Privatização do hotel municipal de Juazeiro do Norte

10 09 2009

     Dias atrás, a Câmara Municipal de Juazeiro do Norte aprovou mensagem do executivo que sugeria a venda do Hotel Municipal da cidade, situado à rua São Francisco, na Praça Padre Cícero. A prefeitura promete que, com o dinheiro da venda do hotel, serão construídos mais postos de saúde.

     Embora nem toda privatização seja correta, no caso do hotel municipal achamos a decisão acertada, pois de há muito ele não cumpre papel relevante para o poder público: nem dá lucro ao erário, nem se serve mais a receber autoridades em visita oficial. É notório que esses visitantes vêm se utilizando de um hotel cinco estrelas da cidade – o Hotel Verdes Vale – e não mais do hotel público. Então nada mais justo que vender o hotel e utilizar o dinheiro para algo mais útil.

    Cabe agora à população e à Câmara de Vereadores fiscalizar a utilização do dinheiro obtido com a venda do Hotel Municipal na construção de novos e melhoria dos atuais postos de saúde, como prometeu a Prefeitura.

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Duas notícias boas para Juazeiro

8 09 2009

1 –   A primeira é que a Casa do Povo agora está entregando documentos de identidade em menos de 24h. Algo que vem em boa hora, pois era simplesmente ridículo uma cidade com Juazeiro do Norte fazer seus cidadãos esperarem meses pela emissão de um simples RG. Mais ridícula ainda era aquela cena de um caminhão do governo do Estado vindo aqui de tempos em tempos pra fazer tal serviço, que só agora passa a ser permanente.

2 – A segunda é que o município vem implantando o programa de combate à Leishmaniose, o que também é louvável. Tanto a Leishmaniose Tegumentar, que causa feridas de pele, como a Leishmaniose Visceral, conhecida como Calazar, são doenças de difícil tratamento, que podem trazer, no caso da primeira, graves deformações à pele da pessoa acometida e, no caso da segunda, graves complicações de natureza sistêmica que muitas vezes podem levar ao óbito. Foi o caso de uma mulher de Juazeiro, falecida na semana passada devido ao calazar. São doenças de tratamento longo e difícil, com poucas opções de remédios disponíveis, e que ainda por cima têm uma série de efeitos colaterais graves.

Sendo assim, diante de todas essas características, a opção mais viável é realmente prevenir – principalmente combatendo o mosquito transmissor, o flebótomo. Como médico sanitarista que é,  o Prefeito Dr. Santana tem  mais  é que se empenhar no combate a essas doenças que são da alçada da sua especialidade médica.  Justamente por ser especialista e saber como se faz para combater tais entidades mórbidas, é grande responsabilidade de Dr. Santana em diminuir a incidência e a prevalência não só da Leishmaniose, mas também de outras doenças como a Tuberculose e a Hanseníase, que infelizmente continuam a existir e acometer principalmente as camadas mais pobres da população.

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Sobre a Gripe A no Cariri

5 08 2009

     Hoje pela manhã médicos, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais e estudantes da área da saúde estiveram reunidos no auditório do Hospital e Maternidade São Vicente de Paulo em Barbalha para receberem treinamento, orientações e atualizações sobre a Gripe A, a fim de saber conduzir os futuros casos que o Cariri venha a apresentar. A população da Região Metropolitana do Cariri deve ficar tranquila – porém alerta – pois há aqui, mais precisamente na Secretaria de Saúde de Barbalha, quantidade suficiente da medicação específica para os casos graves da doença. Se houver necessidade, os remédios serão repassados aos pacientes que necessitem, em qualquer município da região.

     O Cariri ainda não tem nenhum caso confirmado da nova gripe, mas isso não tardará a acontecer. Daqui a um mês Juazeiro receberá milhares de visitantes para a Romaria de Nossa Senhora das Dores, o que deve contribuir bastante para a vinda do vírus para a região. É bom os serviços de saúde e as secretarias prepararem-se, reforçando os plantões e atendimentos nas emergências e postos de saúdes da região.

     É importante alertar às pessoas que evitem ir a hospitais desnecessariamente e que não saiam para lugares onde exista grandes aglomerações, a fim de evitar a contaminação. Nunca é demais lembrar: evitem a automedicação e sigam as recomendações de higiene preconizadas pelo Ministério da Saúde e já amplamente divulgadas pela mídia.

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Duas notas sobre a saúde em Juazeiro

5 06 2009

     A primeira nota é para elogiar: a Prefeitura anunciou que passará a administrar o PSIC (Pronto-Socorro Infantil do Cariri) e posteriormente deve comprá-lo. Uma ótima iniciativa, pois a cidade ganhará mais um serviço público para atendimento pediátrico, além do Hospital e Maternidade São Lucas. A intervenção do início do ano no Hospital Santo Inácio tem dado certo até agora e a expectativa é que no PSIC também haja sucesso. Agora o foco da Prefeitura deve ser na qualidade do serviço, que precisará ser dotado de médicos especialistas em pediatria 24h por dia, profissionais de enfermagem também especializados em lidar com crianças, equipamentos, medicamentos, etc. Cabe à população utilizar bem o mais novo espaço e cobrar qualidade no atendimento.

