos médicos que, absolutamente dentro da lei, praticaram o aborto legal e indispensável. A gravidez extremamente precoce colocava em risco a vida da menina. Ela e sua mãe foram vítimas de um crime hediondo.

Para início de conversa, uma frase definitiva: não se pode em Direito algum, inclusive no Canônico, transformar-se a vítima em culpado. Não faz sentido. Não possui a menor lógica ou legitimidade. Dom José Cardoso Sobrinho retornou ao passado trágico da inquisição fazendo a Igreja Católica retornar à idade média que durou de 1200 a 1500 com a Renascença, cujas maiores figuras foram Leonardo Da Vinci e Michelangelo.

Afirmou ele que a lei de Deus está acima da lei humana. Absurdo, pois se Deus é o criador do universo, a lei humana pertence a esta criação. Isso de um lado. De outro, toda criação passará eternamente por processos evolutivos. Este é o destino da espécie humana, seu rumo, seu objetivo. Mas a contradição não termina aí. Com sua frase, colocou-se de forma egoísta como o intérprete insuperável da lei de Deus, à qual recorre.

Dom José foi além. Fez a afirmação despropositada que o aborto é pior do que o estupro. Aí chocou-se com a legislação brasileira, unindo Igreja Católica e Estado, o que foi distinguido na primeira Constituição Republicana de 1891. Assim agindo, lançou também a fé católica a um patamar acima da escala das demais religiões. Não tinha esse direito.

Nem de se intrometer no que o Estado determina, tampouco de projetar sua fé acima do credo religioso dos outros. Além disso, recorreu a Hitler sustentando que os acusadores históricos de seus crimes, inclusive o holocausto judaico, esquecem de um holocausto semelhante causado pelos abortos feitos anualmente no mundo. Neste ponto ele se afastou totalmente da lógica. A começar por um ponto colocado por Elena, minha mulher, do qual estou totalmente de acordo.

Uma simples pergunta: o Vaticano excomungou Hitler? Os líderes nazistas ou fascistas? E aparece um arcebispo para excomungar a mãe e os médicos de uma menina violentada, caso singular, pois estava grávida de gêmeos ainda na infância. Excomunhão num caso assim? É demais. Agride a consciência humana, revolta praticamente toda a sociedade, não apenas a brasileira, mas a mundial.

A Igreja Católica, nos últimos anos, a começar pela Arquidiocese de Boston, foi atingida por casos de pedofilia. Os autores foram excomungados? Agora, tampouco o estuprador o foi. A mãe da menina, por ter autorizado a interrupção, sim, os médicos idem. Francamente não faz sentido. Dom José Cardoso voltou ao passado. Retornou às trevas da intolerância. Um desastre para todos de modo geral. E para o Vaticano em particular.

Fonte: Tribuna da Imprensa.