     A segunda nota é pra ponderar e criticar construtivamente nossos gestores: Beto Fernandes, asssessor da Secretaria de Saúde, divulgou na sua Revista do Beto que o Prefeito Manoel Santana e o Secretário de Saúde Giovani Sampaio, ambos médicos, atenderam mais de 400 pessoas em apenas dois dias, terça e quarta desta semana, no Bairro João Cabral, onde o Posto de Saúde da Família estaria sem médico, por férias do profissional que lá trabalha. Ora, em média tivemos 200 atendimentos por dia; se cada um dos médicos-gestores atendeu metade, então Giovani e Santana atenderam mais de 100 pessoas por dia, cada um! Você, leitor, acha que um médico, por melhor que seja, tem condição de atender com boa qualidade mais de 100 pessoas em 1 único dia? Quanto tempo durará uma consulta dessas? Na área da saúde, o clichê “quantidade não é qualidade” fica ainda mais evidente. A intenção dos dois pode até ter sido boa, mas convenhamos, em uma cidade do tamanho de Juazeiro é inadmissível que o prefeito e o secretário de saúde tenham de deixar seus gabinetes e seus afazeres para cumprir a função de médico do posto de saúde. Pode não ter sido a intenção, mas esse tipo de atitude se assemelha a demagogia eleitoreira. O Secretário Giovani anunciou disposição de repetir o feito. Esperamos que não, que o secretário possa trabalhar tranquilamente nas funções do seu cargo! Na verdade, a prefeitura poderia muito bem contratar temporariamente um médico para substituir os colegas que estivessem de férias nos diversos bairros. Bem, esperamos que o concurso público da Prefeitura, que tem 39 vagas para médicos de PSF, venha a solucionar definitivamente a falta de médicos em alguns bairros.

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A causa da gripe suína

5 05 2009

A gripe dos porcos e 

a mentira dos homens

O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. La Glória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em La Glória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente.

Os moradores de La Glória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país. É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a podridão que mata.

O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.

Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.

As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada “ação social”. Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu – argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.

O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS.

Mauro Santayana

Fonte:  Jornal do Brasil (01/05/2009)





Novos empreendimentos da UFC no Cariri

12 04 2009

     A UFC criará o Centro de Pesquisa e Pós-Graduação do Semi-Árido no município de Barbalha, no prédio histórico Solar Maria Olímpia, onde estava funcionando a prefeitura municipal. A assinatura do convênio entre a Prefeitura   e a Universidade Federal do Ceará (UFC) aconteceu semana passada em solenidade na Faculdade de Medicina de Barbalha. O reitor da UFC, Jesualdo Farias anunciou a criação do Mestrado de Desenvolvimento Regional Sustentável, para o qual o novo centro servirá de suporte para estudos de questões que envolvem o semi-árido na região. 

     O reitor da UFC também assinou convênio com o reitor da Universidade Regional do Cariri (Urca), para criação  Curso de Especialização em Geologia no Crato.

     Já com a Prefeitura de Juazeiro do Norte, o convênio foi através da implantação de um Programa de Cooperação Técnico-Científica e Administrativa de formação de recursos humanos e de prestação de serviços de saúde, através do qual os estudantes e médicos residentes da UFC no Cariri passarão a se utilizar dos serviços de saúde de Juazeiro para seus estágios. O Prefeito de Juazeiro, Manoel Santana, solicitou ao Diretor da Faculdade de Medicina a instalação de um programa de residência médica em anestesiologia, tendo em vista a carência de anestesistas na região.

     Jesualdo Farias também prometeu a construção do campus do curso de Agronomia, no Crato, e mais concursos para professores efetivos ainda este ano.

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Dia Mundial do Rim

13 03 2009

Liga de Nefrologia do Cariri promoveu ações educativas em Juazeiro

     A Liga de Nefrologia do Cariri (Linec), grupo composto de professores e alunos da Facurim-com-estetoldade de Medicina do Cariri (UFC-Barbalha) e afiliado à Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), promoveu ontem na Praça da Prefeitura de Juazeiro do Norte uma campanha educativa em comemoração ao Dia Mundial do Rim, comemorado anualmente na segunda quinta-feira do mês de março.

     O mote da campanha que mobilizou nefrologistas e outros profissionais de saúde no mundo inteiro foi “Controle sua pressão”. O Presidente da Linec, acadêmico Lucyo Flávio Diniz, diz que existem hoje mais de 80 mil pessoas em programa de diálise no Brasil. “Cerca de 35% desses pacientes se tornaram doentes renais crônicos em decorrência da pressão alta”, afirma. Daí a importância da abordagem do tema, no tocante à prevenção da hipertensão e, consequentemente, das doenças renais.

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     Por isso mesmo, durante a campanha (que contou com o apoio da Secretaria de Saúde de Juazeiro e dos atuais alunos do módulo de nefrologia da UFC-Cariri), houve medida da pressão arterial e orientação para as principais medidas que previnem a hipertensão: uma dieta com pouco sal e pouca gordura e a prática de atividades físicas regulares. Muita pessoas que nunca haviam aferido a pressão arterial se surpreenderam com um nível de pressão acima do normal, embora nada sentissem. Outras, já sabidamente hipertensas e em tratamento, passavam pra conferir como estava a pressão.

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     O médico nefrologista Rodrigo Alves de Oliveira, chefe da disciplina de Nefrologia do Curso de Medicina da UFC-Cariri, mencionou que o controle adequado da pressão arterial pode “retardar o início, controlar e até mesmo evitar uma doença renal”. Ele ressaltou que os grupos de risco (hipertensos, diabéticos, idosos) devem pedir ao seu médico que solicite pelo menos uma vez ao anos os exames indicadores da função renal: as dosagens de uréia e creatinina no sangue e um sumário de urina. “São exames baratos, que podem ajudar na detecção precoce das doenças renais nesses pacientes de risco”, afirmou Dr. Rodrigo.

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Debate sobre Saúde Pública na FMJ

4 03 2009

 Por Daniel Coriolano

Acadêmico da FMJ, Coordenador do Projeto Medicina & Arte

Saúde pública no Cariri, isso lhe interessa? Esta pergunta motivará o debate no “MENTE ABERTA”, uma ação do projeto de extensão universitária MEDICINA & ARTE apoiado pelo Núcleo de Extensão da Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte – FMJ e Instituto Humanas – IH.

O debate acontecerá no auditório da FMJ às 18h de hoje, 4 de março de 2009, e terá a presença de nomes da Saúde Pública do Cariri, Dr. Giovani Sampaio, secretário de saúde de Juazeiro do Norte, Dr. Ítalo Ney Bezerra, ex-secretário de saúde de Barbalha e Iguatu, Dr. Aloisio Brasil, professor de medicina interna da FMJ são os nomes confirmados para o encontro que tem como público-alvo, acadêmicos de cursos da área da saúde da região.

Será uma oportunidade dos universitários tomarem conhecimento e discutirem as questões que envolvem os serviços de saúde pública de uma maneira mais próxima, bem como, oportunidade de cumprir com um dos objetivos maiores do “Medicina & Arte” que é contribuir para formação de profissionais com maior senso crítico ante as questões sociais”.

O encontro tem também o propósito de arrecadar alimentos, os quais serão distribuídos para instituições beneficentes, portanto, aqueles que desejam participar do “MENTE ABERTA” devem levar 1kg de alimento não perecível.

O debate será mediado pelo Dr. André Alencar Suliano, professor da disciplina de Saúde da Família da FMJ e orientador do projeto Medicina & Arte, bem como será enriquecido com a presença e a opinião do jornalista Murilo Siqueira, detentor de grande senso crítico e conhecimento dos fatos que movimentam o Cariri.

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Sobre a dengue

4 03 2009

     Curiosamente este ano, embora estejamos na época de chuvas, não se escuta falar a respeito de epidemia de dengue. Isso se deve a melhores condições sanitárias, melhor orientação da população, mais carros fumacês, mais pessoas capacitadas para trabalhar como agentes contra endemias? Nada disso, basta olhar ao redor e ver que nada disso está acontecendo.

     Na verdade, a dengue é transmitida por um vírus que possui quatro sorotipos diferentes (1, 2, 3 e 4). Quando alguém é infectado por um determinado sorotipo, adquire imunidade permanente e não fica mais doente se for infectado novamente pelo mesmo vírus. (No entanto, se tiver dengue novamente por um tipo de vírus diferente, terá maior chance de desenvolver dengue hemorrágica). O que está acontecendo é que tivemos tantas epidemias de dengue nos anos anteriores que quase todo mundo está ficando imune! O quadro mudará quando surgir um novo tipo de vírus aqui no Brasil, ao qual ninguém ainda seja imune.

     Embora os casos de dengue não sejam tantos assim neste anos, eles ainda existem (e é necessário continuar a se prevenir e saber tratar adequadamente a dengue quando houver a suspeita). Assim, notamos um grande número de buscas em nosso blog por um texto que publicamos ano passado sobre automedicação e dengue. Reproduzimos abaixo para todos relerem.

Os riscos da automedicação na dengue

9 06 2008

Tomar remédios por conta própria é pedir pra adoecer mais, piorar ou encobrir o seu quadro clínico. Nesses tempos em que vivemos uma epidemia de dengue, a automedicação se torna especialmente perigosa.

Dipirona e paracetamol são os únicos remédios seguros e eficazes em tempos de epidemia de dengue, e mesmo assim devem ser usados na dose correta.

A dengue freqüentemente diminui o nível das plaquetas de quem fica doente, gerando problemas na coagulação que podem levar a hemorragias provocadas ou espontâneas, manifestadas das mais diversas formas: sangramento gengival, manchas hemorrágicas na pele (petéquias), sangramentos pelo nariz (epistaxe), fezes escuras (ou mesmo pretas, chamadas de melena), sangue na urina (hematúria), vômito com sangue (hematêmese), dentre outras. As hemorragias, associadas à hipotensão, são a principal causa de morte dos portadores de dengue.

Quando começam a aparecer os primeiros sintomas (cefaléia, dor nos olhos, febre, dores musculares) as pessoas confundem o quadro com gripe ou outra virose qualquer e muito freqüentemente se automedicam com antiinflamatórios. O problema é que a maioria dos antiinflamatórios diminui a agregação das plaquetas, predispondo ainda mais a fenômenos hemorrágicos. Assim, é catastrófica a associação dengue mais antiinflamatórios.

Os remédios mais usados são à base de Ácido Acetil-Salicílico ou AAS (Aspirina, Doril, Cibalena, Sonrisal, etc), Diclofenaco (Voltaren, Cataflan, Dienflex, etc), Ibuprofeno (Alivium), Cetoprofeno (Profenid), Tenoxicam (Tilatil), Meloxicam, Celecoxibe (Celebra), Rofecoxibe (Prexige), dentre muitos outros. TODOS são muito perigosos ao serem usados em pessoas com dengue.

Se você sentir febre, dor de cabeça ou dores pelo corpo, atenção: só use remédios à base de Dipirona (Novalgina, Dipimed, Anador, etc) ou Paracetamol (Tylenol, Tyflen, Sonridor, etc). A dose máxima da Dipirona é de 1 grama (40 gotas ou dois comprimidos de 500mg) a cada 6 horas. A dose do Paracetamol é de 500mg (1 comprimido ou 50 gotas) também a cada 6 horas.