A crise é do capitalismo e não dos trabalhadores

8 03 2009

     A crise financeira internacional que ora põe em alerta todos os demais países do mundo não constitui nenhuma novidade para os que vêem a história, além de um aprendizado, como um verdadeiro edifício também construído pela argamassa do capitalismo planetário.
     A crise, portanto é cíclica. Um círculo-vicioso, um câncer envelhecido, há anos camuflado pela elite internacional e seus governos. Apenas os efeitos dela é que são democratizados, vez que mais cedo ou mais tarde (em maior ou menor grau) as diversas nações do globo haverão de pagar sua cota de sofrimento. Especialmente os países chamados periféricos, do terceiro mundo e/ou emergentes. E nem é preciso ser bom historiador para perceber que, de tempos em tempos, a crise do capital sempre retorna como que mostrando aos contumazes dirigentes do caos que o capitalismo é um sistema apodrecido, que já se aproxima da sua exaustão. Assim como a forma exacerbada de consumo e desperdício que impõem as sociedades do mundo em relação a natureza e as recursos naturais. É evidente desde agora os grandes equívocos que o modelo capitalista encerra no seu arcabouço econômico-financeiro.
     Em suma, é um modelo sustentado pelo egoísmo, a pilhagem, o vilipêndio, o estiolamento e as contradições de toda sorte. De modo que nada disso pode servir por mais tempo a humanidade, sobretudo aos que Marx chamou de proletariado.
     A crise já era algo esperado pelos que se sentem de alguma forma, donos do mundo e do poder. A fase atual do capitalismo – o imperialismo, adentra o século XXI dizendo a que veio, isto é, que o caos está apenas começando. Esta é a principal razão de todo o silêncio do Governo norte-americano – o epicentro deste verdadeiro Tsunami financeiro, bem como de todos os seus asseclas da exploração internacional por intermédio do seu capital especulativo.
     Mesmo distante o que ocorreu em 1929 parece não ter servido como aprendizado aos agentes da ciranda financeira internacional. Mas o processo histórico é de fato inexorável. A história não costuma ser tão pródiga nesta questão e, tampouco fazer concessões aos que se imaginam donos da verdade e por isso fazem vista grossa para a dialética das vicissitudes sociais. Mesmo que a história só se repita como farsa como também nos ensinou o autor do Capital.
     Enquanto a economia mundial não se dispuser a tomar outro rumo, nós os pobres da periferia planetária ainda haveremos de experimentar momentos de dificuldades, muito mais críticos e cada vez mais exíguos nos seus intervalos de ocorrências. A má distribuição da renda mundial geradora dos altos índices de desigualdades e outros males; a diminuição do estado, a privatização dos serviços públicos e sociais elementares; a macro valorização do sistema bancário e do lucro; a agiotagem internacional expressa nas dívidas externas e internas; a não valorização da economia produtiva ante o trabalho, a ciranda financeira; a mercantilização de serviços essenciais como saúde, educação e cultura, dentre outros; poderão comprometer ainda mais a vida de diversos países espalhados pelo mundo inteiro.
     Todas estas questões possuem um interessado em comum e direto: os EUA juntamente com todos os seus apaniguados capitalistas. Este mecanismo é o modo mais prático que encontraram para o desmantelamento de estados autônomos(que ousaram seguir outro rumo) e a fabricação da miséria no resto do mundo e, assim puderem lucrar cada vez mais com tudo isso.
     A crise não pode ser outra coisa, que não o resultado natural desta política absurda e desumana implantada há várias décadas pelos imperialistas da corte mundial.
     É urgente que se invista no social. Que ponham fim às dívidas externas que sagram de morte populações inteiras de pobres e miseráveis pelo mundo afora. É preciso que se plante a solidariedade internacional, para uma coexistência pacífica e justiça social. Do contrário nada de bom poderá ser colhido no futuro em relação aos povos em escala internacional. Estaremos sempre às portas de uma guerra social estabelecida na medida que grandes somas de ativos financeiros continuem rondando o planeta num regime de especulação que não serve aos que pruduzem de fato a riqueza – os trabalhadores do campo e das cidades.
     Não é à toa que o Japão já começa a distribuir dinheiro para os seus habitantes numa tentativa desesperada de conter a crise. Os EUA principal responsável pelo caos, já anuncia com Obama intensos investimentos na sua economia de base à fundo perdido; socorro ao sistema bancário e a elevação da suas atuais cotas de subsídios notadamente no setor agropastoril.
     Enquanto no Brasil, mais uma vez quem paga o preço ardo de mais uma crise são os trabalhadores. Basta ver as levas de operários postos no olho da rua, inclusive por empresas de ponta como é o caso da Embraer, que até pouco tempo era tida como modelo. E o Governo Lula apenas disfarça o perigo com frases de efeitos lançadas de propósito na imprensa, como se a crise fosse apenas “para inglês ver”.
     Tal crise, é preciso que se diga, não é dos trabalhadores, mas sim do capitalismo. Portanto, o aparelho capitalista internacional(leia-se Governo Americano) é quem deve arca com o ônus desta problemática. E a primeira iniciativa seria se dispor a abrir mão dos juros da própria dívida internacional que ora vêm vampirizando nações inteiras de várias partes do Globo, incluindo o Brasil. Do ponto de vista interno a própria elite detentora das grandes fortunas também devem responder por este momento de percalços que está apenas começando, como asseguram os especialistas. Visto que historicamente, nossa elite tem conseguido obter grandes vantagens/lucros com a exploração da nossa classe trabalhadora, dentre outras coisas por meio de salários aviltantes e imensos investimentos na sistemática da agiotagem.
     Enfim, quem precisa de auxílio neste momento são os operários, ou seja, os trabalhadores de um modo geral – a força motriz de todo progresso, e não o sistema financeiro, como tentam fazer que acreditemos a burguesia e parte da imprensa sob seu comando.
     Mesmo num momento de crise, a prioridade do Brasil e do mundo deve ser o emprego e todo o investimento possível na sua estrutura produtiva, incluindo o campo e as cidades.

José Cícero
Professor, Poeta e Escritor
Secretário de Cultura, Turismo e Desporto de Aurora – CE





Terceirizar moradores de rua? Não é possível

13 02 2009

Terceirizar moradores de rua? Não é possível

Por Pedro do Coutto (Tribuna da Imprensa)


Reportagem de Cristiane de Cássia, publicada com grande destaque no “Globo” de 11 de fevereiro, revela que o prefeito Eduardo Paes está pretendendo incluir um dispositivo nos contratos de terceirização de trabalho temporário que obrigue as empresas a contratar dez por cento de albergados e moradores de rua. Não é possível. Não é assim que se retira (e atende) a população de rua.

É plenamente compreensível, portanto, a reação das empresas que operam nesse setor trabalhista. O problema dos que vivem ao relento é extremamente complexo. Isso porque as causas da desagregação são múltiplas. Uma delas a doença.

Que pode ser tanto mental quanto física, contagiosa ou não, havendo casos de duplicidade. Pessoas que habitam as ruas necessitam cuidados mais que especiais. Uma parcela vive de esmolas, pois sempre aparece quem as deem. Caso contrário, os mendigos teriam morrido de fome. Retirá-los das ruas significa cortar a receita de seu sustento. A Prefeitura teria, assim, que providenciar a alimentação.

Não só o alimento, como a albergagem, ao lado de cuidados sanitários e médicos. A perda da referência social constitui um processo fortemente crítico que inclusive tem desafiado os governos das grandes metrópoles de todo o mundo. Ainda não se encontrou uma solução. Tanto assim que existem mendigos e moradores de rua em Nova York, Paris, Londres, entre outras capitais.

Isso de um lado. De outro, lançar uma ponte entre a desagregação e o mercado de trabalho, num lance isolado, é concretamente impossível. Há casos até em que pessoas, num dia, aceitam trabalhar, mas no outro, desistem.

Acompanhei de perto exemplos assim quando fui diretor da então Legião Brasileira de Assistência que não existe mais. A LBA, como projetou o ex-presidente da entidade, Luis Fernando da Silva Pinto, se propunha a ser, em relação à pobreza, um modelo algo semelhante ao que o BNDE desempenhava, desde 52, quando foi criado no governo Vargas, para a economia. Só que o BNDE (não o BNDES) atuava no mercado econômico.

A LBA operava no antimercado da sociedade. Era, como definiu na época o senador Afonso Arinos, uma obrigação que o estado se investia para consigo mesmo no sentido de ir ao encontro dos que perderam o rumo e até o sentido da existência. Como se constata, algo profundamente complexo. Não exige apenas uma técnica, porém um conjunto delas.

Obriga a realização de ações simultâneas convergindo para o plano da reabilitação humana. Reabilitar pressupõe, por princípio, algo destinado a substituir a perda da própria habilitação. Como, assim, pessoas que perderam a habilitação e subvivem nas ruas do Rio poderão, de uma semana para outra, reencontrar aptidões, interesses, empenho e rumos na vida.