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Mudanças necessárias na atenção básica à saúde de Juazeiro

17 02 2009

     Semana passada, Beto Fernandes, do Blog do Juazeiro, entrevistou no seu Jornal Progresso o secretário de Saúde de Juazeiro do Norte, Giovani Sampaio, e, segundo ele, foi informada a normatização do funcionamento dos Postos de Saúde da Família (PSFs): agora eles funcionam de 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30, e cada médico tem de fazer no mínimo 40 atendimentos por dia. Em forma de comentário para o blog, teci algumas críticas a respeito desta última decisão e falei de algumas melhorias que precisam ainda serem implementadas. Reproduzo, com algumas modificações, o comentário que fiz:

Acho correta a disciplina no horário de funcionamento dos postos. No entanto, discordo que deva haver aquele número mínimo de atendimentos por dia (antes, havia o mínimo de 32, eram 16 por cada turno, o que dava uma boa média de 15 minutos para cada consulta). Aquela velha história: quando se prioriza a quantidade, facilmente se deixa de lado a qualidade. Há grupos de pacientes a serem atendidos que demandam mais tempo, um cuidado maior (crianças, gestantes, idosos, etc). Obrigar a fazer um determinado número de atendimentos por dia pode limitar a qualidade do atendimento. Em vez de colocar como meta um número de atendimentos diários, outras formas de metas poderiam ser implantadas: um número mínimo de consultas de pré-natal para cada gestante, um número mínimo de consultas para crianças com idade de zero a 2 anos de idade, um número mínimo de consultas anuais para pacientes com doenças crônicas (hipertensos, diabéticos, etc). Isso garantiria a qualidade do atendimento aos que mais precisam.

Além disso, deve-se salientar que uma das razões de os postos hoje em dia funcionarem precariamente é a falta de estímulo para os profissionais de saúde, principalmente do ponto de vista salarial. Como o salário é baixo (compare-os com outras cidades menores ao redor de Juazeiro), os profissionais acabam indo ao PSF, trabalhando apenas uma parte do tempo e depois vão para outro emprego (hospital, consultório, etc). Isto não é uma prática correta. Precisamos, no entanto, que nossos profissionais sejam mais bem remunerados, até para exigir mais deles. Assim, eles poderão se dedicar melhor ao seu emprego no posto, sem precisar trabalhar em outro locais para ganhar mais dinheiro.

Outra medida importante seria melhorar a estrutura física dos postos: eles precisam ser lugares agradáveis e funcionais para os profissionais e para os pacientes. Precisam de bons banheiros, copa, boas cadeiras, mesas, armários, ventiladores, aparelhos de ar-condicionados, medicação, balança etc. Alguns dos nossos postos são bons, em outros falta muita coisa. Alguns postos são apenas casas que foram semi-adaptadas para servir de posto de saúde.

Bem, são algumas medidas que pouco a pouco podem ser implantadas e vão ajudando nosso sistema de saúde a melhorar.

Sávio Samuel – Estudante de Medicina da UFC-Cariri
Para o Joaseiro.com





Crônica de um hospital mais que anunciado

15 02 2009

     Cid Gomes veio na última semana ao Cariri pra assinar a ordem de construção do nosso Hospital Regional, depois de mais um ano de terem escolhido o terreno pra tal fim. Aqueles outdoors prometendo UTI, salas de cirurgia, médicos, enfim, saúde pro povo do Cariri, permaneciam incólumes e solitários na paisagem vazia que avizinha o Ginásio Poliesportivo. Por último, com as chuvas, ganharam a companhia do mato, que cresceu bastante por lá. Porém, até então não havia nenhum sinal de trabalho, nenhum tijolo, nada que mostrasse início das obras. Naqueles dias em que ventou bastante por aqui e muitas placas caíram, os outdoors do HRC também foram danificados.

     Semana passada, no entanto, a paisagem mudou: homens capinando o terreno, consertando os outdoors, montando o palco pra Aviões do Forró, a atração principal da noite, e Cid Gomes e seu séquito, os coadjuvantes (ou alguém ali na multidão foi pra ver Cid, deputados e prefeitos com aqueles discursos óbvios?). No outro dia, homens desmontam o palco. Os outdoors permanecem, incólumes e solitários. O mato não quis crescer.

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Prefeitura de Juazeiro intervém no Hospital Santo Inácio

18 01 2009

     Após o Hospital Santo Inácio chegar ao fundo do poço, conforme denunciamos várias vezes aqui no Joaseiro.com a falta de médicos, remédios e equipamentos básicos, a Prefeitura de Juazeiro do Norte tomou a decisão mais acertada: interviu no hospital. Em outras palavras, durante pelo menos 1 ano, o Hospital Santo Inácio deixa de ser privado e passa a ser gerido pelo Poder Público, pelo Município. Agora sim a Prefeitura terá como gerir o hospital de acordo com as demandas da população. Antes, a Prefeitura apenas repassava dinheiro ao hospital para que ele atendesse à população da cidade. Ou seja, uma espécie de serviço terceirizado, em que o hospital era dito conveniado ao SUS.

     Todos sabem o motivo que fez o Hospital Santo Inácio chegar à situação que chegou: má gestão dos recursos que recebeu (públicos e privados) e falta de investimento por parte dos seus sócios. Pra se ter uma idéia, a Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte (FMJ) já investiu mais de R$ 3 milhões no Hospital e ainda paga R$ 70 mil reais todos os meses, para que seus alunos tenham direito de ter aulas práticas naquela Casa de Saúde. Além disso, recebe cerca de R$ 200 mil mensais da Prefeitura para atendimentos do SUS, além de um pagamento pelo serviço de Hemodiálise e Nefrologia, que é terceirizado e recentemente foi reinaugurado. Vale lembrar que o SUS é apenas um dos convênios do Santo Inácio: ele também recebe pacientes dos planos de Saúde e pacientes particulares. Pergunta-se: como, com essa quantidade toda de recursos, o Hospital ainda acumula uma dívida de mais de R$ 5 milhões? Como deixa faltar médicos e remédios? Como deixa atrasar por mais de 3 meses os salários dos seus funcionários? A resposta já demos: o dinheiro é MAL ADMINISTRADO! Falta administração! Certamente os sócios enriqueceram bastante com o hospital (afinal, nenhum deixou a sociedade) mas não investiram adequadamente no seu empreendimento. Têm o hospital para lucrar e não para prestar um serviço à população. E são tão caras-de-pau de um jeito, que queriam entregar o Hospital para a prefeitura se esta assumisse a dívida de R$ 5 milhões. Ou seja, queriam que nós, a população de Juazeiro, assumisse a dívida que eles contraíram.