Há, como disse há pouco, casos em que aqueles a quem um emprego é oferecido aceitam a tarefa, mas terminam não mantendo afinidade com a própria atitude que assumiram. E que dizer do alcoolismo? Muito frequente e presente na marginalização social. No descompasso humano, na formação de redemoinhos que conduzem seres à perda da autoestima e do compromisso com a própria sobrevivência.

As empresas de terceirização têm razão em reagir à ideia. Pois além do mais a iniciativa da Prefeitura do Rio seria uma flagrante intervenção no contrato social. As empresas, no caso, em vez de selecionarem pessoas por sua qualificação, passariam a escolhê-las exatamente pela desqualificação, o extremo oposto. Os reflexos seriam negativos para toda a cidade.

Não é por esse caminho que se enfrenta o desafio social e humano.

Fonte: Tribuna da Imprensa.





Dom Hélder Câmara, 100 anos de nascimento

10 02 2009

Dom Hélder Câmara, 100 anos de nascimento, uma década de Saudade e Ostracismo

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Neste dia 7 de fevereiro comemoramos (ou pelos menos deveríamos ter comemorado) o Centenário de nascimento do imortal homem do Bem – D. Hélder Câmara. Decerto, a maior figura que o nosso Ceará já projetara para o Brasil e o mundo. Um homem singular. Um nordestino que compreendeu sofrendo a dura linguagem da dor com que os sertanejos(quase sem exceção) aprenderam a duras penas, a sobreviver confiantes na misericórdia de Deus. Por isso fez da sua própria vida um sacerdócio em favor dos pobres, miseráveis e oprimidos do Nordeste, do Brasil e do Mundo. Simplesmente porque para ele, nenhuma fronteira existe para os que sofrem as injustiças em qualquer parte do planeta. Por sua luta, também se tornara um perseguido pelos asseclas da ignorância e do poder.

D. Hélder teve o poder que o animava, mas nunca se fez um homem do poder. Foi padre, foi Bispo de Olinda-PE. Como um homem de Deus e de coragem não vacilou nem por um instante, naquilo que decidiu empreender em favor dos desfavorecidos da sorte e da guerra social. Ao seu modo, procurou dá a única arma que dispunha aos que precisam manter-se vivo diante da dura faina da sobrevivência – a fome de justiça e a consciência de que a conquista seriam imperativos dos que lutam e fazem com que as coisas e o bem aconteçam para todos. O crucifixo ao peito era seu escudo. Ao contrário de muitos, nunca compartilhou com a idéia e, tampouco com o discurso de que a pobreza e o sofrimento existiam porque Deus os queria. A riqueza material assim como a miséria absoluta eram produtos unicamente da esperteza dos homens. E por sua vez não constituíam realidades imutáveis. Seus assistidos compreenderam isso.

Por sua estreita dedicação aos pobres, fora certa feita, igualmente acusado de comunista. E a partir daquele momento, também sofreu na pele a perseguição e a covardia dos poderosos. Dos que, invés de Deus no coração mantinham o desejo de poder. Porém, nada disso o afastou dos oprimidos. Muito pelo contrário – juntou-se a eles. Ou mais, fez-se o tempo todo um deles…

Enquanto sacerdote de Roma conseguiu fazer da religião que o animava e professava, um verdadeiro instrumento de Deus, por meio do qual seria possível transformar a vida para melhor através da solidariedade, da justiça, da educação e da verdade. Desta maneira fizera cumprir como nunca, a assertiva cristã da divisão efetiva do pão e do amor com os que deles necessitavam, sobretudo os desgraçados dos sertões e os perseguidos do asfalto, por quem sobreviver apenas mais um dia no mundo-cão já era um grande milagre.