     Pois bem, a Prefeitura fez muito bem em intervir no Hospital e não assumir dívida nenhuma. Esperamos que agora, com os recursos melhor administrados, não haja demissão dos funcionários já contratados, que possa haver contratação de novos, que os salários sejam justos e pagos regularmente, que a qualidade dos serviços melhorem, que atendimentos em novas especialidades possam ser implementados, que a FMJ possa ter um bom hospital pra ensinar uma boa medicina aos seus alunos e que a cidade de Juazeiro tenha finalmente um hospital digno. Estaremos aqui para dizer como estará o hospital daqui por diante.

Para ver mais posts sobre o Hospital Santo Inácio, clique aqui.

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Atenção básica à saúde custou R$ 18 por cearense em 2008

29 12 2008

A prevenção e a promoção da saúde são áreas consideradas fundamentais e as que recebem menos recursos

O Ceará gastou em 2008 uma média de R$ 18,00 com atenção básica, enquanto que investiu na média e alta complexidade um total de R$ 108,00 por cearense, conforme a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). É por isso que, ao longo dos anos, a atenção básica vem se apresentando como um dos principais desafios para a saúde pública. Em 2009, reforçar a assistência básica em saúde — que envolve a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação dos pacientes — permanece como o principal desafio para os gestores federais, estaduais e municipais.

O Ministério da Saúde diz que uma atenção básica bem organizada garante resolução de cerca de 80% das necessidades e problemas de saúde da população de um município. Mas, na prática, o que acontece é que a área que deveria ser considerada prioritária acaba recebendo a menor parcela de investimentos públicos.
(…)

É por causa da atenção básica desestruturada em determinados municípios que, muitas vezes, acontecem os quadros de superlotação, estrangulamento das emergências, filas de espera nas unidades de saúde da capital.

(…)

Leia Matéria completa em: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=601932

     Comentário: 18 reais por ano dá R$1,50 por mês. É muito pouco!

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Caos na Saúde incomoda o prefeito

27 12 2008

     O caos instalado na saúde de Juazeiro está incomodando (pressão popular? notícias veiculadas na imprensa? ameaça de processo por familiares de pacientes?) o prefeito de Juazeiro, Raimundo Macêdo. Tanto é que ontem (sexta) o próprio prefeito estava pessoalmente tentando transferir um paciente do Hospital Tasso Jereissati de Juazeiro para um dos hospitais de Barbalha.

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Mais problemas no Hospital Santo Inácio

23 12 2008

     Não bastassem todos os problemas do Hospital Santo Inácio que estamos citando aqui no Joaseiro.com desde domingo, hoje ficamos sabendo que o tomógrafo de lá está quebrado. As tomografias são essenciais na investigação médica de muitas doenças, e um hospital da importância do Santo Inácio para Juazeiro não pode ficar sem um tomógrafo. Assim como não pode ficar sem soro fisiológico, sem oxigênio, sem ambulâncias, sem médicos. Nós juazeirenses merecemos um hospital digno.

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Enquanto isso, falta tudo no Santo Inácio

22 12 2008

     O Hospital Santo Inácio, como informamos ontem, permaneu 24 horas sem médicos plantonistas na emergência. Hoje, informações seguras nos chegaram de que faltava soro fisiológico e até mesmo oxigênio dentro do hospital, o que é gravíssimo!

     Vale lembrar que há vários dias está havendo um contigenciamente de gasolina para as ambulâncias da cidade, de modo que pacientes precisam pagar um táxi ou arranjar um carro de alguma forma se precisarem se deslocar de um serviço hospitalar para outro.

     Até onde esperaremos de braços cruzados? O que mais deixaremos fazer com a saúde pública do nosso município sem fazer sequer um único protesto?

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Sobre exames e atendimentos de maior complexidade no Cariri

22 12 2008

Juazeiro do Norte. Os exames de alta complexidade na região do Cariri estão conseguindo atender parte da demanda, principalmente em cidades como Juazeiro do Norte. O trabalho coordenado por meio da Central de Regulação para a Macrorregional de Saúde está direcionado a quase 50 municípios. Segundo o órgão, os exames de tomografia de crânio são os que mais atingem o teto. Um dos motivos é o elevado número de acidentes motociclísticos na região.

Os atendimentos na área de neurocirurgia são realizados em Barbalha, no Hospital Santo Antônio, considerado referência para os municípios. Os casos de alta complexidade repassados para o hospital estão na ordem do dia. Os leitos de UTI normalmente estão lotados, além da capacidade de lotação do próprio hospital. As cirurgias de urgência são encaminhadas enquanto casos menos graves, que podem esperar, permanecem na fila.

Já o Hospital São Vicente de Paulo, referência para municípios num raio de 300 quilômetros, está com um trabalho de alta complexidade mais voltado aos pacientes com câncer. O problema, segundo o secretário executivo do hospital, Antônio Ernani, diz respeito à necessidade de ampliação da capacidade de atendimento. São 50 pacientes aguardando tratamento na fila. Todos casos que ele considera de urgência, já que pacientes com câncer não podem esperar. (…)

Para Adriane Couto, no caso das mamografias, está excedendo as cotas destinadas aos atendimentos. São realizadas cerca de 156 mamografias bilaterais. Nos de maior requisição, como as tomografias de crânio, mais solicitadas, são criadas cotas extras. Normalmente, as clínicas particulares estão suprindo essa necessidade.

DEMANDA

Carência de exames é recorrente

Juazeiro do Norte. No Hospital São Vicente, em Barbalha, o teto destinado aos exames poderia aumentar, conforme o diretor da instituição, Antônio Ernani, por existir condições de atendimento. “Há aparelhos em que podem ser feitos até mil exames, enquanto realizamos 300 a cada mês, dentro do teto determinado”, ressalta. São aparelhos voltados para exames na área oncológica, dessintometria óssea, entre outros, que auxiliam no tratamento de câncer. Grande parte dos equipamentos ainda não atingiu a capacidade de operação.