Dom Hélder foi um autêntico jardineiro do bem e da justiça social… Por isso é inconcebível que hoje, justamente na data do seu centenário, quase ninguém e quase nada seja visto à guisa de lembrança, no nosso meio, sobretudo nas igrejas, nos estratos do poder, nas escolas e, tampouco na imprensa. É como se o nosso conterrâneo ainda estivesse por algum motivo sendo perseguido, por esta que é seguramente, a pior forma de degredo e de exílio, que é o ostracismo e o esquecimento quase total. Sabia que tínhamos memória curta, mas não tanto para esquecer D. Hélder. Será que alguém se esquecer tão rápido assim dos BBB’s da vida, do tri-campeonato, do Pelé, das novelas das oito, da musicazinha apelativa de sucesso, das bundas rebolantes, da Carla Perez, do livro fraquinho do Paulo Coelho?! e por aí vai…

Mas, nosso irmão do bem é de fato inesquecível. Porque o seu exemplo de coragem, entrega, amor, desprendimento e dedicação aos oprimidos não morre nunca. O futuro a partir de hoje, já começa a provar que D. Hélder foi e será para o todo e sempre, um homem póstumo. Nós é que ainda estamos atrasados rememorá-lo. Por isso viverá para sempre naqueles que nunca perderam a esperança, a ousadia e a capacidade de lutar pelo que consideram justo e necessário à concretização dos seus sonhos.

Arrisco-me a dizer que as nossas utopias mais gritantes daqui para frente terão a marca e o próprio nome do velho homem do bem: D. Hélder Câmara. Graças a Deus!

Uma maldade saber-se que na véspera do seu centenário um prédio público(TRT de Fortaleza) do nosso Ceará tenha quase retirado (seu nome) como antiga homenagem a D.Hélder – um símbolo da luta contra a ditadura e uma vez até concorrente ao prêmio Nobel da Paz.

Mas, a memória de D. Hélder permanecerá como uma rocha plantada no meio da caatinga do Ceará e do próprio Nordeste desafiando as inclemências do sol, assim como a sequidão das pessoas e a solidão do poder. Porque todo o resto, D.Hélder estará lá de cima intercedendo por nós ao lado de Deus. Posto que suas palavras ainda ecoam aos ouvidos dos que têm ouvidos para ouvir e dias para sonhar todas as utopias de viver.

Um pouco de D. Hélder viverá para sempre em cada um de nós, que não desistimos de acreditar numa vida possível: mais fraterna, prazerosa, igualitária, harmoniosa, solidária e de justiça social para todos.

Mesmo sabendo que poucos são ainda ao que conseguem rebuscar no fundo da memória esta lembrança. Por que aqui no Brasil é assim.

Existe uma verdadeira cultura que instiga e apregoa aquilo que denominamos de “memória do esquecimento”. Somos por natureza psicológica, eternos e inveterados ‘esquecedores’. Por isso, não é de todo errado a velha afirmação que diz que os “brasileiros têm memória curta”. Quem sabe pela nossa própria história de percalços e sofrimentos, a natureza impôs a genética do dom de esquecer rápido o nosso passado. Uma maneira de não continuarmos sofrendo permanentemente, a memória do passado por intermédio do presente e do futuro. Mas, digamos, isso é uma desculpa deveras espalhafatosa. Apenas mais uma no meio de tantas outras, dentre as quais a própria falta de uma educação mais consistente e popular aos moldes dos mestres Paulo Freire, Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro.