O secretário de Saúde de Juazeiro do Norte, Micaelce Santana, destaca a falta de recursos financeiros para atendimentos de alta complexidade. Ele diz que casos de neurocirurgia poderiam ser atendidos no Hospital Santo Inácio, caso fossem destinadas mais verbas. “Para isso, seria necessária uma nova pactuação da saúde e os serviços a serem oferecidos”. Os casos de urgência e emergência em Juazeiro do Norte têm sido um dos problemas mais preocupantes. As dificuldades de manutenção acabam prejudicando ainda mais os serviços. Os exames de mamografia já chegaram a mais de mil, sendo que muitos deles foram liberados pelo município para serem realizados em clínicas particulares.

A coordenadora de Atendimento Secundário da Secretaria de Saúde do Crato, Saionara de Oliveira, afirma que quanto ao trabalho desenvolvido em conjunto com a Central de Regulação e os exames maios complexos realizados em Crato não têm tido dificuldades de demanda de pacientes.

Elizângela Santos

Fonte: Diário do Nordeste





Vergonha: Hoje não havia médico no Hospital Santo Inácio

21 12 2008

Saúde de Juazeiro na UTI

     É isso mesmo que vocês estão lendo. Hoje, domingo dia 21 de dezembro, não havia médico cirurgião de plantão no Hospital Santo Inácio, o hospital de Juazeiro que deveria receber os pacientes cirúrgicos. Nesse caso, os pacientes precisavam ser caminhados ao Hospital São Vicente em Barbalha (se houvesse vaga lá!). Estamos falando de pacientes cirúrgicos, pacientes graves!

     Semana passada estava faltando gasolina nas ambulâncias. Hoje, estava faltando médico. O que falta mais faltar? Por que não terceirizamos de vez nossa saúde para Barbalha? Pagamos ao município de Barbalha e eles recebem todos os juazeirenses lá. Vai superlotar os hospitais, mas pelo menos os juazeirenses não vão morrer num leito de observação no Hospital Tasso Jereissati aguardando uma vaga, aguardando gasolina, aguardando médico…

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Os riscos da automedicação

19 12 2008

 Loucos por medicina

Eli Halfoun

A velha e sempre acertada sabedoria popular costuma dizer que de médicos e loucos todos temos um pouco. Parece que com a implantação da internet estamos ficando mais “médicos” e diante dos acontecimentos que nos são jogados na cara diariamente, sem dúvida, mais loucos.

A internet é (não se pode negar) um dos melhores instrumentos que o modernismo tecnológico nos permite. É “navegando” pela internet que podemos fazer “viagens” fantásticas, ter acesso a tudo quanto é tipo de informação, além de um infinito leque de diversão eletrônica. Se tudo isso é muito bom há, como em tudo na vida, o chamado lado ruim: tem muita besteira espalhada pelos vários sites e principalmente blogs, o que só acontece porque a internet é, felizmente, democrática ao extremo permitindo que qualquer um informe, opine e escreva sobre qualquer coisa, mesmo que na maioria das vezes não esteja preparado para escrever e opinar sobre absolutamente nada. Portanto, cabe a cada um de nós saber o que selecionar para ler e entender.

É o livre acesso a qualquer tipo e informação que nos tem feito acreditar que também estamos médicos: se qualquer um de nós desconfia ou ouve falar em uma doença acha que é simples resolver o problema: basta entrar na internet, pesquisar sobre a tal doença e partir para a perigosa e absurda prática de automedicar-se, o que além pretensão burra é um risco às vezes fatal.

Por mais que um artigo científico tente usar uma linguagem popular o entendimento de qualquer doença é sempre complicado para o leigo que se acha médico e que ainda não percebeu que quem entende de medicina e, portanto, pode diagnosticar e receitar é o médico – aquele que realmente estudou (e muito) para isso. Pesquisar usando a variedade de informações às quais a internet nos permite acesso não nos faz especialistas em nada. Pelo contrário: faz entender cada vez menos simplesmente porque o desencontrado volume de informações que são disponibilizadas acaba, isso sim, dando um nó no cérebro.

Mesmo assim parece que está virando mania (mania idiota) chegar ao consultório médico com o diagnóstico pronto, feito com base em pesquisas realizadas via internet. Não são raros os casos em que o paciente se acha perfeitamente capaz de discutir com o médico e tentar impor o diagnóstico que recolheu apenas por ouvir dizer ou ler. O médico, esse profissional que merece respeito, diagnostica porque estudou para isso e não foram horas de “estudo” pela internet, mas sim anos de faculdade e de um sempre necessário aperfeiçoamento mesmo depois de muitos anos de profissão. A medicina progride a cada dia, o que prova que nós os “médicos virtuais” não temos a menor capacidade de diagnosticar e muito menos receitar absolutamente nada. A prática da medicina caseira através da internet também é exercício ilegal da profissão e acima de tudo uma atitude irresponsável.
*Na maioria das vezes praticada contra nós mesmo

Fonte: Tribuna da Imprensa Online

Leia outro artigo sobre o assunto em: http://joaseiro.wordpress.com/2008/07/30/uma-doenca-chamada-internet/





Jornada de Doenças Tropicais

27 10 2008

Maior evento acadêmico da área de saúde no Cariri tem sua sexta edição

     A Jornada Científica anual do Curso de Medicina do Cariri (UFC – Barbalha) já abordou temas como “Educação e Ética Médicas” (2003 e 2004), “Dor” (2005), “Oncologia” (2006) e ”Trauma” (2007). O tema escolhido para 2008 foi Doenças Tropicais, as chamadas ‘doenças negligenciadas’, potencialmente diagnosticáveis, tratáveis e passíveis de prevenção, mas que continuam há séculos acometendo e matando milhões de pessoas em todo o mundo. A novidade deste ano é a ampliação da carga horária (que será de 40 horas/aula) e o espaço para apresentação de trabalhos científicos.

     A programação contará com temas relacionados à epidemiologia, diagnóstico, imunizações e manifestações neurológicas da doenças tropicais, além de suas apresentações na criança, no paciente imunossuprimido e no desnutrido. O público-alvo é formado por estudantes e profissionais de saúde de qualquer área.

     Mais informações:

    http://www.jornadamedcariri.rg3.net

     jornadaufc2008@yahoo.com.br

     (88) 8827 5526/ 8836 7805

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Notícias sobre Saúde

4 10 2008

Classe rica não vacina filhos, diz Ministro da Saúde 

Ministro alerta que população de maior poder aquisitivo tem baixa cobertura vacinal

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, alertou que a baixa cobertura vacinal na classe mais rica e escolarizada da população aumenta o risco de novos surtos de doenças já erradicadas no País, como a poliomielite. Ele demonstrou preocupação ao repercutir o estudo da Santa Casa de São Paulo, divulgado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

“Temos que ver o que é que há com essa faixa de renda; talvez uma sensação de que a doença estaria erradicada e que não seria importante manter o calendário de vacinação completo, mas exatamente o que garante a erradicação de muitas doenças no Brasil é uma cobertura vacinal alta”, disse o ministro, ontem, depois de participar da cerimônia de assinatura de um novo modelo de gestão no Instituto Nacional do Câncer (Inca).

“Quando se tem uma cobertura vacinal baixa, aumenta muito o risco dessas bactérias continuarem circulando e surgirem surtos da doença”, alertou Temporão. Para o ministro, os pais têm uma grande responsabilidade para manter a caderneta de vacinação de seus filhos atualizada. Ele acrescentou que o estudo, que foi financiado pelo Ministério da Saúde e pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), é importante “porque vai nos levar a repensar estratégias de comunicação, focadas para que todas as classes sociais e de renda entendam que é importante cumprir todo o calendário das crianças.

De acordo com o estudo, que analisou 17.749 cadernetas, o porcentual de cobertura vacinal na “classe A” e na região Sudeste é de 68,9%. A média brasileira é de 81%, também bem abaixo do que é preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS): 95%.

 

Anvisa cancela registro de dois antiinflamatórios

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) cancelou o registro no País de dois antiinflamatórios, o Prexige 400 mg (Lumiracoxibe), do laboratório Novartis, e o Arcoxia 120 mg (Etocorixibe), fabricado pela Merck Sharp & Dohme. A suspensão do registro faz parte de um processo de reavaliação dos antiinflamatórios não esteróides inibidores da ciclooxigenase (Cox-2).

A Anvisa considera que os medicamentos não superam a relação risco-benefício no tratamento de doenças. O antiinflamatório Prexige era indicado para o tratamento de osteoriartrite, dor aguda e cólica menstrual; já o Arcoxia é usado no tratamento de reumatismo, gota, artrite, dor articular e pós-operatórios. A orientação da Anvisa para os pacientes que fazem uso desses medicamentos é que procurem o médico para fazer a substituição do remédio.

A Anvisa determina ainda a reclassificação de toda a classe de inibidores de Cox-2. As bulas dos remédios Arcoxia 60 mg e 90 mg passarão por adequações para que sejam incluídas advertências de segurança. O medicamento Celebra (Celecoxibe), do laboratório Pfizer, também terá restrições na bula relativas ao tempo de tratamento e à utilização durante a gravidez e o período de amamentação. O Bextra (Parecoxibe), também da Pfizer, terá seu uso restrito aos ambientes hospitalares.

A partir de agora, esses antiinflamatórios só poderão ser vendidos com retenção da receita médica pelo estabelecimento farmacêutico. As determinações serão publicadas no “Diário Oficial” da União na próxima segunda-feira. Em 2007, a agência regulatória de controle de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), emitiu uma carta de desaprovação do medicamento Arcoxia.

Em nota, a Novartis comunicou que já tinha reembolsado o valor das unidades devolvidas, desde a decisão da Anvisa de suspender temporariamente o uso e a comercialização do Prexige 100 mg, no final de agosto. As eventuais unidades que ainda não tenham sido devolvidas serão recolhidas e reembolsadas. A empresa disponibiliza o telefone 0800 888 3003 para prestar todos os esclarecimentos sobre o assunto.

A Merck Sharp & Dohme lamenta a decisão da Anvisa de interrupção da comercialização do Arcoxia 120 mg. A empresa afirma que a medida não reflete estudos que comprovam o perfil favorável de risco-benefício do medicamento.

Fonte: Tribuna da Imprensa





Promiscuidade entre Medicina e Política

1 10 2008

     Em Juazeiro, ao analisarmos as chapas majoritárias, vemos a grande presença de médicos (e de outros profissionais de saúde também). Manoel Santana (PT) é médico sanitarista; Manoel Salviano (PSDB) é médico cirurgião-geral (embora não exerça a profissão há muito tempo); Lucildo Leite (PDT), vice de Carlos Cruz (PP), também é médico. Gorete Pereira (PR) é fisioterapeuta e seu vice, Giovanni Sampaio (PTC) também é médico.

     Outros exemplos podem ser citados: o atual prefeito Raimundo Macêdo, o deputado federal Arnon Bezerra, o ex-deputado e atual prefeito de Barbalha Rommel Feijó, dentre outros, todos são médicos e, de uma forma ou de outra, beneficiaram-se da sua profissão para ingressar no mundo político-eleitoral. O atendimento na área de saúde gera grande proximidade com a população, especialmente no sistema público, e muitos profissionais tiram vantagens eleitorais dessa relação próxima com o povo.