Viva D. Hélder! E que D. Hélder viva para sempre em nós…
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Autor: José Cícero
Professor, poeta e escritor
Aurora – CE.
Direto para o Joaseiro.com




Parte II – A Nova Cara da Música Mineira

6 02 2009

Parte II – “Abra Palavra”

Por Helayne Cândido

A música para mim sempre foi e será uma experiência de estar conectada a outra realidade, sair desse mundo e entrar em outro. Para que eu consiga escrever sobre música tenho que estar conectada a ela, quase que 24 horas do dia, sentindo vontade de escutá-la e fazer dela praticamente um mantra. Peço desculpas se sumi por esses tempos e conseqüentemente não dei continuidade à série “a nova cara da música mineira”. Não que eu tenha parado de escutar música mineira, muito pelo contrário, acabei descobrindo novos “sons mineiros” e espero que em outras oportunidades possa compartilhar com vocês, mas a vida de estudante, fim de semestre, dona de casa e moradora temporária em outro Estado me consumiu. Mas cá estou de volta e vamos parar com explicações, porque meu negócio por aqui é inventar que sei algo sobre música.

Dando continuidade, parece que foi ontem (já faz quase dois anos…) que eu simplesmente liguei a TV e saí procurando algo que me chamasse atenção. Chega um ponto que eu já passei praticamente todos os canais e chego à TV CÂMARA. Bem, olhe, eu gosto de assistir TV CÂMARA e TV SENADO, ok? Acho que se a maioria das pessoas parasse pra ver esses canais uma vez que fosse, acabariam “descobrindo” coisas bem legais! Não tem só discurso de político não (respeito aos de Suplicy, certo? Porque eu paro pra assistir os dele! Mas isso é outra conversa…), tem muitos programas interessantes e entre eles um que me chamou atenção de nome “Talentos”.

De onde vinha aquela poesia toda? Quem são esses dois? Isso soa tão Minas! E eu estava certa! Era uma dupla, uma moça bem bonitinha chamada Mariana Nunes, de uma voz extremamente doce e afinadíssima, e um rapaz de cabelos compridos, tocando violão, e cantando de forma segura. Eram simplesmente Vitor Santana e Mariana Nunes. Vamos lá, ficha técnica: Vitor Santana, além de violonista, é um excelente cantor, dono de um timbre forte, músico, compositor e autor do CD e DVD “Abra Palavra” e “Abra Palavra Ao Vivo” em parceria com Mariana Nunes. É também participante, idealizador e coordenador de vários projetos na área de cultura, como a ONG Contato – Centro de Referência da Juventude (www.contatocrj.org.br), na Filial do Contato na cidade de Ouro Preto, como também foi Diretor-administrativo e idealizador da SIM 2005-2007, e participante da Câmara Setorial de Música do Ministério da Cultura em 2005 na Funarte, Rio de Janeiro. Mariana Nunes é dona da voz suave e seu timbre de voz alcança regiões sonoras variadas, com técnica, sentimento e exatidão, estuda música na Fundação de Educação Artística, além de integrar o coral Voz e Companhia, um dos mais importantes corais populares de Minas.

Os dois são amigos desde muito novos e com a amizade surgiu a afinidade musical que, tempos depois, acabou por gerar a parceria (e que bela parceria!) no projeto “Abra Palavra” que foi amadurecido com participações muito especiais, entre elas destaco o Flávio Henrique (se lembra dele? É! O mesmo que produziu e dividiu composições com o Pedro Morais! Flávio Henrique está em todas!), e a cantora, Juliana Perdigão, que canta com o Vitor a música “Desalinho”, uma das mais belas do referido trabalho. Escutar esse projeto é conhecer não só a sonoridade mineira, mas principalmente do nosso país. São toadas, afro-sambas, baiões, em composições extremamente inspiradas, como nas canções Pra Não Chorar, Dois momentos, Abra Palavra, e Curral Del Rey, ou seja, é um Cd indispensável para quem gosta de conhecer um pouco mais do nosso país através da música e de artistas como o Vitor e a Mariana, que conseguem, de forma magnífica, unir contemporaneidade e tradição.

Confira os vídeos do DVD “Abra Palavra Ao Vivo”:

1

2

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Quem quiser baixar o programa da TV CÂMARA com a dupla é só acessar esse link:

http://www.camara.gov.br/internet/TVcamara/default.asp?selecao=MAT&Materia=39381

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