     Esse tipo de interação entre a medicina e a política é muito comum no interior e nas regiões mais pobres do país. Quanto mais carente o local, mais isso acontece. Onde a saúde deveria ser “direito de todos e dever do Estado” (nos dizeres da Constituição de 1988), o deveres se transformam em favores e um atendimento em saúde é luxo. Consultas, exames, remédios e cirurgias transformam-se facilmente em votos, do beneficiado e da família.

     A população deve encarar exames e procedimentos médicos do sistema público de saúde como seus direitos, não podendo aceitar exigências ou favores em troca do bom atendimento. Deve lutar para que os profissionais sejam estáveis e bem remunerados, que o sistema de exames, consultas, internamentos e cirurgias funcione efetivamente. Assim, não haverá margem para a existência de promiscuidades entre a saúde pública e a politicagem eleitoreira.

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Comparação Infeliz

1 10 2008

Por Sávio Samuel

     Não cheguei a ver pessoalmente, mas colegas de faculdade me relataram ter visto panfleto do candidato Manoel Salviano em que ele fazia comparações com seu principal adversário Manoel Santana, para mostrar a população que seria o melhor dentre eles. Um dos itens das comparações mostra a formação profissional de ambos (os dois são médicos). Salviano tentaria se mostrar superior à Santana pelo fato de ser formado em uma faculdade de Minas Gerais e ter se especializado em Cirurgia Geral, enquanto Santana se formou no Ceará e é médico sanitarista.

     Sem querer tomar partido, podemos dizer , entretanto, que essa comparação foi no mínimo infeliz. Primeiro porque o panfleto de Salviano deixa a entender que a formação médica no Ceará teria uma qualidade inferior, o que não é verdade. A nota da UFC (onde Santana se formou) no último ENADE foi 4, a melhor do estado. Além disso, possuímos outras faculdades boas (como a FMJ no Cariri e a UECE em Fortaleza, pra exemplificar). É óbvio que cada curso tem suas dificuldades e que em todo lugar existem bons e maus alunos. No entanto, alunos cearenses são aprovados nos melhores programas de residência médica do país, têm boas avaliações no ENADE e estão saindo da faculdade com uma formação satisfatória. Tentar generalizar a formação médica no Ceará como de má qualidade não faz sentido algum.

     Além disso, esse tipo de atitude não é ética para com um colega de profissão. Questionar a formação técnica de outro médico publicamente, dentro de umas esfera de discussão eleitoral (que nada tem a ver os aspectos de atuação médica profissional) é anti-ético, principalmente ao insinuar que a especialidade cirurgia geral é melhor do que a medicina sanitarista. Ambas têm sua importância prática e devem ser valorizadas e respeitadas.

     Por último, a qualidade de cada um como médico não vai influenciar a postura de cada um como administrador. O que estará em jogo dia 05 de outubro é um projeto político-administrativo para o município de Juazeiro do Norte, não é um concurso para ver quem é o melhor médico.

     Esse tipo de colocação deveria ser revista por quem faz a campanha do candidato Salviano. Se a intenção for fazer comparações, que elas sejam relacionadas às atividades, experiências e projetos político-administrativas de cada um.

*Sávio Samuel, 22 anos, estudante de medicina da UFC-Cariri

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Ri-di-chulus XVIII

9 09 2008

     O salários dos médicos do Estado de Ceará é de menos de 700 reais.

     A categoria está tentando negociar com o Governo um Plano de Cargos, Carreiras e Salários, mas está na iminência de entrar em greve.

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Finalmente sai edital de licitação para Hospital Regional do Cariri

26 08 2008

E Juazeiro também ganhará CEO e Clínica de Especialidades

     Nesta segunda-feira, durante o “Governo Intinerante” em Abaiara, o Governador do Ceará Cid Gomes assinou a liberação do edital de licitação para o Hospital Regional do Cariri, num valor toral de R$ 57,8 milhões. Obra importantíssima pra região do Cariri, o Hospital Regional atenderá cerca de 30 municípios e será o primeiro hospital geral 100% público do triângulo Crajubar (atualmente, apenas a Maternidade São Lucas é 100% pública). O HR será referência nas especialidades médicas que se relacionam a Trauma, Urgência e Emergência.

     Promessa de campanha de Cid, o HR gerou muita expectativa na população e depois uma certa descrença, já que a área destinada ao hospital (próxima ao Cariri Shopping) foi cercada, enfeitada com grandiosos out-doors, porém as obras não começavam. É importante lembrar que a construção do prédio é apenas o começo: será necessário ter um corpo profissional qualificado e equipamentos adequados. Além disso, pra se ter um bom serviço hospitalar de Urgência e Emergência é necessária a instituição do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU), com ambulâncias que possam prestar socorro e transportar os pacientes o mais rápido possível ao hospital.

     Segundo a Coordenadoria de Imprensa do Governo do Estado, as obras estão previstas para começarem ainda este ano e serem concluídas no início de 2010. A previsão é que se realizem 15 mil atendimentos mensais, entre consultas, exames, internamentos e cirurgias. Serão 20 leitos de UTI, 15 leitos semi-intensivos e cerca de 180 leitos de enfermaria e 8 salas de cirurgia.

     Ainda na esfera da saúde, Juazeiro está entre as cidades que ganhará uma Policlínica para atendimento de múltiplas especialidades. Além de Juazeiro, serão benefeciados Acaraú, Aracati, Baturité, Brejo Santo, Camocim, Canindé, Cascavel, Icó, Limoeiro do Norte, Russas e Tauá, Crato, Caucaia, Crateús, Iguatu, Maracanaú, Quixadá, Sobral e Tianguá. A intenção das policlínicas é que cada paciente possa receber todo o atendimento de saúde na sua própria microrregional. Juazeiro também deve ganhar o seu Centro de Especialidades Odontológicas, conforme relatamos em um post anterior.

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